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Ponto morto



E então você desengata as marchas, já não pode dar ré, só resta andar em ponto morto, até saber onde tudo isso vai parar. Não é que esteja entregando os pontos, mas deixando de querer ter o controle de tudo. Você se arrisca, claro, mas não peca por medo da entrega.
Nessa levada observa os vidros da vida e vê quem passou por ela, quem você tirou da sua vida e nem sequer deu uma segunda chance, quem você insiste em afastar, no banco do  carona , não há ninguém sentado. Mais uma vez você encontra-se só! Não, não é triste, a escolha foi sua lembra? No porta-malas há apenas uma mala, com poucas coisas, afinal você viveu se desfazendo de tudo, só ficaram lembranças e estas, nem sempre são boas!
No rádio nada sintoniza. Talvez você esteja fora de sintonia, sem transmissão alguma. Um nada!
Quando aprendemos a dirigir passamos por inúmeros testes, desde teóricos até práticos, e finalmente tiramos nossa habilitação como condutores. Nunca falam em ponto morto, pelo contrário, dizem que não é bom deixar o carro assim em descidas, pode até ser perigoso. Não nos explicam muitas coisas e a gente vai "guiando" pela cidade com medo. Medo de estacionar, de bater, de dar ré, medo de dirigir por si! Quando estamos em "ponto morto" só precisamos manejar a direção, não é preciso trocar marchas, basta "seguir o embalo”… mas uma hora ele para! Sempre para!
Na rota da vida, ninguém nos ensinou a lidar com a gente, com os sentimentos frustrados, com a sensação de medo, solidão, perdas, danos, amores… não nos passaram esta lição. Deram-nos a chave do carro e disseram: “Dirija! Siga! Ande! Cuidado com as imprudências!”
E como é difícil dirigir sozinho, ou ter deixado os companheiros de viagem na parada anterior. Algumas viagens são só suas de mais ninguém, afinal você não pode colocar outras vidas em risco quando se está em "ponto morto".
Você tem várias possibilidades, afinal a chave ainda está com você, mas você também pode sair deste ponto, abandonar tudo e seguir a pé, de um novo ponto. Você pediu amor, recebeu! Pediu trabalho, recebeu! Recebeu coisas que não pediu, talvez não aqui, mas teve de aceitar. Ouvi que a "felicidade não é deste mundo". Sim, estamos de passagem na rodovia na vida, mas será mesmo que nos colocariam com a chave nas mãos se não fosse para ser feliz? Talvez não exista felicidade plena, completa, mas poxa vida, eu já fui feliz várias vezes e tanto. Só me perdi no caminho agora, peguei atalhos, dirigi em alta velocidade onde não precisava estacionei em lugares errados e permaneci errando por tanto tempo. Atropelei pessoas que não cumpriram minhas exigências (e quem penso que sou para exigir algo). Fui atropelada, arranhada, batida, riscada diversas vezes por pessoas que achei, eram perfeitas! A minha estrada está um pouco deserta, cheia de solidão e pó, mas ainda não parei de dirigir. Se peguei a estrada errada, posso tentar mudar de direção, ainda dá tempo, afinal o ponto morto tem movimento. 

E as marchas, bem elas esperam insistentes para serem trocadas. 

Confissões de um velho nobre


 
E aos poucos sinto a morrer em mim aquela espécie de memórias às quais chamo memórias de ocasião. Aquelas que em certa altura aqueceram, mas onde hoje, no pensamento do passado, se encontram demasiadas falhas, demasiados calafrios para serem denominadas com saudades. C'est que l'enfer!
A tristeza recai sequer nisso, de aos poucos as memórias se tornarem fungos luxuosos dos quais a multidão alheia se alimenta. A mesma multidão que no fundo os semeia. Aquela mesma multidão que em certos espectros temporais foi fantasma da verdade, relinchava meias mentiras à minha vida, e nela coloria metáforas vergonhosas de tanta miséria.
E aos poucos esse passado vai-se tornando num passado morto; a cor da mentira torna-se certeza de que hoje, indubitavelmente menos sábia, contudo menos dormente, me torno conformado nas teorias que não tenho, aquelas que passo a vida a tentar derrotar.
É inutilmente fácil criar outros absolutos que não nós, é fácil lapidar ideais e torná-los numa benção. Como é fácil condenar, duvidar e, bem, matar.
Mémoires posthumes sont stressants,
fui morto vezes sem conta pela mentira dos outros, e hoje não sei se serei sequer a sombra do que os outros viram. Mas sei, contudo que estou mais gordo do vão das coisas por engolir. Aquelas que me enchem os olhos de brilho, de fatalidades, de exaustão de viver a vida inteira.

Mon Dier,
e esta morte vincada no peito, que se torna vida nos medos soterrados. Estas lembranças tão ardentes que tenho, o conformismo da fé, porque a vida é ter apenas a loucura da lembrança, e a fraqueza da esperança. Mas a morte é não ter, e quando a dor colapsa, é impulsionada pela a revolta da aceitação.
E já não somos o mesmo, quando os adeus têm de ser largados aos ventos que nem sequer pertencem aqui. As ruas continuam calcadas, as vidas aprisionadas na pressa. Mas o coração latejado, o órgão morno, sua tristeza, e dói, porque até quando dói, é belo. E o saudosismo, que todos os povos sentem, é tão somente francês. Francês na sua altura, no seu cheiro, em suas mãos grandes e na nossa alma tão escura sem si. E perder não só quem se ama, mas quem tão somente se ama, o amor de uma vida, rebenta-me. E imagino perder-lo a ele. E imagino o que poderias dizer na tua morte, no teu largar. Et je remercie que ce soit, quelle que soit dieux peut-être. A diferença será para o resto da vida. E sinto amor…

...


Não se pode saber o que a vida reserva, o que o destino trará, mas tive certeza que tudo vai dar certo quando um arco-íris surgiu sem que nem fosse preciso a tempestade já ter acabado.
Às vezes, nos esquecemos que um único instante, um momento, uma situação, uma palavra, um único segundo é capaz de nos transformar para sempre e de nos dizer como seremos.

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A Arte é usada constantemente de forma errônea, há muitos que se dizem artistas, mas poucos que realmente criam!

a maldita necessidade de falar



Seria de tamanha ética se nosso aparelho fonador não respondesse aos nossos estímulos e não falasse demais, justamente quando devíamos permanecer silenciosos, em ressonância consigo mesmo.
Sempre procurei cuidar da minha voz, gosto dela acima de tudo, e como minha profissão de professora e quiçá escritora famosérrima (ignorem a ganância) exige isso também. Entretanto, ainda não aprendi nenhuma técnica que me proíba de falar demais.
Quando digo falar demais, não significa mudar apenas o padrão vocal ou falar “pelos cotovelos”. Mas sim, espetacular a maldita língua, sem pensar, deixar a fala “solta” e sentir a angústia quando você sabe que devia ter ficado de boca fechada quando deixou escapar aquela frase, aquela palavrinha inescrupulosa, aquele tom de deboche que poderia ter digerido.
Os profissionais da voz são todos os indivíduos que tem como seu instrumento de trabalho sua própria voz para exercer sua profissão. É ela uma impressão digital assim como nossa fisionomia variando conforme idade, sexo, estado emocional, etc. Ela mostra quem nós somos!!!
No meu caso, que falo sempre, ou quase sempre minhas opiniões, meus pontos de vista, minhas críticas, minhas interjeições, meus conselhos, meus textos, meus apelos, minhas dúvidas, minha raiva, enfim, todo o meu ser, isto torna-se problemático!
O som amplia-se na boca, através dos lábios, (como se não bastasse dois), com a ajuda das bochechas, da “Dona Língua”, do “Seu Palato” e da dolorosa “Dona Mandíbula”. Já pensei em usar uma fita adesiva, fiz apostas do tipo “quem falar primeiro perde”, fingi estar triste e quieta, mas quando dava por conta, “bláblábláblá”.
Não que eu seja uma pessoa extremamente tagarela, insuportavelmente falante, incoerente. Já me policiei a falar socialmente, já tentei organizar pensamentos, resumi-los e falar o que se deve, mas sempre me deixo conduzir pela emoção, por caminhos ora tortuosos, ora divertidos. Nem sempre tenho boa aceitação. O falar exige esforço, mental, físico, psicológico e com todo respeito, não é todo mundo que consegue falar o que realmente quer. Uns pensam uma coisa e falam outra, outros pensam e deixam as frases empoladas demais dificultando a clareza para o ouvinte, outros nem pensam e falam somente o desnecessário, o desconcertante, o desagradável. E há os que não falam mesmo, porque não querem, ou porque não podem. Ou pior, porque não sabem!
Talvez eu sofra de uma disfonia vocal, causada pela ânsia de falar, talvez eu devesse procurar uma fonoaudióloga e pedir ajuda vocal ou talvez devesse ouvir mais e falar menos. Enquanto meus lábios não se governam e meu cérebro atormenta minhas cordas vocais emitindo toda a variedade sonora possível, em Dores maiores, Resquícios menores, Minutos tensos, Falas soltas, Soltando o verbo, Lá vou eu, Sim, caros ouvintes, coloquem seus fones de ouvido ou venham dialogar comigo. Estou aberta a conversações.

ps: e ainda não consegui dizer eu te amo...

and if I die tonight?


Se eu morresse hoje a noite ou amanhã de manhã, eu poderia dizer que 50% da minha vida foi em prol sempre das outras pessoas. A minha arte me fez conhecer muita gente. Gente do bem, gente do mal, mas, sobretudo, GENTE! Alunos, crianças, adolescentes, idosos, "gente grande".
Queria que botassem um telão com algumas peças no meu velório, queria que ninguém levasse flores (porque não gosto de flores) e se levassem, que levassem cactos, que duram mais.
Ia morrer querendo durar mais! Pois os outros 50% é tudo que ainda não vivi, tudo que ainda não conheci, e também não queria morrer sem saber o que é amor de verdade. Não só amor de um homem, mas alguém que me acrescente tanto, que eu queira passar muito tempo ao seu lado. Amor de um amigo, amiga, de um primo, um parente, de um colega, de um parceiro.
Não queria ir e deixar minha família, por exemplo. E o que dizer de meu melhor amigo, William, cujo é o responsável por minha escrita (o nome do protagonista do meu livro é William). Temos uma ligação muito forte, talvez mude com o tempo, melhore ou piore, não sei. Mas somos grandes amigos, companheiros, unidos.
Morte é vida e vida é morte! Um ciclo. Ciclo que nós seres humanos teremos que cumprir. Vez e outra me pego pensando sobre isso…

Bom mas enquanto eu não morro, tenho muita coisa pra fazer, mão à obra, porque a vida está aí, todo dia jogando tudo à nossa frente. Não dá pra fingir que ela não existe! Vida, licença mas não vim a passeio, vim a trabalho e quero evoluir!

infinito caos

Em meio ao caos e a desordem do mundo, em meio às lutas diárias seja para pagar uma conta ou simplesmente ter tempo para tomar um banho, vive-se! Derradeiramente e burlescamente! Vive-se da pior forma possível! Nossos ancestrais envergonhar-se-iam do cotidiano que criamos e pobre de nós, seres humanos, achamos que somos seres muito melhores, na escala evolutiva.
Passamos o tempo em função do relógio, brigamos por causas perdidas, amamos por tão pouco e sofremos tanto que não sabemos onde isso tudo começou. Fingimos que temos o controle das situações quando não sabemos o que fazer, como fazer e onde fazer… tolos!
Dormimos mal, quando dormimos! Pouco nos irrita e perdemos a crença em quase tudo. Nossos sonhos, outrora brilhantes, apagaram-se por completo e nem lembramos quando foi que isso aconteceu. Imitamos formas, recriamos carmas, emitimos ruídos, exalamos aparência. Elitizamos a carne e destroçamos a essência. Verdades... ah quanto tempo, não falamos algumas ou recebemos...e quando elas aparecem tornam-se chagas! Doem!
Ainda acredito no ser humano, como ser incompleto, pequeno, dilacerado pela tecnologia que rasga seu tempo, joga fora eu diria! Acredito no ser impuro, incoerente, aquele que enfia os pés pelas mãos, os politicamente incorretos, os imaturos, os adolescentes (adoro a rebeldia), os sem teses, os sem mestres, os que não sabem o que são, os que sabem o que buscam, mas vivem calmamente...
A vida! Sempre me pergunto por que me deixaram aqui neste planetinha confuso, doido, onde tudo gira ao contrário, o que faz sucesso me incomoda, os poderosos roubam, os astros envolvidos em escândalos são capas enquanto os talentosos ralam diariamente. É moda ser caridoso, é moda trair, tudo é moda, mas ninguém sabe defini-la.
Mas será que me deixaram ou escolhi, eu mesma, aportar aqui... enquanto não acho respostas, enquanto meus sonhos me revelam tanto mas me confundem, faço arte, porque ela não se acaba, ela fica suspensa, seja num quadro na parede, seja ao som de uma boa música. Na epiderme.

Meu leme ainda segue este rumo... talvez por pouco tempo, ou muito. Mas ainda quero muito, quero realizar algumas coisas que me faltam realizar. Tenho tentado ser mais complacente e diplomática em alguns aspectos. Falho sempre! Mas tento! Tento fechar a boca quando ela disseca situações e não se cala. E que boca! Não me peçam conselhos, falo sempre o que as pessoas odeiam ouvir. Não se se aproximem só quando precisam, eu sempre sei disso, e cansei de ser boazinha. Virada de jogo! Virada de mesa! Cheque mate!
Não falem de mim se não conviverem comigo mais de 5 horas por dia, nem meus amigos mais chegados me conhecem verdadeiramente. Deixem-me quando quero ficar só, me escutem quando escrevo um texto novo, riam quando eu falar bobagem. Aproveitem-me mais, como um corpo pronto para autópsia. Tirem de mim o que puderem, mas relacionado somente a conhecimento. Deletem-me se não for para isso. Se me amarem que seja por COMPLETO! Não tolero meio termo, não tolero a indecisão, não tolero a indiferença, não tolero a falta de atitude!
Egoísmo? Não! Cansei do fútil, do pobre de espírito, do fofoqueiro, do aproveitador, dos cínicos, dos falsos, dos invejosos quero distância absoluta, cansei dos fracos, dos reprimidos, dos tímidos, dos sem noção, cansei de mim, da vidinha, da falta de vidinha, da vidinha calma. MOVIMENTO!
Já não participo dos movimentos que não acredito, não me venham falar em todo, o "todo" não existe, existe eu, você, nós dois, três, quatro, mas sempre divergindo em opinião. Como bons e maus seres humanos que somos!

Saudade da távola redonda, saudade dos cavalheiros de verdade, saudade das guerras por causas justas e nobres, saudades das sábias bruxas, saudades dos séculos passados, das vidas passadas!
E seguimos! Como diria Jacinto Benavante;
"Pensar em fazer grandes coisas é pretexto para não fazer as pequenas."

cada dia aprendo mais a ser eu


Metade dos seres humanos do planeta já teve, ou tem, leu ou lerá, algum livro que fale de auto-ajuda ou de conhecer a si mesmo. Todo mundo já se perguntou em algum momento: “quem sou eu?” Esse pronome pessoal do caso reto, diga-se de passagem, pessoal e intransferível…
Passamos pelo menos uns trinta anos (eu já fiz 20) buscando, querendo conhecer o novo, achando que a felicidade está no outro. Mas aí, no limiar da vida, nos deparamos com situações desagradáveis, com “nãos”, perdas, danos e nos damos conta que temos que valorizar quem somos e como somos: Seres capazes, complexos, em intensa evolução, descobrindo-se a cada dia…
Parece demagogia barata, um apelo de venda: “Extra! Extra! Aprenda a encontrar o EU
A grande dualidade é que não se busca o EU, ele aparece quando menos se espera, não quando queremos. Ele se manifesta nos momentos mais importantes e decisivos da nossa vida. Nem sempre pede licença. Como um terremoto chega sem dar muito tempo, às vezes arrasa e destroi, outras vezes passa raspando, mas sempre passa!
O EU também gosta de fingir estar no outro, nos engana, e quando é tarde, percebemos que ele estava ali, bem dentro de nós, pronto para ser deflorado!!!
Personalidade! Como falta isso nas pessoas hoje em dia! Todo mundo cria padrões de sobrevivência e finge que tudo estava previsto, que corre fluentemente. Enganam a si mesmos, mas as consequências não são sentidas de imediato, fluem lentamente, nos momentos de solidão, de perdas, de fracassos. Sim porque nós seres humanos também fracassamos e isso não é vergonha, é admitir unicamente que não somos perfeitos e que podemos tentar de novo…
Cada dia aprendo mais, sobre o meu EU convivendo com os EUS alheios, nem sempre eles simpatizam, nem sempre se amam, às vezes nem se reconhecem, mas deixo eles passarem, abro as portas da minha vida, eles entram, tomam um cafezinho e partem. Mais cedo ou mais tarde, mas sempre partem e fica o gostinho de um EU a mais que entrou.
Mas há os EUS egocêntricos, os que acham que vivem somente para si, que criam uma redoma de vidro em volta e tornam-se intocáveis! Acham que escapam de tudo e consideram-se brilhantes!!! Para estes o tempo é eficaz! Na medida certa. Sofrem tanto, digladiam sozinhos, com seus arranhões e ferimentos, num processo de autodestruição.
O meu EU anda bem obrigado! Ainda precisa tirar algumas máscaras de guerra que colocou há anos atrás, ainda precisa parar de achar que resolve tudo, porque na maioria das vezes não resolve é nada!!! O meu EU ainda precisa de auto-demolição, destruir alguns esquemas antigos e redefinir senhas.

O meu EU é muito mais simples e tranquilo do que aparenta, basta aproximar o seu…

Y oigo una voz que dice sin razón:
"Vós siempre cambiando, ya no cambias más"
Y yo estoy cada vez mmás igual
Ya no sé que hacer conmigo...


El cuarteto de nos ~

la quête de sens


Tenho me perguntado nos últimos tempos porque reencarnei neste planeta, neste estado, nesta cidade. Pensei que minha ânsia de buscar um sentido para minha vida se resumisse a largar alguns trabalhos que não me interessassem mais, dizer alguns nãos e deixar de fazer as coisas somente para agradar os outros, mas tentando agradar unicamente  a mim mesma.
Doce ilusão!
O tempo passou, nessa busca, muitas coisas boas aconteceram e tantas outras se perderam. A impressão que tenho é que fui colocada de forma estratégica onde estou, como uma peça de xadrez, sendo levada constantemente para o "xeque mate", só não sei se será o fim do jogo para mim ou para meus parceiros…
Achei que talvez um relacionamento novo pudesse acalmar essa sempre sensação de perda, pois, relacionamentos vieram, nada que abalasse as estruturas, mas deixei que fossem, sabendo que já sei pelo menos, o que não quero mais para mim.
Tenho a sorte de trabalhar com o que gosto, mas me questiono sempre, se é isso. Continuar nesse caminho, ou buscar novos e desconhecidos? Até que ponto ter em torno de 200 a 300 alunos por semana é útil, prazeroso, confortante e promissor… será que eu farei sucesso como escritora? E se meu livro não deslanchar, vou continuar nessa carreira alternativa de profi de português?
Sou uma pessoa às avessas, à frente ou completamente atrás do meu tempo. Gosto de músicas velhas e antigas, muitas vezes até cafonas. Gosto de Óperas, teatro, figurinos, telas, arte sacra, arte rupestre, arte romana…
Quando olho um filme e adoro, vejo incansavelmente durante semanas, perdendo a conta, até enjoar e não paro de falar dele tão cedo. O mesmo com livros.
Os lugares que todos frequentam eu não gosto, não suporto. As festas que as pessoas vão me irritam… odeio os novos hits musicais!
As relações que as pessoas forçosamente traçam porque possuem interesses escusos me deixam profundamente decepcionada a tal ponto que tenho de sair de perto.
Amo ficar sozinha! Sozinha mesmo! Em casa. Durmo sempre mal, mas meu corpo já não reclama e se acostumou, pois percebeu que é nessas horas que crio.
Amo literatura homossexual, e não falo de contos eróticos, eu falo de literatura. Tenho vontade de criar nesse sentido, de ajudar sempre mais, tenho o coração totalmente afeiçoado com homens gays.
Sou apaixonadíssima pelo meu melhor amigo de infância. Mas de um jeito totalmente estranho, como se ele fosse o promissor, meu gigante dos mares e que não precisemos namorar nunca para que eu continue a amá-lo. Não sei amar daquele jeito que tanta gente ama!
Quando era pequena sempre queria ser uma feiticeira, ou uma vampira ou uma bruxa com poderes paranormais… talvez meu maior poder seja minha essência! A ânsia criadora de uma artista que nunca pára, que nunca deixa de pensar, que nunca estagna!
Mas nós, artistas, pagamos um preço alto por tudo isso! Muito alto! Sem nos conhecerem as pessoas nos julgam, nos julgando nos idolatram ou profanam, nos profanando nos levam ao êxtase ou a raiva oculta, enraivecidos criamos, criando muitas vezes coisas contra nós mesmos!
Peço aos deuses, sejam eles gregos, egípcios, celtas, pré-colombianos, etc… que me dêem força para seguir, para que eu desista somente se for necessário, para que eu me renda se realmente não tiver mais nada a ser feito, que eu pare de lutar depois de ter perdido TUDO!
Peço ao meu grande Deus, que me dê sentido, sabedoria e muita paciência. Se é que tudo isso tenha sentido, que eu encontre o meu em meio a este turbilhão de questionamentos em que me encontro. Que passe logo, ou se persistir que me leve à loucura total. Porque loucos, nos aproximamos da maior serenidade, que é o conhecimento de nós mesmos. Pessoas normais consequentemente se desconhecem!

à beira de uma possível declaração


Sobre o motivo por eu ser este ser tão alienado?
Ele é meu Girassol. Sim, ele é quem guia meu caminho. Meu melhor amigo… não existe nada de impuro no meu sentimento por ele, já não existe nada decente em meus pensamentos com ele.  Ele… é a pessoa que mais me importa, talvez a única, talvez…
Seus cabelos meio encaracolados, seus olhos pequenos e castanhos… ou negros, ainda não sei. Suas calças rasgadas, suas risadas, a língua eventualmente presa em algumas palavras, as covinhas adoráveis ao lado das bochechas. Talvez perfeito, talvez…
Ele me encanta, eu o amo, eu sou apaixonada por ele. Porque ele é meu amigo, ele confia em mim, eu o quero e não vivo sem ele.
Quero matá-lo, morrê-lo vivê-lo… quero apenas que ele seja feliz.
Quero empunhar uma faca em seu coração e costurá-lo depois.
Quero-o com fome de sangue, com minhas vísceras inquietas que sacolejam a fim de estourar, quero-o com meus dentes e minhas unhas, quero-o rasgando meus dedos, chupando meus dedos, cortando minha pele.
Quero beijá-lo como o sol beija o horizonte a cada fim de tarde e cada início de manhã. Quero abraçá-lo como o vento estica-se entre as folhas, quero deitar-me ao seu lado e alisar-lhe o rosto tão jovial quanto um menino. Menino, moleque, mostro e paradisíaco…
Quero ser seu ermitão perdido, andarilhando sobre seus ombros, quero desenhar meus desejos sobre seu corpo, caminhar sobre ele, descobri-lo.
Eu o amo, como a semente ama a terra e por ele, apenas por ele eu morreria, enfrentaria os demônios desta vida e da outra, venceria meu orgulho, enterraria minhas virtudes e seria o lixo que costumo não ser.
Por ele, eu seria capaz de cavar o inferno e o farei!

se critica bem, que mal tem?

Crítica. Arte de julgar. Senso em escolher o que é bom e ruim. Exame. Assim está escrito no dicionário. Há gente que é pago para isso, como o pessoal cafona, incoerente e sem noção do Omelete (site de críticas e resenhas cinematográficas). Entretanto, é um dos mais respeitados sites do gênero no Brasil.
Há críticos sem bom senso. Críticos sem pudor. Críticos sem argumento. Crítico do crítico.  Acho que eu sou desse pessoal.
Mas é mesmo necessário toda essa cobrança? Ou melhor, essa "criticança”? Há crítico  de artes plásticas, de música, de dança, de livros… há críticos para tudo hoje em dia em qualquer área. Mas o pior crítico é aquele que te critica quando você menos espera. Que te critica corretamente, que aponta o dedo na sua cara e te diz tanta verdade que você fica zonzo e imóvel.

Muitos dizem que não se importam com a crítica. Mentira! No fundo todo mundo se importa, principalmente se a fonte é de respeitosa qualidade. Critica bem quem trabalha bem e tem moral e conhecimento para tanto.
Critica bem, o sutil, o sensato, o coerente, o analítico. Critica bem quem já foi criticado e sabe o poder avassalador que uma crítica tem.

Já recebi inúmeras críticas ao longo da minha vida. Na família, no trabalho, nos amores… algumas me fizeram repensar alguns vergonhosos atos, outras me despedaçaram,e só de pensar nelas os remendos dos cacos começam a coçar dizendo que ainda estão ali, presos a mim.
Ontem recebi uma crítica que me foi um pouco dolorosa, porque era verdadeira e verdade sempre dói quando não estamos preparados para ouvi-la. Tive a sensação de tomar um soco no estômago. Em seguida minha cabeça deu sinais de dor. Meu rosto se fechou. Cerrou. Fiquei em estado de choque intelectual. Refiz um feedback, tentando ver onde foi que errei. Onde foi que me "desalinhei". Foram várias vezes, de várias formas, em muitos aspectos. Permaneço ainda em estado de mudismo. Recuperação lenta. Análise profunda.

Às vezes, para quem trabalha com arte, a crítica pode ser mais intensa, mais corrosiva. Só que o pior é, trabalhar com a arte e receber críticas paralelas. Como a crítica que recebi ontem. Foi da minha mãe, foi pessoal, sobre minha postura e não sobre o que eu produzo. Ou seja, algumas vezes eu só presto escrevendo. Sabe como é ruim?


Mário Quintana dizia que os críticos não servem para nada. Servem sim, para nos deixar com pulguinhas atrás das orelhas. Cabe a nós darmos moradia a elas ou aniquilá-las de vez! To me coçando aqui!!!

em estrada


Ele encontrava-se parado, imóvel em um caminho sem fim. Não sabia para onde ir.
As trilhas eram abundantes, mas mesmo ainda que tentasse não poderia distinguir nenhuma. Então, começou a pensar, e a questionar-se.
Já havia pensado, alguma vez, que uma decisão sem importância poderia mudar totalmente o rumo de sua vida? Não conseguia encontrar uma resposta. Ou por acaso não a queria encontrar.
Começou a caminhar, estava sozinho, não havia ninguém ao redor e isso não dava ânimos, queria despertar em uma manhã e dizer: Não desejo coisa alguma, vivo segundo o que quero, o que amo, o que digo. Busco essa suspeita de entusiasmo, esse ânimo de emoção, cujo qual, não se vive sem.
Era assim, e ele sabia. Mas era inútil o seguir procurando. Não encontraria!
Algo o impedia de seguir sua busca, estava preso. Na trilha?
Não! Estava preso em si mesmo, impedia-se de progredir, mas, todavia, parecia dar-se conta pouco a pouco. E pausadamente via os caminhos da trilha se abrirem.
Tomou sua rota e seguira caminhando…

Multiplique isto pelo infinito, leve-o até o fim da eternidade e terá apenas uma noção do que eu falo.