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non quod memini


Não que eu me importe, mas você parece meio distante de mim ultimamente. Sabe? Eu queria poder ter certeza de que continuamos os mesmos, com os mesmos sonhos, com os mesmos anseios e com as mesmas rosas na mão. Na verdade, eu queria poder te ver sentado no meu sofá, lendo mais uma vez os mesmos mangás repetidos de cinco ou seis anos atrás.  Você era mais bonito uma vez.
Não que eu me importe, é claro. Mas acredito que nós dois só damos certo juntos, exceto quando estamos juntos e ainda assim, separados. Como agora, sabe? Não vou dizer que estou triste, porque não estou, e nem que sinto saudades, porque não as sinto. Mas, é estranho…
Não que eu me importe, mas você costumava sorrir mais antigamente. Eu não digo que gosto do teu sorriso, mas acho bacana alguém que sorri além das adversidades. Bom, tu sabes, eu sei… tu sempre foi a melhor parte de mim. O que não quer dizer que eu te ame. Claro, eu nem tenho porque falar de amor.
Não que eu me importe, mas gostava de pensar que nós dois seríamos para sempre crianças e que a nossa convivência não mudaria, que você sempre choraria as pitangas comigo, que nunca iria trabalhar, que iria agir como um verdadeiro idiota perto de mim. Não que eu me importe, certamente, mas continuo achando estranho...
Não que eu me importe, mas sei que você sabe que eu nunca falo a verdade. No entanto, tenho esse meu plano obsessivo de viver na solidão e você foi a única pessoa que me fez repensar o caso. A única pessoa que me fez repensar sobre muitas coisas, a única pessoa que me fez ver o quão errada eu sou, fui e ainda serei. Isso não significa que você é importante, porque você sabe, eu não me importo.
Apesar de toda a minha frieza, das minhas falhas, e das minhas olheiras, eu ainda acredito que posso viver sozinha. Não que eu sinta sua falta, não que eu goste de você, não que você seja legal. Mas você é o cara… eu acho. E não, não se obtenha de suas coisas por mim. Não se importe, porque acredite, eu não me importo.

gratulatione ~

Eu não sei se eu conseguiria escrever aqui uma mensagem, de cunho literário para parabenizar Freddie Mercury. Muito porque, tenho para com ele, um alívio, uma intimidade gigantesca. Acho que o mundo todo tem. Ele se doou tão inteiramente, não só musicalmente, mas seu corpo, sua vontade, seus anseios pessoais foram assistidos e doa a quem doer, foi ele, sim ELE quem mudou a face do rock n' roll e fez o tal "estilo musical" passar a ser mitologia, ideologia e crença. Se roqueiros - como eu me julgo que sou - são o que são, é graças a esse cara aqui, que há 66 anos, neste exato dia, nascia, para o bem geral da nação.

Mercury, você é o Mercúrio da química inteira. Acho que parabéns nem é digno, acrescento aqui um obrigado oh, melhor roqueiro de todos os tempos.

Farrokh Bulsara, you are the champion!

everyday is a new day ~

Exatamente hoje se completam 6 meses que meu tio faleceu. Acordei , já sabendo que dia era, já sentindo o cheiro, já sabendo, de alguma forma meio estranha, mas sabendo.
É bom que esteja passando bem depressa. As mudanças em mim têm sido drásticas, e fazem jus a minha alienação. Não que eu já não fosse estranha antes, mas agora eu estou mais seca. Prefiro não colocar frases aqui do tipo: “Ah, estou sofrendo pra cacete.” “Deus é injusto!” “A vida é uma merda!” – porque simplesmente não são coisas das quais eu acredito. Apesar de sentir saudades, e de achar a vida decepcionante às vezes.
Acho que ainda estou mais serena. Já ouvi um velho dizer que o sofrimento fortalece. É um pouco cruel, mas é verdade. Verdade também que neste sexto mês eu decidi encarar a realidade. Meu tio morreu, sim! E é horrível saber disso. Por esse principal motivo eu vinha de arrasto tentando me esconder da realidade.
Se eu estou triste? Claro que sim. O bastante para não querer perder mais ninguém que é importante para mim. O bastante para aprender a dar valor a certas coisas que eu não dava antes. O bastante para escrever meus livros para dedicar ao Tio.
Eu com toda a certeza dessa vida estaria mentindo se dissesse que superei, que estou bem, que me levantei… mas posso dizer que estou levando, começando cada dia de cada vez, cada instante de novo, respirando mil vezes e vivendo. Sim, eu já melhorei muito…
Sei que meu tio está bem,  sei que está feliz, sei que continua com aquele sorriso que sempre trouxe felicidade a cada um próximo a ele. Sei ainda que jamais esqueceria do amor que recebeu aqui, e da força que trouxe a muitos, inclusive para mim.
E apesar de hoje o dia ter amanhecido sem cores, o sol já saiu.

Sim Tio, obrigado por tudo! Obrigado por se tornar o motivo do meu despertar a cada manhã. Eu estou muito feliz por apenas ter feito parte da sua família!
Te amo…

l'absence que le passé n'est

Eu sinto falta de quando éramos duas crianças. Não entendíamos nada de amor, mas mesmo assim nos amávamos tanto. Acredito que nos amávamos mais do que hoje, ou nos amávamos mais bonito. Você ligava para florezinhas, você gostava de estar comigo, me ordenava a te embalar no balanço, mas sabia que aquilo era o que eu mais gostava de fazer. Me mordia o tempo todo, mas acho que era para me mostrar que queria um pedaço meu, e eu juro que não hesitaria em dar.
Ou melhor, eu não hesitei. Entreguei assim de cara o meu pobre coração, tão frágil e vulnerável, nas tuas mãos malévolas. Fez tudo o que quis com ele e… puft! Então eu sofri e chorei, e fiquei seca, amarga, bandida… fiquei com vontade de te ver sofrer como eu sofri. Então hoje eu consegui como nunca antes vi, e como nunca jamais verei, você chorar. Perdoa-me, mas eu precisava fazer isso… e sei que agora vamos estar separados para sempre…
Acontece que sinto saudades da nossa infância. A doce, adorável e sincera infância. Porque antes de a gente fazer as coisas feias que fizemos, de dizer as besteiras, de crescer e aprender a magoar, nós éramos felizes. Era como se eu fosse suficiente pra você, como se eu bastasse. E isso me fazia o guriazinha mais feliz do mundo. Nós éramos mais sinceros. Sim, eu me deixava ser a melhor parte de mim enquanto apreciava aquilo que pra mim era a melhor parte do mundo: Você!
Nós cantávamos mais, nós beijávamos mais, nós fizemos tantas loucuras juntos...
Quando me perguntar outra vez o porquê de eu ainda te dar atenção, desde sempre, desde quando tu era apenas um guri ranhento e bagunceiro, o guri que todos odiavam na sala, o guri capetinha que vivia de castigo, de quem todos riam, de quem ninguém gostava... vou te dizer pra pensar nisso. Porque é esse o meu motivo!
Você e eu fomos felizes juntos, você e eu fomos amor! Se ainda somos eu não sei. Eu não sei mais de nada. Só sei que ainda te amo perdidamente, mas que agora o meu desejo não é apenas te fazer feliz, é te fazer chorar. Por mim! Eu mudei, o meu coração mudou, você mudou o meu coração e mudou a si mesmo dentro dele.
É, nós não somos mais os mesmos. E sabe de uma coisa? Jamais voltaremos a ser!

_ sem comentários, sem nada

"Era este o trato, o acordo, o casamento. Estariam juntos no amor, na tristeza, na alegria, na doença, na saúde, na riqueza e na pobreza. Seriam um do outro, seriam tudo um para o outro. Seu ombro amigo, seu amor, sua paixão, sua companhia. Seriam a carne e o espírito. Seriam movidos pelo amor. Algo perfeito demais… perfeito demais para ter um fim!"


Recebi uma notícia essa semana que me deixou meio abalada. Talvez, a palavra certa seja chateada, mas…
Eu sempre fui uma pessoa um tanto quanto desapegada. A imagem que eu passo para os outros é a de que não gosto de apego, de intimidade, de proximidade. É bem verdade, mas isso não quer dizer que eu não amo ninguém.
Eu tenho muitos problemas. Sou uma pessoa difícil e se eu pudesse escolher não amaria ninguém. Mas eu amo algumas pessoas, não muitas, mas algumas. Uma mais do que eu deveria, aliás.
Não sei explicar como essas coisas acontecem, nem entender porque elas acontecem. Talvez porque eu gosto de Blink, ele sempre preferiu Chilli Peppers. Ou porque sempre divergimos de jeito oposto todas as nossas opiniões. Talvez por que eu goste mesmo dele…
E essa pessoa que eu gosto, diz que vai embora.
Como eu já disse mil vezes, eu fico feliz por ele. Rezo para que ele encontre alguém que o ame tanto quanto ele merece. Sei que esta pessoa não sou eu, porque eu fui uma bosta suficiente por nunca assumir o que eu sentia por ele. E talvez, pior do que isso, tê-lo tratado com a menor das importâncias por puro medo de que ele soubesse o que eu sinto.
Eu vivo dizendo que sou forte o bastante, mas aprendi que não sei lidar com perdas. E que por mais que eu seja covarde e me mantenha sempre longe, eu sei amar bastante e sofro por isso algumas vezes. Como agora, mesmo sabendo que ele vai se dar bem, mesmo tendo visto o sorriso de felicidade no rosto dele por me contar a novidade eu ainda consegui me assustar com a possibilidade de estarmos longe.
Sei que vou superar, e ele também. E eu realmente gosto demais dele para tentar prendê-lo aqui. Só acho que fui burra demais esse tempo todo e por isso vou continuar aqui mofando por muito tempo, escrevendo o que eu queria dizer a ele, dando para o personagem principal do meu livro o nome dele, e escrevendo um possível conto do que podia ser de nós dois.
Eu realmente sentirei muitas saudades dele, e certo, eu ainda não sei se vai passar…

_ still hurts _

Hoje se completam 4 meses…
Eu, na minha infantil visão de vida e morte nunca acreditei que fosse tão difícil dar adeus a um familiar. Mas acredite, isso dói muito! E podem se passar mil anos, isso sempre vai me machucar.
O que me conforta um pouco, é que meu tio foi um grande homem, merecedor de toda a admiração e amor que podia haver nessa vida. E sei, sinto que ele está bem. Apesar de que, tudo isso ainda não extermina o meu egoísmo.  Por mais que eu soubesse que ele sofria com o câncer, eu inevitavelmente, desejo que ele volte.
Mas ninguém pode com a força divina…
Eu tenho estado afastada, tentando acreditar que nada aconteceu de fato, mas eu ando me escondendo da realidade e isso dói bastante. A realidade é cruel. E mais cruel ainda é o fato de tu ter de enfrentá-la.
É tão estranho o jeito como as coisas acontecem conosco.
Nós acabamos nos perdendo intensamente, vocês não acham?
E eu fico me punindo pelas coisas que acontecem. Com o peso do mundo nas costas, como se tudo de podre fosse culpa minha, como se eu fosse o inferno, ou a falta de Deus. Na realidade, o mundo permanece o mesmo. Apenas com um motivo a menos para se viver…

Sábado é aniversário da filha da minha prima, e ela ligou querendo que todos nós fossemos. Mas eu não vou! Sinto que não estou pronta para isso…

Houston, we have a problem!

Nesses dias olhei Apollo 18, um filme novo aí que relata o Programa Apollo  de um jeito no mínimo… estranho. Mas enfim, acabei de lembrando de Apollo 13. Nossa, que saudade! Além de eu ser uma fãzinha incurável de projetos espaciais (principalmente do Apollo), e ainda por cima fazerem um filme tremendamente emocionante sobre, o meu amado Tom Hanks está no elenco.
Depois que eu assisti a esse filme (há muuuuito tempo atrás), fui procurar saber da verdade verdadeira. Li o livro do Lovell (um dia falo dele aqui), li a transcription das fitas de todos os 6 dias que eles passaram no espaço, comprei o filme, olhei o documentário, pesquisei as revistas da época e tudo mais, e passei a admirar essa gente toda por tudo o que passaram.
A partir daí passaram a ser minha tripulação favorita do Programa Apollo, pois foram mais triunfantes do que os que realmente conseguiram pisar na lua: Lutaram pela vida!
Isso aqui não é uma resenha do filme. Muito porque, iria soar estranho, o filme é de 1995. Mesmo assim é um dos meus filmes preferidos, talvez um dos poucos que eu chorei, e o melhor de aviação e espaço que eu já assisti. E esse filme, na realidade essa história toda tem muitas (muitas mesmo) lições!
Você já se perguntou alguma vez como é o outro lado da lua?
Lovell, Haise e Swigert são as únicas três pessoas da história que sabem disso.

Então, estamos em 1970 e três astronautas são escolhidos para voar para a lua, em uma missão de desvendar Fra Mauro, uma cratera de região rochosa e danificada. São eles Jim Lovell (comandante), Fred Haise (piloto de módulo lunar) e Jack Swigert (piloto de módulo de comando). Já os EUA são o país com maior poderio no âmbito espacial e talvez essa missão seja uma das mais importantes. Desbravar o outro lado da lua…
O Apollo 13 lançou-se ao céu às 13h 13min e 13s do dia 11 de abril, acoplou-se ao módulo lunar, e tudo corria perfeitamente bem dentro dos conformes. Até que no terceiro dia, na sexta feira dia 13, logo depois de Jack agitar os tanques de oxigênio, um barulho junto de um tremor foi ouvido. Algo estourou danificando o oxigênio e a variação da espaçonave. Lá se foi um pedaço do módulo de serviço. Levando os três a uma verdadeira saga para salvarem suas vidas.
Por algum motivo, que a ciência deve julgar lógico e que eu julgo divino, eles não machucaram-se, a nave não explodiu por completo, e eles ainda tinham a escassa chance de voltar para casa, entretanto o sonho de pisar na Lua morreu ali, frustrando os três astronautas.
Nós viemos passear aqui na Lua, mas não dá pra pousar. Vamos voltar para casa então?
Que simples seria…

Primeiro: já é bastante complicado você se encontrar em uma situação crítica aqui na Terra. Imagine estar a 130 mil quilômetros da Terra? Ou você quer viver, ou você quer viver! E vejam meus caros, que eles não desistiram de qualquer coisa. Eles tiveram que desistir da Lua.
A Lua era o sonho de Lovell desde que entrou para a NASA, e quando ele se dá conta de que não vão estar lá, de que o sonho acabou ele simplesmente larga um: “perdemos a Lua!” aos colegas. Inclusive, o nome do livro dele é Lost Moon: The Perilous Voyage of Apollo 13. Ele deu entrevistas dizendo que tinha chorado muito, e ficado triste demais depois. Eu o entendo.
Véi, se eu um dia perder as mãos, perder a oportunidade de escrever, ser impedida disso acho que morro. Nunca é fácil desistir de um sonho, de algo que amamos muito, que queremos muito. Afinal, somos todos egoístas. Mas um dia, a provação chega e você precisa decidir se quer viver, se quer continuar, ou se quer morrer e se doar por algo ou alguém que ame. Os meninos escolheram viver. Lovell é um grande astronauta mesmo!

Segundo: logo que acontece a explosão na nave, a gurizada não sabe bem o que está acontecendo. Portanto, se mostram tranqüilos e até mesmo frios, sem pânico ou desespero. Afinal, são astronautas. Homens acostumados a deixar o medo em Terra! Corajosos, heróicos, eles tinham o sangue frio mesmo e a desenvoltura necessária e por isso resistiram. Por serem homens machos mesmo. Freddo quase convulsionou de febre, mas quando questionado por Lovell disse que agüentaria quanto tempo fosse necessário. Eram fortes e destemidos, e passaram no teste. Eu admiro demais esses caras!

Terceiro: Não fizeram festa! Claro que eles ficaram felizes por retornarem para casa, mas não comemoraram. Afinal, perderam a Lua. Estamos falando de um sonho de anos, que normalmente se leva a vida toda estudando para conseguir. Eles voltaram frustrados. Autenticidade a deles! Felizes estamos por voltar para casa, mas não precisamos fazer um churrasco para comemorar. Sensatez a deles! Não é só porque ficaram mais famosos do que os que realmente pisaram na lua, tiveram uma história emocionante, viraram astros da TV que estariam de risinhos. Adoro isso nas pessoas.

Quarto: Houston, we have a problem! A primeira coisa que eles fizeram foi admitir. Pô, nós estamos encrencados, e temos problemas. A segunda foi imediatamente contatar a base em Houston. Só essas duas atitudes são mais do que suficientes para pensar… quantas vezes já enfrentamos uma crise, nos metemos em encrencas e permanecemos amuados tentando resolver tudo sozinho, muitas vezes, por orgulho bobo querendo se mostrar auto suficiente.
Na hora de um problema a melhor coisa é admitirmos que precisamos de ajuda, admitirmos que muitas vezes sozinhos não conseguimos. Deixar o orgulho de lado e poder dizer, eu tenho um problema aqui!
Imaginem os guris do Apollo 13 dizendo entre eles: “meu! Que problemão, nas nem vamos falar nada; combinado?” Imaginem a equipe da terra fazendo contato com eles: “como estão as coisas aí? vocês vão concluir a missão?” E eles no cúmulo do orgulho respondessem: “melhor impossível, se melhorar vira festa… quanto à missão, nem se preocupem. ESTÁ TUDO SOBRE CONTROLE!”
Eles morreriam asfixiados, a nave toda explodiria no espaço. Por vergonha, por orgulho… muitos de nós fazemos isso o tempo todo.
Todos da Apollo Thirteen voltaram para casa, vivos! Porque reconheceram a crise, pediram auxílio. Foram homens o suficiente para desistirem da lua, olharem para frente e dizerem: Estamos fodidos, precisamos de ajuda!

Falhar não é uma opção – Diz Gene Kranz, o diretor da missão que coordenou tudo direitinho daqui da Terra. Afinal, a vida de três astronautas estava em risco. Posso ver um sentido nisso tudo, usar essa frase é recomendável para qualquer situação difícil da sua vida. Falhar realmente não é uma opção, tente se ater a isso sempre, não se permita falhar, não se permita correr o risco de morrer no espaço. Nós como seres humanos, devemos ser exigentes conosco mesmos, devemos nos criticar muitas vezes, se orgulhar outras, devemos nos conhecer e não nos permitir falhar.

Não era qualquer probleminha: Quem lê pensa que foi fácil. Explodiu um pedaço da nave e eles só tiveram que voltar. Não! Eles voltaram na ameaça de morrerem por inúmeros motivos.
Desligaram toda a energia do Módulo de Comando (Odissey) para que este tivesse energia suficiente para reentrar na terra, isso fez da viagem de volta, um inverno intenso.
O Módulo Lunar (Aquarius), onde eles navegavam, suportava dois homens por dois dias. Ali estava suportando três por quatro dias.
O oxigênio estava vazando, um dos tanques explodiu, outro danificou-se. Sim, eles corriam o risco de ficar sem ar. E pior, poderiam ter morrido intoxicados com o próprio ar carbônico que saía dos pulmões. Este ar é fatal no espaço.
A água era escassa. Eles bebiam meio copo por dia, pois precisavam de água suficiente para refrigerar a nave. Sem contar que, uma goteira criou-se no módulo lunar. Quanta sorte!
Com o Módulo de Comando apagado, tiveram que corrigir rota de volta mais de quatro vezes. Sem falar que, as estrelas estavam inacessíveis pela quantidade de destroços expelidos pela nave anteriormente. Tiveram que mirar no sol, a única estrela acessível.
Com a nave totalmente avariada, era impossível saber se eles realmente retornariam em segurança. Com a explosão, a blindagem poderia estar fraca, e eles poderiam sim morrer torrados pela atmosfera terrestre, ou simplesmente espatifarem-se na Terra.
Passar por todos esses problemas, com uma porcentagem mínima de volta, só faz pensar que esses caras merecem respeito. Não só os tripulantes, mas o pessoal que trabalhou aqui na Terra. Como disse Gene Kranz, este foi o maior triunfo da NASA.


“Farewell Aquarius, and we thank you!” – Frase do Lovell assim que ejetaram o Aquarius para entrar na Terra. Uma das únicas vezes que se pôde ouvir emoção na voz dele.

P.s 1: O Programa Apollo é o nome de uma série de missões espaciais, destinadas à lua, e as reações terrestres dentro e fora da órbita. Apollo é o nome da nave, que saía da terra com os poderosos foguetes Saturno V.
P.s 2: Apollo 13 fez um puta sucesso nos cinemas, e eu recomendo o filme é MUITO emocionante.
P.s 3: O que está na transcription é um pouquinho diferente do que foi eternizado. Na realidade, o que aconteceu foi que Jack disse: “I believe we’ve had a problem here!” e quando Houston pediu a repetição, Lovell respondeu: “Houston, we’ve had a problem. We had a MAIN B BUS UNDERVOLT” confirmando que eles tinham um problema aparentemente de voltagem, e que estavam muito encrencados.
P.s 4: Módulo de Comando é a cabina em que ficam os astronautas nas naves Apollo. O Módulo de Serviço é acoplado a esse Módulo de Comando, mas é dispensado ainda no espaço em todas as missões. O Módulo Lunar é a base que se estabelece na lua, e que é descartada também. A única peça que reentra a atmosfera terrestre é o Módulo de Comando. Na situação do Apollo 13, tiveram de usar o Módulo Lunar, até o último momento, o descartando apenas em minutos de entrar na Terra.

O Cientista

Estou indo te encontrar, como há muito tempo eu esperava...
Preciso dizer que sinto muito!
As coisas não deram certo entre nós dois em vida e talvez eu seja o culpado por isso. Eu sinto tanto, sinto por não poder dizer de novo as coisas que sinto vontade de dizer. Você é tudo o que realmente está na minha cabeça o tempo todo. Você nem tem ideia do quanto você é amável.
Querido, Deus deve saber o quanto eu sinto sua falta...
Quero-te dizer que preciso de você, como nunca antes precisei. Preciso repetir, que você é tudo o que realmente está em minha mente?
Não vou desistir até te ver de novo! Se esse sonho acabar, vou ter certeza de que este é o meu destino. Talvez, por algum motivo Deus tenha te colocado no meu caminho.
Quero te encontrar e te dizer que esses tempos sem você não têm sido fáceis, que as lembranças me atormentam enquanto eu durmo, e quando eu estou acordado também. Você deve ter algo a me dizer e eu quero saber. Todos os seus segredos, quero solucionar suas dúvidas, quero te abraçar e te dizer que te amo. E como sinto sua falta... daria tudo para que voltássemos ao começo de tudo. Por você, eu viveria cada segundo. Mataria-me de novo, beberia sangue, amassaria cigarros na minha pele, tatuaria seu nome no lado esquerdo do peito… eu faria tudo, desde que você nunca mais partisse. Querido, estou indo te encontrar pra te dizer que te amo!
Eu sabia desde o início que nada seria fácil. Mas ninguém teve a decência de me informar o quão seria difícil! Sinto sua falta. Sinto falta de quando você me chamava de idiota, mas que dizia que eu era tudo o que você precisava. Sinto ainda mais falta do seu sorriso, que iluminava as minhas manhãs. Durante anos você foi o meu sol. Sinto falta do seu cheiro, ele era tão forte e perturbador. Sinto falta dos seus olhos intensos, que me faziam mergulhar em um abismo sem volta. Eu não me arrependeria. Nunca me arrependeria de voltar ao começo.
Quero desvendar todos os seus mágicos mistérios. Sejam numéricos, ou uma junção de quebra-cabeças de mil peças. Eu o faria! Eu sei ainda que meu coração fala mais alto do que tudo isso. Meu amor poderia arrasar tudo isso. Este mundo, os outros mundos, este tempo ou o tempo que ainda está por vir! Meu coração grita alto, e é o seu nome que eu ouço. Atormente-me, invada meus sonhos, projete meus dramas. 
Eu me entrego inteiramente a você como sempre fiz e sempre farei. Você é a única coisa porque vale a pena viver, porque vale à pena morrer, e porque eu lutaria algum dia. Correria em círculos, perseguiria a mim mesmo... Aguarde-me, me observe, me guie de encontro ao seu coração! Deixe-me estar perto de você, me deixe estar dentro de você, me deixe ser seu dono ou a sua propriedade.
Deixe-me voltar ao começo e te dizer que sinto muito.


P.s: Pessoal vai achar que eu estou apaixonada, vou deixar claro eu não estou. Eu escrevo sobre e para apaixonados, mas não estou apaixonada por ninguém, apenas pela literatura. Só me derramarei em reclames poéticos para Lionel Messi, e quem me segue e me lê sabe que é em sentido platônico.

I'm so glad, and telling all the world

Meus momentos no Beira-Rio são memoráveis. São para nunca mais esquecer. Desde o momento em que cheguei lá com um único sanduíche no estômago, cantei There’s a place e A Hard Day’s Night com o Caco e claro, quando os portões se abriram e pudemos largar nossos presentes em caixas que seriam entregues a Paul.

Meu coração, não cabia em sua surpresa quando, pouco depois das 21h00, aquele ídolo que manteve sua distância por tantos anos, por quem eu era perdidamente apaixonada. Aquele que manipulou meus sonhos, que estava trancado no meu coração com um sigilo enoquiano, divino. Ele... Paul, o meu ídolo, o meu morango de Liverpool, apareceu sobre o cenário brindando seu melhor sorriso e seu gesto de "moleque travesso" para se dirigir à eufórica concorrência...

Escutar um Beatle falar meus triviais vícios de linguagem e ainda mais pronunciar o nome Porto Alegre, da sua maneira, não fez menos que provocar uma enorme catástrofe general no meu coração. Sir Paul McCartney abriu o esperado encontro com sua súdita. E me fez chorar, berrar, quase desmaiar de tanto gritar... Saudades, muitas saudades daquela que foi a melhor noite de toda a minha vida! Meu grito delirante pôde ser escutado até no céu. Onde descansavam John e George, que riam comigo, e choravam junto, cujos espíritos se fizeram sentir na noite daquele domingo extremamente embriagante.

Eu me afoguei no amor, no meu ritual, no meu setlist favorito, na minha nostalgia, e no meu sonho de menina que parecia tão perto como nunca antes! 


  
And in the end the love you take is equal to the love you make!

memórias póstumas

Hei!
Consegue me ouvir?

...

Acho que não! Acho que você já deve ter me esquecido não é mesmo?
Sempre que te olho daqui de cima, consigo ver um sorriso nos seus olhos.
Mas que bom que você é feliz.

Eu sei que te magoei demais. Na verdade, eu não tive oportunidade de te dizer tudo o que eu queria. Eu juro que eu ia consertar tudo, eu juro!
Mas não deu tempo...

Sabe, que nem doeu. Todo mundo ficou chorando por mim... Mas eu me libertei, encontrei minha família, meus amigos. Eu senti falta deles. Eu e eles passamos algum tempo conversando. Mas aqui não é permitido fumar...
Que pena!

Honestamente, nunca achei que viria para cá. Mas acho que de alguma forma eu fiz bem p'ras pessoas. Expirei algumas guerras com algumas de minhas palavras. Queria mesmo acabar com a guerra entre nós dois.
Mas não deu tempo!

...

Hei!
E se tudo pudesse ser diferente?
E se eu não fosse tão infantil e estúpido?
E se eu tivesse tempo para dizer tudo...
E se eu assumisse que você sempre foi o melhor dentre nós dois?
E se eu não ficasse maluco?
E se eu enxergasse que ficar ao seu lado era tudo o que eu queria?
E se...

...

E se eu apenas dissesse que te amo?

...


Não ouviu...
E se eu pedisse?
Olhe para o céu e lembre-se de mim assim.
Eu vou estar aqui me perguntando e questionando.
E se...
Sempre vou me culpar por não saber o que poderíamos ter sido.
Talvez fossemos mesmo invencíveis juntos.
Éramos amigos.
Cumplices.
Amantes.
E se...

Eu posso te ver, mas você nem sabe.
O que posso fazer é apenas te seguir...
Meu amor vai te acompanhar para sempre, certo?
Vou cuidar de você.
Certo.

I wish, I wish, I...

Eu realmente gostaria que vocês fossem menores
Não apenas pequenos, mas realmente muito pequenininhos
Assim eu poderia colocá-los em meu bolso
E levá-los comigo o dia todo...



~ verso descaradamente baseado na música You and Me de Milow que vem em seguida: