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à beira de uma possível declaração


Sobre o motivo por eu ser este ser tão alienado?
Ele é meu Girassol. Sim, ele é quem guia meu caminho. Meu melhor amigo… não existe nada de impuro no meu sentimento por ele, já não existe nada decente em meus pensamentos com ele.  Ele… é a pessoa que mais me importa, talvez a única, talvez…
Seus cabelos meio encaracolados, seus olhos pequenos e castanhos… ou negros, ainda não sei. Suas calças rasgadas, suas risadas, a língua eventualmente presa em algumas palavras, as covinhas adoráveis ao lado das bochechas. Talvez perfeito, talvez…
Ele me encanta, eu o amo, eu sou apaixonada por ele. Porque ele é meu amigo, ele confia em mim, eu o quero e não vivo sem ele.
Quero matá-lo, morrê-lo vivê-lo… quero apenas que ele seja feliz.
Quero empunhar uma faca em seu coração e costurá-lo depois.
Quero-o com fome de sangue, com minhas vísceras inquietas que sacolejam a fim de estourar, quero-o com meus dentes e minhas unhas, quero-o rasgando meus dedos, chupando meus dedos, cortando minha pele.
Quero beijá-lo como o sol beija o horizonte a cada fim de tarde e cada início de manhã. Quero abraçá-lo como o vento estica-se entre as folhas, quero deitar-me ao seu lado e alisar-lhe o rosto tão jovial quanto um menino. Menino, moleque, mostro e paradisíaco…
Quero ser seu ermitão perdido, andarilhando sobre seus ombros, quero desenhar meus desejos sobre seu corpo, caminhar sobre ele, descobri-lo.
Eu o amo, como a semente ama a terra e por ele, apenas por ele eu morreria, enfrentaria os demônios desta vida e da outra, venceria meu orgulho, enterraria minhas virtudes e seria o lixo que costumo não ser.
Por ele, eu seria capaz de cavar o inferno e o farei!

un café en Rosario

Havia passado toda a noite sem pregar o olho. Os ponteiros do relógio tinham pressa e a tormenta não cessava. Acendeu um pequeno, mas bonito, pedestal com seis velas colocado sobre a mesa e mirou o relógio.
08.25 am
Não assustou-se, mas ainda estava escuro e ele achou estranho.
Levantou-se e foi a uma das janelas. Contemplou o céu, que era cinza por conta da chuva. Pudera chegar a ver como as folhas das velhas e radiantes árvores caíam. Pensava nas folhas como pessoas, caíam sem mais, e se levavam pelo vento… quem sabe pra onde, ou eram esmagadas por alguém que caminhava.
Contemplou por um momento os paragüas negros dançando no compasso da chuva e algum que outro cachorro que passeava por ali. Dava um aspecto melancólico, porém real…
Voltou para a cama e pensou em sair. Foi um impulso, vestiu um casaco, um cachecol, boné e óculos escuros. Era a tentativa de não ser reconhecido que ele tinha meia certeza de que falharia. Abriu a porta. La estava Rosário, como nunca antes havia visto.
Começou a caminhar, se sentia só e se refugiou em seus próprios pensamentos. Parecia distante e nem ver o movimento ao redor. Parecia cansado, doente, talvez traumatizado. Algo em seus amendoados lindos olhos, dizia que seu deus interior estava caído.
Chegou a uma cafeteria, sentou-se em uma cadeira e pediu um café duplo. Quem lhe atendeu fora um homem mais velho, de barba por fazer, barriga avantajada e camisa alaranjada.
Era estranho se imaginar em um lugar como aquele. Justo ele que já fora chamado de pie de oro. Ele que foi o melhor de todos… poderia parecer uma conclusão escrota, mas ele gostava do café dali. Rosário parecia ter o melhor café de toda Argentina, quizá do mundo. E como ele estava ali, sem ao menos saber como chegara…
- ¿Yo no te conosco, chico? – O homem da cafeteria perguntou com o tom hostil de sempre. Argentinos quase nunca eram amáveis, ele era uma exceção.
- No… no señor.
- Suena familiar. Yo creo que te vi en el televisor. En el canal treze.
- No, no…
- ¿Como no? iCreo que era vos!
- Yo estoy… tengo que ir.
- iOye! Muchacho. iEs temprano!
- ¿Eres vos, no? El petiso de los campos.
- Estaré de vuelta…
Terminou e já havia pago, assim que decidiu regresar a casa. As músicas das ruas e docas era reggaetón mexicano, vez e outra cumba argentina, ou até sertanejo brasileiro. Seguia submergido em seus pensamentos, mas agora se sentia observado, sentía que alguém o acompanhava, mas não podia detectá-lo em lado algum.
Mas poderia ser demente. Assim era, e pensou mais uma vez que as ausências físicas jamais são capazes de impedir a recordação permanente. Chegou a sua casa e regressou a cama, mas desta vez não parecia só…
- iLeo! – Alguém chamava. – iLeo, despierta!
Abriu os olhos pausadamente para ver-se em outro lugar. Era o avião pousado e a equipe desembarcava. Só restavam uns três ali dentro, ele e seu companheiro espanhol.
- ¿Cuánto tiempo dormí?
- Dos horas… tal vez más.
- Estava teniendo um sueño extraño… - Arfou um pouco.
- ¿Estás bien, Leo?
- Sí, claro. Sólo me recordé de Rosario.
- Ah, si. Pero ahora estamos en Barcelona Leo, Barcelona.
O outro disse retirando-se do avião. Ele, ficou ali por alguns instantes. A volta para casa ficara apenas no sonho, e no coração.

nadie puede y nadie debe 
vivir, vivir sín amor...
                     Fito Páez ~



ou eu sofro da síndrome do Peter Pan,
ou eu realmente ainda sou criança
talvez, sempre serei...


in my spirit there's childood, passion, love

enchanté

Não, eu não sou encantada.
Eu sou mesmo amaldiçoada. Há quem diga que o amor é bondoso, mas eu acredito que ele seja uma maldição. Um feitiço estipulado há milhares de anos, um tipo de acordo, uma brincadeira de Deus, um presente, um castigo... Eu achei que sabia muito, mas pouco sei dele. Eu não sou a pessoa certa pra ser amada!
Você me ama? Ah, eu também te amo! E eu sei que eu não devia amar. Mesmo assim, aqui nasce uma vontade inapropriada de querer te cuidar, te abraçar e te guardar em uma caixa. Eu não quero e não posso te dividir com ninguém!
Será que é por isso que é impossível ser amada. Do jeito que eu quero ser... Eu sou exigente demais? Eu sou muito covarde ou egoísta? A minha intenção não é boa? Eu só quero ser amada, e eu sei que se este impossível for normal pra você, você dá conta sim. Me ame apenas, impossivelmente. Além do inimaginável!

Talvez eu seja esse tipo de pessoa, impossível ser amada. Mas a mais esquisita contradição é que eu preciso de amor. 
"você é jovem ainda, jovem ainda, jovem ainda
amanhã velho será
velho será, velho será
a menos que o coração, que o coração sustente
a juventude que nunca morrerá"

Hoje passou o episódio dessa musiquinha no SBT. Coisa boa quando assisto Chaves, parece que nada de ruim aconteceu, e que o mundo ainda é bonito. Existem coisas que fazem bem pra gente mesmo. No meu caso, escrever meus livros e fazer minhas coisinhas lindas (obras literárias, desenhos, etc), e ver o Chaves. Só que acho que nunca conheci alguém que não goste de Chaves, ou que não saiba que programa é. Isso porque é simplesmente uma coisa visionária demais para a época que foi criada. Chaves, mesmo depois de quarenta anos, continua encantando as crianças de hoje, que serão os adultos de amanhã e vão dizer: Olha filho, é o Chaves! Aposto que a criança vai gargalhar como meu sobrinho ri hoje.
É, Chaves é uma relíquia e faz um bem enorme a quem assiste....... mas agrada a quem olhar!

Poço dos desejos



Been gone a long time,
I kinda lost my way, 
can't fight it.
And i caught a short ride,
to the grave and back 
this season.
I can try to get by,
but everytime I start to panic.
I'm a little bit shy.
a bit strange, and a little bit manic

La da da da da da da da

I went to a wishing well, 
but sank to the ocean floor.
Cut on the sharp blue rocks,
and washed up along the shore.
I reached for a shooting star,
it burnt a hole through my hand.
Made it's way through my heart, a funny and a promised land.

Wishing Well, Blink 182 <<<3