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variando entre a terra do nunca e do nunca mais

Olha, a correria foi inacreditável.
Não sobrou um para contar a tamanha vergonha de todos, ao ver que eles não faziam nada!
E sim, queriam se integrar àquela linda família recém-chegada ao Pantanal.
Sons, cores, ângulos que Deus nos fez ver e sentir. Um ano de elixir, de novos sentimentos, almas limpas e purificadas… este foi o resultado de tanta energia.
No fundo, para mim, o início da minha vida eterna, onde descobri que ainda nem comecei a botar pra fora tudo o que ainda quero fazer! Tudo era novo. Descobri vida lá!
Ao som da música do gênio de minha alma, estava delirando. Tinha o prazer e o gosto de contagiar todos os outros. Nunca tinha feito amizade com os sapos, mas numa noite, deitado junto com eles, descobri a razão de existirem. Eles são sinfônicos e profundamente musicais!
Todos me procuravam achando que eu tinha saído com uma jacaroa, mas não era verdade. Ela tinha me dado "cano" naquela noite. Nunca tanta gente tinha me procurado e eu, tranqüilamente, estava fazendo uma suruba sinfônica com os sapos!
O tempo foi passando, e o público, contagiado, embarcou na nossa chalana e graças ao Bom Deus, vencemos!!! A chalana seguia o rumo dos grandes rios. Tinha porte… tinha gana e muita vontade! Fomos parando em vários portos: porto de Sereias, porto do Capitão com um gancho invés da mão. Enfim, recolhendo cada dia mais passageiros, até que um dia o comandante da chalana avisou:

- Vamos trocar de chalana, pois esta já está pequena para tantos aplausos.

Mas, como sempre, os proprietários querem ganhar muito sem gastar nada. Simplesmente nossa chalana afundou…
Infelizmente, não havia bote salva-vidas para quem não conseguia enxergar. Mas outros viam tantos botes, que não foi difícil embarcar e se preservar do naufrágio mais bobo da história do rio de água seco. E voltei a enxergar tuiuiús, jacarés, nascer e pôr do sol… voltei a respirar, e minha alma já está no ponto para novamente ouvir meu mestre musical voltar a criar! 
 

Até flor de cabelo,
beijos a todos!

p.s: Aos que entenderam, ótimo! Aos que não entenderam, o tempo se encarregará disso.

epílogo

Cada dia que passa é como se fosse um teste, somos testados quanto a nossa paciência em conviver com pessoas que não aguentamos mais e temos que manter o controle, somos testados ao quanto realmente queremos correr atrás dos nossos sonhos ou deixá-los passar por entre os dedos, somos testados quanto ao nosso caráter, virtudes, se somos frágeis aos nossos medos ou se os enfrentamos de frente… vivemos e morremos a cada dia.
Não temos certeza de nada, cada minuto pode ser o minuto pleno de alegria ou um minuto de incerteza onde jogamos fora nossas chances por tolices. Tolices que nos fazem sofrer por horas, meses, anos a fio. Sofremos por tão pouco, nos desgastamos com pouco, desacreditamos por pouco, perdemos as vontades por pouco, deixamos de ser o que realmente queremos ser muitas vezes, por tão pouco, ou quase nada!
Hoje completam-se cem anos! Desde o fim, até o dia de hoje, ou o começo se preferirem… mesmo assim, aprendi tanto nesta minha centena de idade, apanhei tanto da vida, levei tanto na cara por vocês e por meu orgulho comedido. Me perdi por vários momentos, deixei de lutar pelo que acreditava porque assim seria melhor para os outros!
E me esqueci, completamente e infantilmente de mim… eu sei! Eu sei…  meus anseios, minhas vontades, minha essência… deixei-me levar. Foi por pouco tempo, mas o suficiente para deixar a vida me estranhar e me jogar no destino como um ser humano sem nada, vazio, fútil e inútil.
Eu sei… que fui ao fundo do poço quebradiço de lama, quase me afogaram e foram poucos, bem poucos os que me estenderam a mão. Já não tinha mais as amizades, o companheirismo, o amor que era glorioso e divino. Aquela mão que se podia contar, o amigo que me carregava no colo, a palavra, o elogio, a bronca, as brigas, os choros, as discussões, as risadas, as viagens, as cifras, as notas, as letras, os acordes, os morangos, as cerejas, os livros, os perfumes…
Eu sei… que os sorrisos não eram verdadeiros, que os casamentos não foram felizes, que era a aparência de uma vida profundamente vegetal. Que havia a dor do arrependimento, que havia a saudade, a falta. Eu sei que nada mais valia à pena. As lembranças voltariam sempre como fantasmas. E eu só queria mais um ano de presente, um ano de glória, sabedoria, de discernimento e que se encontrassem no meio das perdas que tive.
No amor, perdi, recebi, esqueci dos valores para ficar ao lado de alguém que na verdade não merecia. Quase me anularam! A sanidade voltou, não mais a tempo de remediar e conviver bem com a solidão. Era tarde para chorar, para causar, mas ainda dava para tirar dela o que ela tem de melhor: Aprendizado!
No trabalho, distanciei-se daquilo e daqueles que mais amava, foi-se embora a alegria de escrever e recitar. De subir no palco, de sentar no estofado da platéia, de levar as palavras ao vento somente. Estive perto dele o tempo todo, mas não como queria ou achava que deveria. E isso doeu!
Doeu também ouvir aquelas canções… nada mais tinha a ver com paz. Não, acho que não. Não para que eu dissesse a meu envelhecido reflexo no espelho que não sabia que eu era assim. Mas tenho certeza de que me envergonha disso.
Eu tive um bom coração e ele era um dos poucos que confiava em mim, mesmo não me entendendo na maior parte das vezes. Tem ideia do quanto eu sofro com isso? Ou do quanto ele sofreu? Foi tudo culpa minha! Tudo culpa minha e por isso eu nunca vou me perdoar.
Eu sei… perdi-me em conceitos, em preceitos, em frases feitas de amigos desnorteados que de amigos não tinham nada. Deixei-me levar pela agonia interna, pela confusão de objetivos, pela falta de foco onde mais deveria focar.
Vivi e morri nestes cem anos meus caros amados. Mas morri mais do que vivi. Mas os outros cem e tantos estão aí, batendo a minha porta! Imploram para entrar, e como sou boa anfitriã receberei com braços abertos. Mas quero-os bem vividos, bem pensados, bem medidos e comedidos quando necessário.
Que as lembranças se tornem presente, que habituem e deixem de ser apenas lembranças. Que a nostalgia passe a ser romance, que as músicas passem a ser vocabulário. Quero renovação! Quero você mais vivo e menos morto no meu travesseiro nestes novos anos de vida. Plenitude!
Eu me vejo entre os melhores, e eu me desejo o melhor. O paraíso, o melhor palco, a melhor canção, o melhor rufo de bateria, o melhor solo de guitarra, a melhor voz, o melhor gemido, a melhor turnê, o melhor figurino, o melhor show, a melhor conversa jogada fora, o melhor texto, a melhor ideia.
Aqui, eu já estou!
Hey you, comecemos aqui a nossa nova fase, digamos assim. Os homens, os pais, os amigos, os amantes, os ermitões, os proibidos, os selvagens que tantos amam, mas, poucos conhecem de verdade. O bolo, o sol, o colibri, o guerreiro, o filho-da-puta, o Peter Pan, o lago, o rio, a grama, a relva, a lama, os corpos grudados no suor ou na cama…
Parabéns! Valorização de amor próprio! A partir de agora façamos um juramento para esta vida: Não nos contentemos com mais um pouco em nenhum setor de nossas vidas. Vamos morrer menos, amar, chorar, sorrir, cantar, viver mais a cada dia de nossas vidas. Vamos viver para sempre!

I'm so sorry

Meus dizeres são intensos. Talvez por isso eu tenha o dom de emocionar as pessoas. Eu sei que sou rude, sou fria, sou ruim… mas acreditem, eu posso ser muito insana quando eu quero. Posso ser irreal, perfeita, magnífica! Mas eu aprendi que não quero ser nada além do que eu mesma. A Nik! Respeito a mim mesma e as minhas escolhas. Eu sou a pessoa mais importante na minha vida, e é assim que deve ser sempre!
Eu sinto muito!
Meu lado alucinógeno já foi auto destrutivo, incontrolável, imaleável… graças a Deus eu tenho uma força sobrenatural dentro de mim que me ajuda a lutar contra meus terríveis demônios. Na verdade, diante de tanta loucura, ainda não sei como sobrevivi.
Frequentei muito psiquiatra, tomei muitos remédios para dormir... mas o que realmente me salvou foi o amor. Primeio, The Beatles. A banda que me ensinou a ser feliz da maneira que eu sou. Sem ter de provar nada a ninguém. E depois, a literatura, que foi para isso que eu nasci!
Se por um momento eu pensei em me jogar, foi lembrar disso, do meu eu lírico, da minha ciência, da minha insana e fervorosa paixão por Shakespeare e Camões para imediatamente desistir! Os amo terrivelmente, como amo a literatura e a arte, como amo Chaplin de uma maneira que nem Ledger consegui amar!
Eu sinto muito!
As pessoas normalmente dizem que eu sou louca, não entendem e muito menos compreendem. Acham que eu sonho alto demais, que acho que vou viver para sempre. Graças J.M. Barrie por ter criado Peter Pan! Mas se quiserem alguém real, eu lhe mostro quem disse: Lutam melhor os que tem belos sonhos! Guevara, sempre!
Eu sinto meu futuro alto, sinto ele adiante, avante. Não sei como, mas sinto! E isso não é problema da minha esquizofrenia. Se fosse, eu já teria me matado, acreditem!
Literatura, eu a amo como minha fonte de vida, como cada pedaço do mosaico bonito que meus olhos querem ver. O que me dá mais coragem em cada dia de minha vida. Eu sou uma coitada, de uma morta de fome, de uma mal amada que têm um blog e que sonha, e vê seu futuro lá em cima.
Eu sinto muito!
Sinto porque, não sei ser vadia, nem besta. Não consigo não ter problemas, não consigo fazer as pessoas gostarem de mim. Eu só consigo ver, enxergar além dos olhos, buscar, querer, perseguir, historiar. Eu só consigo hablar do amor platônico e talvez erótico por Lionel Messi, nunca para alguém que conheci de perto, porque não consigo amar deste jeito quem está por perto, porque só sei amar de longe, porque afasto quem amo normalmente. Este é o meu jeito de amar!
Porque Philia não é amor, é Philia!
Eu só consigo gostar de artes rupestres, só consigo curtir rock n' roll, só consigo repudiar o país que vivo, só consigo ser franca sempre, não sei falsear, não sei agradar, não sei fazer amigos!

Honestamente, eu não sinto muito!
Porque eu tenho orgulho de mim mesma sim! Apesar de tudo, de todos os meus erros, exageros e tropeços, eu tenho esperança e provavelmente morrerei assim. Fiel e leal a todas as minhas certezas e escolhas! 
Porque de boa, eu não sou tão ruim.

ou eu sofro da síndrome do Peter Pan,
ou eu realmente ainda sou criança
talvez, sempre serei...


in my spirit there's childood, passion, love