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Ponto morto



E então você desengata as marchas, já não pode dar ré, só resta andar em ponto morto, até saber onde tudo isso vai parar. Não é que esteja entregando os pontos, mas deixando de querer ter o controle de tudo. Você se arrisca, claro, mas não peca por medo da entrega.
Nessa levada observa os vidros da vida e vê quem passou por ela, quem você tirou da sua vida e nem sequer deu uma segunda chance, quem você insiste em afastar, no banco do  carona , não há ninguém sentado. Mais uma vez você encontra-se só! Não, não é triste, a escolha foi sua lembra? No porta-malas há apenas uma mala, com poucas coisas, afinal você viveu se desfazendo de tudo, só ficaram lembranças e estas, nem sempre são boas!
No rádio nada sintoniza. Talvez você esteja fora de sintonia, sem transmissão alguma. Um nada!
Quando aprendemos a dirigir passamos por inúmeros testes, desde teóricos até práticos, e finalmente tiramos nossa habilitação como condutores. Nunca falam em ponto morto, pelo contrário, dizem que não é bom deixar o carro assim em descidas, pode até ser perigoso. Não nos explicam muitas coisas e a gente vai "guiando" pela cidade com medo. Medo de estacionar, de bater, de dar ré, medo de dirigir por si! Quando estamos em "ponto morto" só precisamos manejar a direção, não é preciso trocar marchas, basta "seguir o embalo”… mas uma hora ele para! Sempre para!
Na rota da vida, ninguém nos ensinou a lidar com a gente, com os sentimentos frustrados, com a sensação de medo, solidão, perdas, danos, amores… não nos passaram esta lição. Deram-nos a chave do carro e disseram: “Dirija! Siga! Ande! Cuidado com as imprudências!”
E como é difícil dirigir sozinho, ou ter deixado os companheiros de viagem na parada anterior. Algumas viagens são só suas de mais ninguém, afinal você não pode colocar outras vidas em risco quando se está em "ponto morto".
Você tem várias possibilidades, afinal a chave ainda está com você, mas você também pode sair deste ponto, abandonar tudo e seguir a pé, de um novo ponto. Você pediu amor, recebeu! Pediu trabalho, recebeu! Recebeu coisas que não pediu, talvez não aqui, mas teve de aceitar. Ouvi que a "felicidade não é deste mundo". Sim, estamos de passagem na rodovia na vida, mas será mesmo que nos colocariam com a chave nas mãos se não fosse para ser feliz? Talvez não exista felicidade plena, completa, mas poxa vida, eu já fui feliz várias vezes e tanto. Só me perdi no caminho agora, peguei atalhos, dirigi em alta velocidade onde não precisava estacionei em lugares errados e permaneci errando por tanto tempo. Atropelei pessoas que não cumpriram minhas exigências (e quem penso que sou para exigir algo). Fui atropelada, arranhada, batida, riscada diversas vezes por pessoas que achei, eram perfeitas! A minha estrada está um pouco deserta, cheia de solidão e pó, mas ainda não parei de dirigir. Se peguei a estrada errada, posso tentar mudar de direção, ainda dá tempo, afinal o ponto morto tem movimento. 

E as marchas, bem elas esperam insistentes para serem trocadas. 

i'm killing myself from the inside out


  I wear black on the outside
Because black is how I feel on the inside

Estava ouvindo essa música. Ela realmente combina comigo. Em últimos tempos, ainda mais… não tenho conseguido sentir amor por ninguém. Eu até tinha tentado há um tempo, mas acho que não nasci pra isso. Ainda mais quando meus planos são logrados pela vida, e por outras pessoas, na realidade. Batalhei por uma coisa que não deu certo em últimos dias. E eu fiquei totalmente arrasada. De um jeito que eu não achei que ficaria. Não, não estou falando do meu livro. Ele continua firme, e acredito que seja a única coisa que me mantém viva ultimamente.
Minha mãe ontem me disse que eu não tenho coração. Acho que ela está certa, eu já cansei de simplesmente… sentir. Não estou dizendo que não gosto dela ou do meu pai. Gosto deles! Mas já cansei de sentir, já cansei, só.
Acho que são tons de cinza – nada a ver com aquele livro, ok? –, existe o preto, que seria algo concreto. Algo não só obscuro como vivo. O branco, este sim inexistente o bastante para ser morto. E o cinza, que seria um pouco dos dois… acredito que estou em um tom de cinza. E aceito isso!
Estou aqui ouvindo Smiths, escrevendo um pouco, querendo ter algum poder sobrenatural de mudar a vida de algumas pessoas, a morte de algumas delas, querendo reverter algumas situações. 
Tem sido bem difícil, só…

tem gente que sempre aperta o DEL no final...


De uma coisa eu ainda posso me orgulhar: sou autêntica!
Sei que tenho muitas falhas e as reconheço com toda a certeza. Sei que magoei muita gente e não me arrependo totalmente disso. Não sou arrogante, mas também não sei me fingir de humilde. Eu sou o que sou com toda a minha gama de defeitos, e aprendo como todo mundo deveria aprender.
Só que nunca aperto o DEL no final. Se eu tenho que dizer alguma coisa, digo. Acho que as coisas dão mais certo cruas do que cozidas. Se a pessoa quiser me excluir de sua vida, tem todo o direito. Ainda prefiro que gostem de mim pelo que sou e não porque fui legalzinha em um dia qualquer.
Sou temperamental e sei disso. Mas não acho isso de todo ruim. Eu tenho muitos problemas, filhos. Tenho coisas demais a me preocupar. Tenho bilhões de pensamentos flutuando na minha cabeça que de burra não tem nada. Apesar de todos os meus defeitos, imbecil eu não sou.
Chego ainda à conclusão de que tenho orgulho de mim. Eu nunca precisei demonstrar algo dissimulado para conseguir fazer minhas coisas. Sempre gostei de escrever, e acho que esse é meu caminho. Não por nada, mas me irrito quando gente enche a boca para dizer que faz assim ou assado. Já dizia Bruce Lee: “o que você sabe não importa, o que importa é o que você faz com o que sabe!” – tem gente que nem sabe e nem faz.
Eu posso ter bilhões de defeitos e posso ser criticada a reveria, mas eu tenho a minha bagagem, minha experiência e minha vivência. Tenho algo que nunca ninguém vai tirar de mim, que é a minha personalidade. Saiba que eu nunca vou apertar o DEL no final, se tá aqui e eu escrevi, vai ficar. Se tá aqui é porque eu tenho personalidade e coragem para dar a cara tapa. Se eu estou aqui, é porque não sou covarde.
E você, também deveria não ser… ainda dá tempo de apertar Ctrl R, minha filha.

a maldita necessidade de falar



Seria de tamanha ética se nosso aparelho fonador não respondesse aos nossos estímulos e não falasse demais, justamente quando devíamos permanecer silenciosos, em ressonância consigo mesmo.
Sempre procurei cuidar da minha voz, gosto dela acima de tudo, e como minha profissão de professora e quiçá escritora famosérrima (ignorem a ganância) exige isso também. Entretanto, ainda não aprendi nenhuma técnica que me proíba de falar demais.
Quando digo falar demais, não significa mudar apenas o padrão vocal ou falar “pelos cotovelos”. Mas sim, espetacular a maldita língua, sem pensar, deixar a fala “solta” e sentir a angústia quando você sabe que devia ter ficado de boca fechada quando deixou escapar aquela frase, aquela palavrinha inescrupulosa, aquele tom de deboche que poderia ter digerido.
Os profissionais da voz são todos os indivíduos que tem como seu instrumento de trabalho sua própria voz para exercer sua profissão. É ela uma impressão digital assim como nossa fisionomia variando conforme idade, sexo, estado emocional, etc. Ela mostra quem nós somos!!!
No meu caso, que falo sempre, ou quase sempre minhas opiniões, meus pontos de vista, minhas críticas, minhas interjeições, meus conselhos, meus textos, meus apelos, minhas dúvidas, minha raiva, enfim, todo o meu ser, isto torna-se problemático!
O som amplia-se na boca, através dos lábios, (como se não bastasse dois), com a ajuda das bochechas, da “Dona Língua”, do “Seu Palato” e da dolorosa “Dona Mandíbula”. Já pensei em usar uma fita adesiva, fiz apostas do tipo “quem falar primeiro perde”, fingi estar triste e quieta, mas quando dava por conta, “bláblábláblá”.
Não que eu seja uma pessoa extremamente tagarela, insuportavelmente falante, incoerente. Já me policiei a falar socialmente, já tentei organizar pensamentos, resumi-los e falar o que se deve, mas sempre me deixo conduzir pela emoção, por caminhos ora tortuosos, ora divertidos. Nem sempre tenho boa aceitação. O falar exige esforço, mental, físico, psicológico e com todo respeito, não é todo mundo que consegue falar o que realmente quer. Uns pensam uma coisa e falam outra, outros pensam e deixam as frases empoladas demais dificultando a clareza para o ouvinte, outros nem pensam e falam somente o desnecessário, o desconcertante, o desagradável. E há os que não falam mesmo, porque não querem, ou porque não podem. Ou pior, porque não sabem!
Talvez eu sofra de uma disfonia vocal, causada pela ânsia de falar, talvez eu devesse procurar uma fonoaudióloga e pedir ajuda vocal ou talvez devesse ouvir mais e falar menos. Enquanto meus lábios não se governam e meu cérebro atormenta minhas cordas vocais emitindo toda a variedade sonora possível, em Dores maiores, Resquícios menores, Minutos tensos, Falas soltas, Soltando o verbo, Lá vou eu, Sim, caros ouvintes, coloquem seus fones de ouvido ou venham dialogar comigo. Estou aberta a conversações.

ps: e ainda não consegui dizer eu te amo...

tópico d

Fernando Pessoa em sua mais profunda genialidade ritmou em versos o que é mito, sem desmerecer nenhum pouco a reflexão teórica da palavra.

O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo.

Quando fala-se em mito, vulgarmente falando seria algo provavelmente real. A provável verdade, ou o fato contado. Nem sempre concreto. Mesmo assim, Fernando Pessoa em suas simples palavras nos faz ver que mesmo sem fundamento algum, o mito é intenso por demonstrar as verdades reais e presentes. Muitas das semelhanças com nosso atual cotidiano e até mesmo nossas bases educacionais, religiosas, amistosas e amorosas vêm dos mitos antigos.
O termo "mito" é, por vezes, utilizado de forma pejorativa para se referir às crenças comuns (consideradas sem fundamento objetivo ou científico, e vistas apenas como histórias de um universo puramente maravilhoso). Assim vemos, que o mito tem muito mais caráter simbólico do que puramente original. Os leigos diriam que mitos são histórias antigas, criadas a partir de crenças de determinadas civilizações. Entretanto, até mesmo fatos históricos podem transformar-se em mitos. E aí Fernando Pessoa novamente nos brinda com sua incansável sabedoria.
Saudosamente, ele compara o mito com o sol. A forma simples de saber-se real mesmo sem precisar prova ou falar como ele próprio cita no verso. Mitos e mitos, vê-se o real, o puro e o maravilhoso. Depende mesmo é da dimensão de cada um.
Fernando Pessoa sabia que sem mitos nada teríamos. E nisso podemos citar as antigas epopeias. Que são poemas épicos, normalmente heroicos narrativos extensos, uma coleção de feitos, fatos históricos, de um ou de vários indivíduos, reais, lendários ou mitológicos. Ela é responsável por eternizar lendas seculares e tradições ancestrais, preservadas ao longo dos tempos pela tradição oral ou escrita. Sendo assim baseada em elementos históricos, temos histórias como Tróia e a Odisseia.
A epopeia pertence ao gênero épico, mas embora tenha fundamentos históricos, não representa os acontecimentos com fidelidade. Geralmente reveste os acontecimentos relatados com conceitos morais e atos exemplares que funcionam como modelos de comportamento. Daí então, temos uma espécie de exemplos para a vivência. Muitas das epopeias, falam de mitos antigos assim dão uma nova visão aos aprendizes.
Também podemos citar as crenças. Estas são divididas conforme o costume de cada tribo ou civilização. São bastante ligadas a cultura e ao folclore, então nem sempre devem ser reais, ou tratar de fatos históricos. O que se têm é uma forma de continuar a moral estipulada em tal lugar ou região. Portanto, crenças são mantidas vivas através das gerações que continuam as contando. Como histórias.
Porém, em contrapartida, temos também os fatos históricos de onde as crenças utilizam muitos vigores. Destes sim, podemos afirmar que a verdade é a verdade e não há contestações. São fatos estudados e comprovados para o conhecimento geral. Inclusive com documentações. As origens do mito também partem daí.
Fernando Pessoa, aborda com simplicidade o que muitos de nós não conseguiríamos enxergar a olhos leigos. Ele, em sua alucinógena sabedoria, desencadeia o mito como as verdades nem sempre reais que nos ajudam a confirmar as verdades sempre reais. Que mitos são verdades que confirmam as realidades.

Meu primeiro livro, Ensaio, é baseado no mito de Apolo e Jacinto. Assim como meu próximo trabalho literário, provavelmente envolva Teseu ou Hiperião. Mas isso são outras histórias, outras histórias…

se critica bem, que mal tem?

Crítica. Arte de julgar. Senso em escolher o que é bom e ruim. Exame. Assim está escrito no dicionário. Há gente que é pago para isso, como o pessoal cafona, incoerente e sem noção do Omelete (site de críticas e resenhas cinematográficas). Entretanto, é um dos mais respeitados sites do gênero no Brasil.
Há críticos sem bom senso. Críticos sem pudor. Críticos sem argumento. Crítico do crítico.  Acho que eu sou desse pessoal.
Mas é mesmo necessário toda essa cobrança? Ou melhor, essa "criticança”? Há crítico  de artes plásticas, de música, de dança, de livros… há críticos para tudo hoje em dia em qualquer área. Mas o pior crítico é aquele que te critica quando você menos espera. Que te critica corretamente, que aponta o dedo na sua cara e te diz tanta verdade que você fica zonzo e imóvel.

Muitos dizem que não se importam com a crítica. Mentira! No fundo todo mundo se importa, principalmente se a fonte é de respeitosa qualidade. Critica bem quem trabalha bem e tem moral e conhecimento para tanto.
Critica bem, o sutil, o sensato, o coerente, o analítico. Critica bem quem já foi criticado e sabe o poder avassalador que uma crítica tem.

Já recebi inúmeras críticas ao longo da minha vida. Na família, no trabalho, nos amores… algumas me fizeram repensar alguns vergonhosos atos, outras me despedaçaram,e só de pensar nelas os remendos dos cacos começam a coçar dizendo que ainda estão ali, presos a mim.
Ontem recebi uma crítica que me foi um pouco dolorosa, porque era verdadeira e verdade sempre dói quando não estamos preparados para ouvi-la. Tive a sensação de tomar um soco no estômago. Em seguida minha cabeça deu sinais de dor. Meu rosto se fechou. Cerrou. Fiquei em estado de choque intelectual. Refiz um feedback, tentando ver onde foi que errei. Onde foi que me "desalinhei". Foram várias vezes, de várias formas, em muitos aspectos. Permaneço ainda em estado de mudismo. Recuperação lenta. Análise profunda.

Às vezes, para quem trabalha com arte, a crítica pode ser mais intensa, mais corrosiva. Só que o pior é, trabalhar com a arte e receber críticas paralelas. Como a crítica que recebi ontem. Foi da minha mãe, foi pessoal, sobre minha postura e não sobre o que eu produzo. Ou seja, algumas vezes eu só presto escrevendo. Sabe como é ruim?


Mário Quintana dizia que os críticos não servem para nada. Servem sim, para nos deixar com pulguinhas atrás das orelhas. Cabe a nós darmos moradia a elas ou aniquilá-las de vez! To me coçando aqui!!!

fille ailée - a garota de asas


Ela tinha um sonho que foi borrado de sangue.
Não gostava de esperar, não gostava do amanhã.
Era impaciente, tinha sede de viver.
Não conseguia, tinha vontade de gritar,de correr, de brincar, de rir, de viver...
Contava piadas em momentos inoportunos, ria da desgraça alheia,tomava banho de lama, saá na tempestade sem medo de se molhar.
Gritava para ouvir meu eco chamar, sorria para estranhos, admirava o luar.
Não havia nada que quisera mais do que o "hoje", e como dizia o poeta "Viva o hoje, pois o ontem já se foi e amanhã talvez não venha".
Todavia, ele não veio.
Às vezes não sabia por que continuava, às vezes a única coisa que desejava era desaparecer. Estava cansada da vida, cansada do trabalho, cansada dos amigos que só abandonava, estava cansada de si mesma.
Às vezes achava a vida mesmo engraçada… conhecia pessoas e pessoas, crescia, largava alguns velhos costumes, mas continuava com velhos hábitos, chutava alguns amigos, via pessoas partirem da sua vida, via outras chegarem de surpresa, você sofre, ri, ama, chora, se diverte, se arrepende ou não…
E isso tudo pra que? Por quê?
Ela realmente não sabia. Simplesmente deixou esta pergunta para o futuro responder.
Só queria que um dia os gritos dentro de sua cabeça parassem de ecoar. Só queria ganhar um abraço sincero, um abraço de quem sentia orgulho ou pelo menos algum sentimento não tão inferior.
Queria que um dia seu coração parasse de sangrar, e ele parou.
De sangrar, e de bater.
Ela tinha uma vida inteira banhada a sangue.

P.s: Não sou eu, é só um conto diabólico e absurdo. Entretanto, podem me chamar de garota de asas, e eu realmente acredito que morrerei de forma trágica.

aprendi a ser indiferente, talvez

Chega a ser estranho como consigo me irritar em intervalos tão curtos de tempo… é sinistro o jeito como acontece. Em como estou bem, e de repente me vejo no inferno e nem consigo mais olhar minha própria cara no espelho!
Discrimino aqui uma crítica a mim mesma, a minha burrice e demência, mas isso deve ser da minha natureza. Sim, eu devo ser uma mula, uma anta, uma tola miserável. Ah, Guevara, queria eu ser como você. Porque desta vez, não fui eu que errei.
O pesadelo?
Ainda bem que eu acordei dele e agora vejo tudo de forma mais clara e menos úmida. Não estou preocupada com traição, my friend, mas sim com incertezas, e palavras não ditas, repetidas, oprimidas. Falo da insistência em me espezinhar, em mexer com quem amo, com o que creio, e com o que amo.
Falo ainda, da petulância de sentir-se ofendida. Lembre-se sempre de uma coisa: Nunca é bom me ter como inimiga, por isso quando revira minhas tripas, não espera que eu seja justa.
E eu fico aqui tentando, inutilmente, salvar a nossa vida. Que tolice a minha!

Às vezes eu ainda acho que não sei nada sobre mim, de verdade, comigo é tudo uma surpresa. Para as coisas boas e principalmente as ruins. Você não gosta quando eu fico remoendo minhas feridas, mas esquece que volta e meia é em mim que elas sangram. Não é justo que você queira que eu esqueça. Sendo que volta e meia cutuca as mesmas feridas e as faz sangrar outra vez.

Hoje, senti vontade em apenas te despejar tudo o que eu queria dizer e estou sentindo. Mas você me odiaria demais pela minha infeliz sinceridade. Então desisti e pisei em cima dos cascalhos de forma fria... Tudo bem!

Nada como agir uma vez na vida, com indiferença…

se tenier debout

Eu estou há anos confiando neles, como um deus confiaria, como um pai confiaria, mas ando estupefada. Ando tentando coçar meu nariz romano com voracidade, entretanto, os parasitas atacam-me com doçura. Comicha a falsidade entre o ambiente mórbido e sujo, e eu ainda confio. Sinto entre as minhas veias, uma raiva ímproba que eu há muito havia esquecido.
Mas eles continuam a falar!

Ando estupefada de ver a capacidade do ser humano em ser preconceituoso, maldoso e nojento. Der ver que tanta gente neste mundo, ainda acha que seu umbigo é maior. Existe gente passando fome, existe gente morrendo.
Eu estou pouco me fodendo se seu namoro não deu certo, se o carinha original te deu um fora, se a gatinha te mandou pastar! Eu estou pouco me fodendo se você se acha superior, e se a sua verdade é a verdade e mais ninguém importa! Estou me fodendo também para seu egoísmo, sim ele, você se corrói por suas próprias atitudes. Acha que pode repudiar o que quiser, mas não quer ser alvo de repúdio!
Cresça! Be happy! Se tenier debout!
Seja no Facebook, no Twitter, no Orkut o que você é na vida. Se mostre, não fique aí tentando causar impacto com palavrinhas bonitinhas que há uns meses não sabia o que significava. Não tente dizer e afirmar o quanto é culta, o quanto os outros dizem que você é culta, seja culta!
Tente articular o que quer passar, não seja incoerente consigo mesmo. Viva, e não tente fazer com que aplaudam sua morte. Ela é pouco demais, e um dia você vai aprender. Vai aprender que aquilo que a gente tenta e aparenta ser, não é o que somos de verdade. Vai aprender a aceitar isso!
Ou melhor, acho eu…
Sim, eu estou cansada! Cansada de gente insegura e cheia de mimimis, cansada de gente bobinha e infantil que acha que tudo se baseia em amorzinho e depressão. Há coisas maiores na vida! Como a família, da qual tem gente que diz odiar! E diz odiar até perder alguém, como eu sei que perdi e sofri, e chorei, mas reagi!
Ando cansada de gente que só sabe apontar os dedos, e esquecer que três voltam para si. De ver esta gente rindo e achando que tudo está bem, sob o seu controle. Você não tem controle de NADA!
Ando cansada ainda de mim, sim, por tentar por vezes ser o que não sou para agradar alguém. Por servir de tapete para alguém, por esse alguém sempre encontrar um jeito de me ferir!
Cansada de tantas pessoas pequenas, miúdas, pedantes. Cansada estou de dar chances e mais chances para tais pessoas, e ser sempre uma burra!

#prontofalei e o texto lá de cima é meu!
Os sonhos estão mais perto do que imaginamos

Sim, de todos os sonhos que tive poucos foram reais.
Mas os mais importantes com certeza estiveram ao meu alcance. Tive belos sonhos sozinho e eles me fizeram realmente feliz. Eles ainda me fazem. E hoje eu me lembro que sempre que os realizei, nunca planejei...
Talvez a vida seja mesmo uma caixinha de surpresas e você nunca saiba o que vai ser. Ou talvez, tenha olhos diversificados para o que queremos e o que temos medo de fazer.
Eu agora não quero nada pela metade.
Quero palco e plateia, figurino e personagem, texto e intenção.
Mas querer não basta, é preciso ir pegar o que é seu. Para pegar precisa andar, dar os primeiros passos.
Já comecei a andar mais rápido, cansei da lentidão do tempo perdido, das palavras mortas nas bocas, dos não amigos. Minha sanidade dramaturga voltou e eu retomo aquilo que mais sei fazer: Sonhar!

for one depressing


A luz bruxuleia por algum motivo criança, não queira segurar a coleira em rédeas vastas.
Sente-se um pouco, respire! Pare de arfar e ansiar por objetivos vazios.
No fim, a nefasta parece mais nobre do que a recata. 
Os infortúnios passados não lhe devem ser ignorados.
Ore! Queira ser ouvido, garoto! Existe vida pulsante em cada músculo seu, ore!
Se algum dia perceberes que a vida não é tão mundana assim, deixe de lado os pensamentos vãos e aproprie-se do poético. Venha para o meu lado, eu salvo sua vidinha miserável!

Mandela diz:



"Nosso medo mais profundo não é crer que somos inadequados. Nosso medo mais profundo é saber que somos poderosos além da conta. É nossa LUZ que nos assusta. Nos perguntamos: Quem sou eu para me sentir brilhante? Mas, na realidade, quem é você para não se sentir assim? Seu jogo de ser insignificante não serve ao mundo. Não tem nada de iluminação em fazer-se menor com a finalidade de outras pessoas não se sentirem inseguras ao seu redor. Todos podemos brilhar, tal como fazem as crianças. Todos nascemos para manifestar a Glória de Deus, que se encontra em nosso interior. Esta Glória não está dentro de uns, está dentro de todos nós. E, quando permitimos que nossa própria luz brilhe, inconscientemente damos oportunidade à outras pessoas para fazer o mesmo. Á medida que vamos liberando nossos medos, nossa presença libera os outros automaticamente."


♥ ~
As verdadeiras aparições intuitivas estão na natureza, que nos oferece tudo e não nos cobra nada.
As grandes oportunidades estão na sorte, que nos aproxima do mais humano possível. E ainda temos a alternativa de escolher e aproveitar.
A melhor proteção está no céu, que nos vigia noite e dia e não nos pede nada em troca. Apenas age.
Os grandes seres estão dentro de cada um, daqueles que têm esperança.
As ideias incessantes só se satisfazem alimentando-as com fé.
Temos em troca a maior glória que poderia haver:
A vida!

enchanté

Não, eu não sou encantada.
Eu sou mesmo amaldiçoada. Há quem diga que o amor é bondoso, mas eu acredito que ele seja uma maldição. Um feitiço estipulado há milhares de anos, um tipo de acordo, uma brincadeira de Deus, um presente, um castigo... Eu achei que sabia muito, mas pouco sei dele. Eu não sou a pessoa certa pra ser amada!
Você me ama? Ah, eu também te amo! E eu sei que eu não devia amar. Mesmo assim, aqui nasce uma vontade inapropriada de querer te cuidar, te abraçar e te guardar em uma caixa. Eu não quero e não posso te dividir com ninguém!
Será que é por isso que é impossível ser amada. Do jeito que eu quero ser... Eu sou exigente demais? Eu sou muito covarde ou egoísta? A minha intenção não é boa? Eu só quero ser amada, e eu sei que se este impossível for normal pra você, você dá conta sim. Me ame apenas, impossivelmente. Além do inimaginável!

Talvez eu seja esse tipo de pessoa, impossível ser amada. Mas a mais esquisita contradição é que eu preciso de amor. 
Ontem esfriou aqui! O outono chegando à Serra Gaúcha, mais tarde o inverno… é…
Mesmo nesse frio todo, é tão lindo. Lá no trabalho, o sol fraquinho batendo nos pinheiros altos, e o minuano soprando perto da gente. Melodia exclusiva dos pampas. Junto com o frio me peguei pensando... Eu ando tão solitária. Mas nem é de solidão concreta, falo de solidão de espírito. Eu trabalho com seis pessoas, passo 10 horas diárias com elas, tem sempre gente na minha casa, tem meu gato, mas… tenho me sentido sozinha mesmo no meio de tanta gente.
Então lembrei que um dia li em algum lugar uma frase muito intensa:

“Solidão não é estar sozinho, solidão é estar no meio de mil pessoas e sentir falta de apenas uma!”

Não lembro onde li, nem de quem é. Só sei que essa frase me deu um tapa na cara. Na realidade, eu nunca tinha entendido até o real momento. Existem coisas que a gente só entende quando passa pela situação. Nem sempre são experiências boas, mas sempre dá pra tirar algum proveito.
O sofrimento ensina muito a gente, eu aprendi isso. Aprendi que as dores e feridas acabam nos fortalecendo. Eu estou pronta pra outra. Já! Afinal, eu consegui tirar da solidão o que ela tem de melhor: Aprendizado! Aprendi muito sozinha, aprendi muito com meus pensamentos, com minhas conclusões. Aprendi sobre o que eu realmente deveria aprender. Eu!

Precisei, ainda preciso de um tempinho comigo. Pra cuidar de mim, me ninar, me embalar, me botar pra dormir. Preciso de um dengo que só eu posso me dar. Preciso de mim! E eu fui meio estupida achando que todo mundo estava errado... Não é bem assim não! Sinceramente, às vezes eu me acho mais fria do que a neve...
E assim sem procurar as coisas boas acontecem de repente…
Tá na hora de derreter esse coração de gelo, Nik!