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mitologia argentina


Ele era um deus de beleza e amor
Nuvem carmesim a chave do céu
A pureza benevolente arrastava os mares, cercando as terras, acariciando o fogo.
Ele tinha o dom de saber amar, de saber sonhar, de saber sorrir.
Ele mostrou aos mortais o quanto era bom, o quanto era bem, o quanto era meu bem.
Foi como descobrir uma nova aurora, suas belas íris resplandecentes, de um brilho negroluzente.
Seus belos músculos rosados e petisos a tilintar em timbre nobre sobre a grama verde, 
chutando docente o ar quente
E na surdina, ele apoiava seus doces lábios sobre a terra. 
Assim, o monte era banhado de verde e de amor.
E é por ele, que me derramo poeticamente sem ter uma razão plausível para tal loucura.
Silêncio, ele apenas está tocando com amor.
ou eu sofro da síndrome do Peter Pan,
ou eu realmente ainda sou criança
talvez, sempre serei...


in my spirit there's childood, passion, love

quand j'étais plus heureuse

...imensamente, profundamente, verdadeiramente feliz, foi quando eu por assim dizer, vivi.
Fui feliz quando fui víbora...
É bom ter fúria, ter vontade, ter teimosia. É bom ser odiada de vez em quando.
Ser invejada?
Nada mal!
Fui feliz quando ri dos outros, para os outros, com os outros.
Fui feliz quando ri verdadeiramente.
Seja por bem, por mal.
Seja por mim ou por outro alguém...
Minha risada deve ser minha principal característica.
Mesmo que seja tão odiosa, é sincera na maior parte das vezes!
Ah, mas é claro que a culpa não é minha!
Meu palhaço de circo me acompanhou desde sempre...
O coringa do meu baralho.
Ah, ele! Parabéns, senhor... é, gosto deste nome.
O jeito que soa aos meus ouvidos.
Doo-doo-doo-doo!
Bela lição!
O sarcasmo, o individualismo, o grande exagero, a pouca simpatia, as boas piadas, as boas caretas, as leais manias...
Características herdadas de um bobo da corte.
Venenoso…



enchanté

Não, eu não sou encantada.
Eu sou mesmo amaldiçoada. Há quem diga que o amor é bondoso, mas eu acredito que ele seja uma maldição. Um feitiço estipulado há milhares de anos, um tipo de acordo, uma brincadeira de Deus, um presente, um castigo... Eu achei que sabia muito, mas pouco sei dele. Eu não sou a pessoa certa pra ser amada!
Você me ama? Ah, eu também te amo! E eu sei que eu não devia amar. Mesmo assim, aqui nasce uma vontade inapropriada de querer te cuidar, te abraçar e te guardar em uma caixa. Eu não quero e não posso te dividir com ninguém!
Será que é por isso que é impossível ser amada. Do jeito que eu quero ser... Eu sou exigente demais? Eu sou muito covarde ou egoísta? A minha intenção não é boa? Eu só quero ser amada, e eu sei que se este impossível for normal pra você, você dá conta sim. Me ame apenas, impossivelmente. Além do inimaginável!

Talvez eu seja esse tipo de pessoa, impossível ser amada. Mas a mais esquisita contradição é que eu preciso de amor. 
Ontem esfriou aqui! O outono chegando à Serra Gaúcha, mais tarde o inverno… é…
Mesmo nesse frio todo, é tão lindo. Lá no trabalho, o sol fraquinho batendo nos pinheiros altos, e o minuano soprando perto da gente. Melodia exclusiva dos pampas. Junto com o frio me peguei pensando... Eu ando tão solitária. Mas nem é de solidão concreta, falo de solidão de espírito. Eu trabalho com seis pessoas, passo 10 horas diárias com elas, tem sempre gente na minha casa, tem meu gato, mas… tenho me sentido sozinha mesmo no meio de tanta gente.
Então lembrei que um dia li em algum lugar uma frase muito intensa:

“Solidão não é estar sozinho, solidão é estar no meio de mil pessoas e sentir falta de apenas uma!”

Não lembro onde li, nem de quem é. Só sei que essa frase me deu um tapa na cara. Na realidade, eu nunca tinha entendido até o real momento. Existem coisas que a gente só entende quando passa pela situação. Nem sempre são experiências boas, mas sempre dá pra tirar algum proveito.
O sofrimento ensina muito a gente, eu aprendi isso. Aprendi que as dores e feridas acabam nos fortalecendo. Eu estou pronta pra outra. Já! Afinal, eu consegui tirar da solidão o que ela tem de melhor: Aprendizado! Aprendi muito sozinha, aprendi muito com meus pensamentos, com minhas conclusões. Aprendi sobre o que eu realmente deveria aprender. Eu!

Precisei, ainda preciso de um tempinho comigo. Pra cuidar de mim, me ninar, me embalar, me botar pra dormir. Preciso de um dengo que só eu posso me dar. Preciso de mim! E eu fui meio estupida achando que todo mundo estava errado... Não é bem assim não! Sinceramente, às vezes eu me acho mais fria do que a neve...
E assim sem procurar as coisas boas acontecem de repente…
Tá na hora de derreter esse coração de gelo, Nik!