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Era uma vez...



             uma menininha, ela tinha um sonho...
O sonho tinha cheiro de morango, cara de palhaço, tinha olhos cor de mar que brilhavam como um sol. A menininha observava o sonho de longe, com amor e devoção. O sonho era o que mantinha a menininha viva, mesmo que ele fosse tão inalcançável. O sonho fez a menininha chorar, berrar, espernear de barda e dor... A menininha tentou esquecer o sonho, mas os olhos azuis que o sonho tinha sempre voltavam para que ela olhasse. A menininha fechou os olhos para não ver o sonho, mas a risada de palhaço que o sonho tinha acabava fazendo ela ouvir. A menininha tapou os ouvidos, mas o cheiro de morango que o sonho tinha invadia suas narinas. A menininha trancou a respiração, mas o calor do brilho do sol que o sonho tinha acabava aquecendo sua pele!
A menininha não conseguiu fugir. O sonho a machucou, a violentou, a sacudiu, mas ela se entregou totalmente. Seu coração foi arrancado, cortaram as veias calculadamente e entregaram a quatro duendes que cuidavam do sonho. A menininha ria, mesmo sem coração. Seu coração não era mais seu, era do sonho. Os duendes se encarregaram e o sonho aconteceu. Mas aquele sonho cresceu tanto que a menininha não conseguiu crescer junto... A menininha não respirava mais sem o sonho, ela exigia o sonho, era doente pelo sonho, era retardada pelo sonho tão distante.
O sonho estava longe, e a menininha não conseguia alcançar. Ela esticava as mãos, mas os duendes trancaram seu coração com aquele sonho e ela não podia pegar. A menininha, pobrezinha, sentou na beirada da calçada e chorou. Chorou porque não entendia como um sonho que começou pequenininho poderia ter crescido tanto e escapado de suas mãos... Não, o sonho nunca esteve em suas mãos. O sonho estava longe e havia levado seu coração para sempre. Enxugando as lágrimas, a menininha levantou, pensou uma forma de pegar seu sonho de volta, mas aí deu-se conta de que não era preciso resgatá-lo, era preciso deixá-lo livre. Foi aí que a menininha cresceu, chorava menos agora e projetava sonhos todos os dias. Sonhos pequenos, com o sonho de reencontrar seu amado sonho e seu coração não mais seu.
A menininha, agora adulta, gostava da ideia e se divertia, vendia sonhos... Uma fábrica de sonhos! O tempo passou, e a menininha sentia que se aproximava do sonho... Ah, toda vez que ia até a janela ver o pôr de um sol esbelto, com dois olhos negros e gigantes como jabuticabas pretas. A menininha sentiu-se perto do sonho quando mergulhou em um mar impávido de água pura e cristalina. A menininha viu seu sonho cada vez mais perto quando deitou-se sobre morangos maduros e vistosos que se grudavam no corpo e não queriam sair. A menininha sorriu... A menininha sorriu e ouviu o palhaço do sonho dar gargalhadas enquanto ela dormia. Aquele palhaço a perseguia e ela o amava, como uma mulher ama alguém verdadeiramente. Sim, a menininha sentia que estava perto...
Ah, mas ela estava tão enganada!
Seu sonho já não era o mesmo, seu sonho estava mais distante, seu sonho era tão cruel com ela... Porque ela tinha que ter este sonho? Porque ela estava marcada? A menininha ergueu a cabeça, com o rosto lambuzado de lágrimas cretinas. Decidiu recomeçar tudo de novo. Lá estava ela de volta, na calçada chorando, sozinha...
De repente, numa árvore próxima a menina reconheceu seu sonho antigo, todo enredado na árvore, velho, mas ali, o tempo todo perto dela. Ele nunca tinha ido embora. Ela é que não o enxergava mais...Passava todo dia por aquela árvore para ir a fábrica e nunca tinha parado para observar com calma.
E a menininha riu... Riu como há muito não ria. Subiu na árvore e agarrou seu sonho nos braços. Beijou-o com amor e paixão, acariciou o sonho, o carregou no colo... O sonho estava ali e era preciso agarrá-lo, amá-lo, cuidá-lo, mesmo sozinha...
Feliz a menininha foi correndo para casa, pulando amarelinha, cumprimentando todos por quem passava. As pessoas não entendiam o que uma menina com um monte de "tralhas" nas mãos podia deixar escapar tamanha felicidade.
Aquela noite a menininha dormiu tranquila, tão tranquila com seu sonho antigo do ladinho da sua cama que novos sonhos começaram a aparecer. E eram tantos... Claro, ela só precisava olhar para o mar azul, cheirar um morango gostoso, deixar o sol bater no rosto e claro... Ela precisava rir. Ninguém melhor do que seu palhaço para lhe ajudar!


Obrigada por todos estes anos de sonhos, The Beatles!
Eu amo muito vocês!

Amor, passionem, discerpens...

Eu não assisto TV. Bem, às vezes... Ontem eu assisti, me arrepiei e quase chorei.
Por descuido, prestei atenção em uma propaganda de um canal da SKY. Eles falavam de um grande homem, que mudou o mundo, que reverberou... aparecia Mahatma Gandhi, em seu estilo low profile indiano, como sempre vimos. A maioria das pessoas apostaria que falavam dele, mas ao seu lado, estava um senhor. De olhos verdes, cara lisa, e cabelos brancos. Eu o reconhecia: Era Chaplin.




gratulatione ~

Eu não sei se eu conseguiria escrever aqui uma mensagem, de cunho literário para parabenizar Freddie Mercury. Muito porque, tenho para com ele, um alívio, uma intimidade gigantesca. Acho que o mundo todo tem. Ele se doou tão inteiramente, não só musicalmente, mas seu corpo, sua vontade, seus anseios pessoais foram assistidos e doa a quem doer, foi ele, sim ELE quem mudou a face do rock n' roll e fez o tal "estilo musical" passar a ser mitologia, ideologia e crença. Se roqueiros - como eu me julgo que sou - são o que são, é graças a esse cara aqui, que há 66 anos, neste exato dia, nascia, para o bem geral da nação.

Mercury, você é o Mercúrio da química inteira. Acho que parabéns nem é digno, acrescento aqui um obrigado oh, melhor roqueiro de todos os tempos.

Farrokh Bulsara, you are the champion!

se eu faria? não!

Recuar no tempo, repensar nas consequências dos meus atos e tomar uma atitude diferente?
Não o faria! Porque a vida ensina-nos lições importantes, molda a nossa forma de estar às necessidades da vida, habilita-nos de uma carapaça que nos protege, tanto quanto possível, e nos tornar mais seguros para enfrentar a realidade.
Esquecer o passado, passar uma borracha pelo que já vivi e projectar uma tábua rasa para o futuro?
Não o faria! Porque o passado faz parte daquilo que somos e com o mesmo temos de aprender a viver todos os dias, tentando não esquecer os seus ensinamentos.
Deixar de sonhar para ser mais feliz?
Não o faria! Porque o sonho faz-nos mexer, torna-nos ativos e comanda cada ato e palavra que produzimos.
Amarrar-me a alguém para ser menos infeliz?
Não o faria! Porque não sou parte ou metade, sou todo e meu todo não precisa de acompanhado, de se sentir apoiado ou dependente, ainda que para isso a minha felicidade seja diminuída.
Parar de escrever para sofrer menos ou ter menos trabalho?
Não o faria! Porque a escrita me completa, preenche cada poro que respira, porque sem escrever eu sou nada e junto das letras o mundo é meu.
Não parar de sorrir para parecer mais feliz?
Não o faria! Porque a nossa existência é equilibrada e construída a partir também das nossas verdades. E ninguém é feliz sempre.
Escamotear os meus princípios e valores para conquistar tudo o que ensejo?
Eu não o faria! Porque prefiro deter apenas uma ínfima parte dos meus sonhos concretizados do que me trair enquanto pessoa.
Com um simples passo de magia tornar a minha vida melhor?
Não o faria! Porque o desafio do dia-a-dia, a conquista do amor, a valorização da amizade ou a persecução do êxito profissional, têm muito mais valor, são mais ricos e preenchem-nos completamente quando conquistados com o nosso suor, sofrimento e esforço. Se eu pudesse, desenhava e coloria a minha vida a pincel tal qual ela tem sido até agora.

 
"Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo." - Fernando Pessoa

Cartas de Lancelot - O íntimo, o âmago

Cartas de Lancelot - 1ª carta: O íntimo, o âmago


Outra vez o vazio…
Eu estou triste, não, miserável. Deveria encontrar um jeito de descansar minha tristeza nos braços de alguém. Mas o mais nobre a ser feito é descansar dentro de mim. Assim prefiro, sem ninguém por perto! Medo de sofrer… vós sabeis daquele medo? Ele desacoroçoa-me a todo o momento.
Não pudera dizer que nunca sofri, mas alimentei-me da esperança que exala das solas de vossos sapatos. Alimentei-me ainda do inalar das meias noites em que descobri que vosso cabelo cheirava a mel e a sangue. Sobretudo, vossos batimentos cardíacos que retumbam nas extremidades de meus tímpanos, numa tortura divina.
Porventura, vossa majestade não desconfiar-se-ia de minha postura esperançosa e da excitada paixão por trás de minha armadura. E eu, em minha vulnerabilidade, jamais pediria que soubésseis. Por este motivo ouso escrever esta carta que jamais ousaria entregar-vos. Ela é a primeira das tantas que acalentaram cada noite mórbida sem vosso corpo garbo perto do meu.
Então vos digo por cá, como se pudésseis ouvir. Vossa presença me domina os tendões, e diferentemente do meu esperado, sinto frio quando estais por perto. Vosso nobre rosto, com um sorriso trigueiro a cavalgar sem destino faz-me sentir calafrios, arrepios, coisas sem razão. Ele aparece sempre que escuto o choque estridente de minha espada acertando alguém, como um brilho de eufórica paixão por lembrar-me de por quem estou o fazendo.

Creio que eu, um mero merecedor do paraíso como todos os filhos de Deus, não lhe deveria pedir muito. Apenas ei de orar para que a força sagrada me tenha pena e espante a névoa tão atroz que me entorpece de medo. Sim, tenho medo de sofrer, medo de sentir a cruel sensação de perder o chão e não poder tocar o céu. Tal como senti quanto perdi o amor de minhas vidas e mortes, e não falo de Guinevere… tolo, eu, tolo! Perder o que nunca tive; Afinal, nem todos merecem o amor em vida. O que direi eu? Um facínora de caminho longo, destino incerto, traição e justiça sanguinária pelo chão dos bretões. Queria eu, ter o coração derramado aos campos, escorrido perante vossa armadura, mirar meus olhos escarlate em vossos tão piedosos anseios e dizer que Amo-vos, meu Rei! E por maior que seja minha dor durante a vida inteira, as minhas intempéries serão salvas e ganhas por saber de vossa existência.
Pisoteeis-me!
Fazeis de mim vosso escravo, vosso chão, vosso escárnio de normalidade. Arrancas-me de tuas iras benevolentes e colocai-me de joelhos. Fazeis-me chorar durante as noites bonitas, a olhar o mar longo pertencente ao vento frio. Fazeis-me implorar por vosso calor, e vossas mãos em mim, fazei de mim uma de suas odiosas criaturas. Caricaturas-me como vosso monstro e produzis vossa prole em mim. Abusas-me como se abusa de um rio. Fazeis-me de todo vosso, sem nenhum pedaço solto ou largo; Persuada-me, excita-me, apunhala-me, fazei de mim vosso servo e vosso mais corajoso amante. Dá-me o estímulo, e a vossa raiva. Aceitas-me e aceitas também meu cântico de amor sob vossos pés…

Rasgo-me de um lado a outro, e neste momento, minhas metades crêem na morte eterna. Serei para vós o melhor cavaleiro, meu Rei. E jamais perturbar-vos-ei com minhas vontades. Creio que vossa presença representa o mais próximo da felicidade que tive. E basta!
Porque não amo apenas o vosso corpo e vossa alma, amo também vossa vida, vosso posto, e vosso altruísmo. Amo a vossa fonte de generosidade, e vossos olhos misericordiosos. Amo ainda, vossas mãos ásperas e calejadas, vossos cabelos não expostos, cobertos pelo elmo de cobre e por sangue. Amo mais, as vossas palavras sem motivo algum para amá-las. Amo vossa voz impávida e, sobretudo, amo vosso coração que me cabe amar sem nada dizer. Sei que nele está tudo o que quero e que eu jamais ousaria ter…
Bem verdade que eu deveria odiar-vos, mas a vossa é a minha vontade. Amo-vos, Arthur!

p.s: Lancelot foi o primeiro cavaleiro da confraria de Arthur. Ao contrário de todas as histórias, a história britânica é complicada e incerta e ao que tudo indica, Lancelot seja apenas um personagem mitológico dentro de tudo. Ainda assim, eu amo demais sua bravura! Por isso, tive vontade de dar origem a estas cartas que ele supostamente escrevia a pensar em Arthur, seu Rei.


quase nada perde o sentido quando se tem amor no coração...



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E aqueles cabelos compridos, tão lisos, acompanhavam a costeleta retangular afundada nas laterais do rosto. Ele lembra um pica-pau, que brinda o astro rei com tanta informalidade. Simples, pacato e milimetricamente bacana. Em contos de fadas, em tecidos, panos e penas, flores e plantas. Os olhos serenos, azuis, gigantes... ok, não tanto quanto o bico que bica na vida
Não foi guerreiro, mas foi guerra. Quanta coragem, que coração valente! Porém, humano. Ah, tantas dores. Pra que sorrir? Sorria pica-pau, do bem, da paz e do amor.




Ele, a humanidade perfeita e inabalável que todos adoravam louvar.

para que tudo seja ridiculamente perfeito

É engraçado como acontece, mas normalmente, temos a mania ou a insistência de nos apegar a pessoas distantes, que não conhecemos. Verdade seja dita, a maior parte dos seres humanos busca a perfeição nas outras pessoas e nessa de que ninguém entende a gente como deveria, é que acabamos encontrando quem nos entenda para valer. Uma pena, é que essas pessoas precisem ser distantes demais…
Uma pena é que elas te façam se identificar com seus problemas, com seus versos cantados, palavras ditas. Uma pena é elas fazerem você amá-las. Porque na verdade, não deveria amar.


Eu nunca entendi porque fui gostar de Blink desde pequena. Simplesmente não foi algo que eu escolhi, de fato. E se eu tivesse escolhido, provavelmente não seria assim. Muito porque sempre fui seletiva e Tom, Mark e Travis não são as melhores pessoas do mundo. São exagerados, na realidade, cheios de defeitos, com uma vontade insana de punk rock até os ossos. Eles também não são tão bonitos, não tocam lá essas coisas, são músicos bons e não geniais. Por mais que eles não sejam esse tipo de banda que uma menina deveria gostar, é deles que eu gosto. Eles me trazem muita energia positiva e fazem muito bem ao meu coração. Definitivamente, não foi uma escolha minha.
Em momentos em que eu estou solitária, triste ou chateada seja por qualquer motivo, eles são os únicos capazes de me agradar e me tirar do buraco. Sendo eu, uma pessoa difícil de lidar ou de animar, eles conseguem. Não estou dizendo isso para parecer uma fãzinha fanática, uma vez que, detesto falsidade ou troféus. Com eles é sempre muito diferente, porque mesmo eles sendo assim, tão ridiculamente imperfeitos, eu os amo. E para mim, eles é que fazem de tudo ridiculamente perfeito.
Não me interessa quantas bandas são melhores do que eles, não me interessa também se eu estou fazendo a coisa contrária do que uma menina deveria fazer, mas é deles que eu gosto, por motivos não normais. É deles que eu gosto porque simplesmente gosto. É deles que eu gosto porque são meus heróis desde muito tempo. E acredito que isso não tem a ver com ser fã ou não. Tem a ver com o que você precisa e o que te dão.
Tom, Mark e Travis me deram muito do que eu precisei, e coisas que nem um ser humano neste mundo foi capaz de me dar ainda. É isso o que faz deles tão importantes!

Houston, we have a problem!

Nesses dias olhei Apollo 18, um filme novo aí que relata o Programa Apollo  de um jeito no mínimo… estranho. Mas enfim, acabei de lembrando de Apollo 13. Nossa, que saudade! Além de eu ser uma fãzinha incurável de projetos espaciais (principalmente do Apollo), e ainda por cima fazerem um filme tremendamente emocionante sobre, o meu amado Tom Hanks está no elenco.
Depois que eu assisti a esse filme (há muuuuito tempo atrás), fui procurar saber da verdade verdadeira. Li o livro do Lovell (um dia falo dele aqui), li a transcription das fitas de todos os 6 dias que eles passaram no espaço, comprei o filme, olhei o documentário, pesquisei as revistas da época e tudo mais, e passei a admirar essa gente toda por tudo o que passaram.
A partir daí passaram a ser minha tripulação favorita do Programa Apollo, pois foram mais triunfantes do que os que realmente conseguiram pisar na lua: Lutaram pela vida!
Isso aqui não é uma resenha do filme. Muito porque, iria soar estranho, o filme é de 1995. Mesmo assim é um dos meus filmes preferidos, talvez um dos poucos que eu chorei, e o melhor de aviação e espaço que eu já assisti. E esse filme, na realidade essa história toda tem muitas (muitas mesmo) lições!
Você já se perguntou alguma vez como é o outro lado da lua?
Lovell, Haise e Swigert são as únicas três pessoas da história que sabem disso.

Então, estamos em 1970 e três astronautas são escolhidos para voar para a lua, em uma missão de desvendar Fra Mauro, uma cratera de região rochosa e danificada. São eles Jim Lovell (comandante), Fred Haise (piloto de módulo lunar) e Jack Swigert (piloto de módulo de comando). Já os EUA são o país com maior poderio no âmbito espacial e talvez essa missão seja uma das mais importantes. Desbravar o outro lado da lua…
O Apollo 13 lançou-se ao céu às 13h 13min e 13s do dia 11 de abril, acoplou-se ao módulo lunar, e tudo corria perfeitamente bem dentro dos conformes. Até que no terceiro dia, na sexta feira dia 13, logo depois de Jack agitar os tanques de oxigênio, um barulho junto de um tremor foi ouvido. Algo estourou danificando o oxigênio e a variação da espaçonave. Lá se foi um pedaço do módulo de serviço. Levando os três a uma verdadeira saga para salvarem suas vidas.
Por algum motivo, que a ciência deve julgar lógico e que eu julgo divino, eles não machucaram-se, a nave não explodiu por completo, e eles ainda tinham a escassa chance de voltar para casa, entretanto o sonho de pisar na Lua morreu ali, frustrando os três astronautas.
Nós viemos passear aqui na Lua, mas não dá pra pousar. Vamos voltar para casa então?
Que simples seria…

Primeiro: já é bastante complicado você se encontrar em uma situação crítica aqui na Terra. Imagine estar a 130 mil quilômetros da Terra? Ou você quer viver, ou você quer viver! E vejam meus caros, que eles não desistiram de qualquer coisa. Eles tiveram que desistir da Lua.
A Lua era o sonho de Lovell desde que entrou para a NASA, e quando ele se dá conta de que não vão estar lá, de que o sonho acabou ele simplesmente larga um: “perdemos a Lua!” aos colegas. Inclusive, o nome do livro dele é Lost Moon: The Perilous Voyage of Apollo 13. Ele deu entrevistas dizendo que tinha chorado muito, e ficado triste demais depois. Eu o entendo.
Véi, se eu um dia perder as mãos, perder a oportunidade de escrever, ser impedida disso acho que morro. Nunca é fácil desistir de um sonho, de algo que amamos muito, que queremos muito. Afinal, somos todos egoístas. Mas um dia, a provação chega e você precisa decidir se quer viver, se quer continuar, ou se quer morrer e se doar por algo ou alguém que ame. Os meninos escolheram viver. Lovell é um grande astronauta mesmo!

Segundo: logo que acontece a explosão na nave, a gurizada não sabe bem o que está acontecendo. Portanto, se mostram tranqüilos e até mesmo frios, sem pânico ou desespero. Afinal, são astronautas. Homens acostumados a deixar o medo em Terra! Corajosos, heróicos, eles tinham o sangue frio mesmo e a desenvoltura necessária e por isso resistiram. Por serem homens machos mesmo. Freddo quase convulsionou de febre, mas quando questionado por Lovell disse que agüentaria quanto tempo fosse necessário. Eram fortes e destemidos, e passaram no teste. Eu admiro demais esses caras!

Terceiro: Não fizeram festa! Claro que eles ficaram felizes por retornarem para casa, mas não comemoraram. Afinal, perderam a Lua. Estamos falando de um sonho de anos, que normalmente se leva a vida toda estudando para conseguir. Eles voltaram frustrados. Autenticidade a deles! Felizes estamos por voltar para casa, mas não precisamos fazer um churrasco para comemorar. Sensatez a deles! Não é só porque ficaram mais famosos do que os que realmente pisaram na lua, tiveram uma história emocionante, viraram astros da TV que estariam de risinhos. Adoro isso nas pessoas.

Quarto: Houston, we have a problem! A primeira coisa que eles fizeram foi admitir. Pô, nós estamos encrencados, e temos problemas. A segunda foi imediatamente contatar a base em Houston. Só essas duas atitudes são mais do que suficientes para pensar… quantas vezes já enfrentamos uma crise, nos metemos em encrencas e permanecemos amuados tentando resolver tudo sozinho, muitas vezes, por orgulho bobo querendo se mostrar auto suficiente.
Na hora de um problema a melhor coisa é admitirmos que precisamos de ajuda, admitirmos que muitas vezes sozinhos não conseguimos. Deixar o orgulho de lado e poder dizer, eu tenho um problema aqui!
Imaginem os guris do Apollo 13 dizendo entre eles: “meu! Que problemão, nas nem vamos falar nada; combinado?” Imaginem a equipe da terra fazendo contato com eles: “como estão as coisas aí? vocês vão concluir a missão?” E eles no cúmulo do orgulho respondessem: “melhor impossível, se melhorar vira festa… quanto à missão, nem se preocupem. ESTÁ TUDO SOBRE CONTROLE!”
Eles morreriam asfixiados, a nave toda explodiria no espaço. Por vergonha, por orgulho… muitos de nós fazemos isso o tempo todo.
Todos da Apollo Thirteen voltaram para casa, vivos! Porque reconheceram a crise, pediram auxílio. Foram homens o suficiente para desistirem da lua, olharem para frente e dizerem: Estamos fodidos, precisamos de ajuda!

Falhar não é uma opção – Diz Gene Kranz, o diretor da missão que coordenou tudo direitinho daqui da Terra. Afinal, a vida de três astronautas estava em risco. Posso ver um sentido nisso tudo, usar essa frase é recomendável para qualquer situação difícil da sua vida. Falhar realmente não é uma opção, tente se ater a isso sempre, não se permita falhar, não se permita correr o risco de morrer no espaço. Nós como seres humanos, devemos ser exigentes conosco mesmos, devemos nos criticar muitas vezes, se orgulhar outras, devemos nos conhecer e não nos permitir falhar.

Não era qualquer probleminha: Quem lê pensa que foi fácil. Explodiu um pedaço da nave e eles só tiveram que voltar. Não! Eles voltaram na ameaça de morrerem por inúmeros motivos.
Desligaram toda a energia do Módulo de Comando (Odissey) para que este tivesse energia suficiente para reentrar na terra, isso fez da viagem de volta, um inverno intenso.
O Módulo Lunar (Aquarius), onde eles navegavam, suportava dois homens por dois dias. Ali estava suportando três por quatro dias.
O oxigênio estava vazando, um dos tanques explodiu, outro danificou-se. Sim, eles corriam o risco de ficar sem ar. E pior, poderiam ter morrido intoxicados com o próprio ar carbônico que saía dos pulmões. Este ar é fatal no espaço.
A água era escassa. Eles bebiam meio copo por dia, pois precisavam de água suficiente para refrigerar a nave. Sem contar que, uma goteira criou-se no módulo lunar. Quanta sorte!
Com o Módulo de Comando apagado, tiveram que corrigir rota de volta mais de quatro vezes. Sem falar que, as estrelas estavam inacessíveis pela quantidade de destroços expelidos pela nave anteriormente. Tiveram que mirar no sol, a única estrela acessível.
Com a nave totalmente avariada, era impossível saber se eles realmente retornariam em segurança. Com a explosão, a blindagem poderia estar fraca, e eles poderiam sim morrer torrados pela atmosfera terrestre, ou simplesmente espatifarem-se na Terra.
Passar por todos esses problemas, com uma porcentagem mínima de volta, só faz pensar que esses caras merecem respeito. Não só os tripulantes, mas o pessoal que trabalhou aqui na Terra. Como disse Gene Kranz, este foi o maior triunfo da NASA.


“Farewell Aquarius, and we thank you!” – Frase do Lovell assim que ejetaram o Aquarius para entrar na Terra. Uma das únicas vezes que se pôde ouvir emoção na voz dele.

P.s 1: O Programa Apollo é o nome de uma série de missões espaciais, destinadas à lua, e as reações terrestres dentro e fora da órbita. Apollo é o nome da nave, que saía da terra com os poderosos foguetes Saturno V.
P.s 2: Apollo 13 fez um puta sucesso nos cinemas, e eu recomendo o filme é MUITO emocionante.
P.s 3: O que está na transcription é um pouquinho diferente do que foi eternizado. Na realidade, o que aconteceu foi que Jack disse: “I believe we’ve had a problem here!” e quando Houston pediu a repetição, Lovell respondeu: “Houston, we’ve had a problem. We had a MAIN B BUS UNDERVOLT” confirmando que eles tinham um problema aparentemente de voltagem, e que estavam muito encrencados.
P.s 4: Módulo de Comando é a cabina em que ficam os astronautas nas naves Apollo. O Módulo de Serviço é acoplado a esse Módulo de Comando, mas é dispensado ainda no espaço em todas as missões. O Módulo Lunar é a base que se estabelece na lua, e que é descartada também. A única peça que reentra a atmosfera terrestre é o Módulo de Comando. Na situação do Apollo 13, tiveram de usar o Módulo Lunar, até o último momento, o descartando apenas em minutos de entrar na Terra.

I'm so sorry

Meus dizeres são intensos. Talvez por isso eu tenha o dom de emocionar as pessoas. Eu sei que sou rude, sou fria, sou ruim… mas acreditem, eu posso ser muito insana quando eu quero. Posso ser irreal, perfeita, magnífica! Mas eu aprendi que não quero ser nada além do que eu mesma. A Nik! Respeito a mim mesma e as minhas escolhas. Eu sou a pessoa mais importante na minha vida, e é assim que deve ser sempre!
Eu sinto muito!
Meu lado alucinógeno já foi auto destrutivo, incontrolável, imaleável… graças a Deus eu tenho uma força sobrenatural dentro de mim que me ajuda a lutar contra meus terríveis demônios. Na verdade, diante de tanta loucura, ainda não sei como sobrevivi.
Frequentei muito psiquiatra, tomei muitos remédios para dormir... mas o que realmente me salvou foi o amor. Primeio, The Beatles. A banda que me ensinou a ser feliz da maneira que eu sou. Sem ter de provar nada a ninguém. E depois, a literatura, que foi para isso que eu nasci!
Se por um momento eu pensei em me jogar, foi lembrar disso, do meu eu lírico, da minha ciência, da minha insana e fervorosa paixão por Shakespeare e Camões para imediatamente desistir! Os amo terrivelmente, como amo a literatura e a arte, como amo Chaplin de uma maneira que nem Ledger consegui amar!
Eu sinto muito!
As pessoas normalmente dizem que eu sou louca, não entendem e muito menos compreendem. Acham que eu sonho alto demais, que acho que vou viver para sempre. Graças J.M. Barrie por ter criado Peter Pan! Mas se quiserem alguém real, eu lhe mostro quem disse: Lutam melhor os que tem belos sonhos! Guevara, sempre!
Eu sinto meu futuro alto, sinto ele adiante, avante. Não sei como, mas sinto! E isso não é problema da minha esquizofrenia. Se fosse, eu já teria me matado, acreditem!
Literatura, eu a amo como minha fonte de vida, como cada pedaço do mosaico bonito que meus olhos querem ver. O que me dá mais coragem em cada dia de minha vida. Eu sou uma coitada, de uma morta de fome, de uma mal amada que têm um blog e que sonha, e vê seu futuro lá em cima.
Eu sinto muito!
Sinto porque, não sei ser vadia, nem besta. Não consigo não ter problemas, não consigo fazer as pessoas gostarem de mim. Eu só consigo ver, enxergar além dos olhos, buscar, querer, perseguir, historiar. Eu só consigo hablar do amor platônico e talvez erótico por Lionel Messi, nunca para alguém que conheci de perto, porque não consigo amar deste jeito quem está por perto, porque só sei amar de longe, porque afasto quem amo normalmente. Este é o meu jeito de amar!
Porque Philia não é amor, é Philia!
Eu só consigo gostar de artes rupestres, só consigo curtir rock n' roll, só consigo repudiar o país que vivo, só consigo ser franca sempre, não sei falsear, não sei agradar, não sei fazer amigos!

Honestamente, eu não sinto muito!
Porque eu tenho orgulho de mim mesma sim! Apesar de tudo, de todos os meus erros, exageros e tropeços, eu tenho esperança e provavelmente morrerei assim. Fiel e leal a todas as minhas certezas e escolhas! 
Porque de boa, eu não sou tão ruim.