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Caramujos
Há o que ainda me lembro a palmo e meio do nariz. Não só os cheiros, mas os tatos, os ruídos.
Lembro-me do som dos meus joelhos a bater na tijoleira.
Ainda consigo sentir o arranhar da tinta solta e gasta das paredes dos varandins e do terraço na ponta dos meus dedos.
Sinto ainda a escaldar-me na pele minha o pó do chão que ainda me cheira a queimado da lenha já ida.
Consigo sentir nas bochechas e nariz as gotas fugidas e salgadas da praia, bem como o quente no rabo do cimento do parque.
Ardem-me ainda as feridas abertas de cair e não desistir, os picos das silvas e os pulmões das dores asmáticas já tão passadas.
O cansaço das 5 da tarde, por o dia saber a eternidade.
O cheiro das gomas e dos melões, a adrenalina de um bilhete de cinema às 9 da noite e uma descida aos infernos do estofo bolorento, capaz de nos fazer sonhar.
Dos vossos, nossos risos, dos médicos e pais e às mães, dos ursinhos e do playmobil.
Ainda os sinto e sei o contorno de cada um.
Ainda consigo encontrar cada quarto da casinha com os olhos fechados, e nos meus sonhos percorro ainda os da casa como se lá estivéssemos ainda.
Na vertigem dos 23, sonho no que fomos, e desejo os caracóis e o nariz arregalado, os límpidos e corredeiras, os jogos de verão e o sentir-me faceira no sangue e na alma, e saber que tive tanto mais que tantos outros, no véu da idade.
Não é só a nostalgia, é o tato, o cheiro, os ruídos.
Ainda ouço o cântico das unhas do Garoto a arrastar-se na tijoleira, e ainda sinto o quente que emanava dela no fim do dia, junto à varanda.
O aconchego do sofá orelhudo quando ainda me cabia nele sem nele sobrar.
Os jantares e os churrascos, e a voz da mãe a chamar-nos para casa, já no derramado céu estrelado.
Quando faço anos é inevitavelmente o nós que lembro, no que me foi dado e quero poder partilhar.
Não trocava um único segundo, um único batimento do meu coração.
No aguado dos meus olhos agora sei que num antes provável devo ter sido justa - ninguém pode ter tanto assim e não se perder em arrepios e choros de saudade entalados.
Eu sinto tudo ainda hoje.
Ainda hoje sinto-nos e sei-nos como sempre fomos.
Não poderia sentir maior gratidão.
Não desejo nada se não embalo e gratidão.
gratulatione ~
Eu não sei se eu conseguiria escrever aqui uma mensagem, de cunho literário para parabenizar Freddie Mercury. Muito porque, tenho para com ele, um alívio, uma intimidade gigantesca. Acho que o mundo todo tem. Ele se doou tão inteiramente, não só musicalmente, mas seu corpo, sua vontade, seus anseios pessoais foram assistidos e doa a quem doer, foi ele, sim ELE quem mudou a face do rock n' roll e fez o tal "estilo musical" passar a ser mitologia, ideologia e crença. Se roqueiros - como eu me julgo que sou - são o que são, é graças a esse cara aqui, que há 66 anos, neste exato dia, nascia, para o bem geral da nação.
Mercury, você é o Mercúrio da química inteira. Acho que parabéns nem é digno, acrescento aqui um obrigado oh, melhor roqueiro de todos os tempos.
Farrokh Bulsara, you are the champion!
Mercury, você é o Mercúrio da química inteira. Acho que parabéns nem é digno, acrescento aqui um obrigado oh, melhor roqueiro de todos os tempos.
Farrokh Bulsara, you are the champion!
infinito caos
Em meio ao caos e a desordem do mundo, em meio às lutas diárias seja para pagar uma conta ou simplesmente ter tempo para tomar um banho, vive-se! Derradeiramente e burlescamente! Vive-se da pior forma possível! Nossos ancestrais envergonhar-se-iam do cotidiano que criamos e pobre de nós, seres humanos, achamos que somos seres muito melhores, na escala evolutiva.
Passamos o tempo em função do relógio, brigamos por causas perdidas, amamos por tão pouco e sofremos tanto que não sabemos onde isso tudo começou. Fingimos que temos o controle das situações quando não sabemos o que fazer, como fazer e onde fazer… tolos!
Dormimos mal, quando dormimos! Pouco nos irrita e perdemos a crença em quase tudo. Nossos sonhos, outrora brilhantes, apagaram-se por completo e nem lembramos quando foi que isso aconteceu. Imitamos formas, recriamos carmas, emitimos ruídos, exalamos aparência. Elitizamos a carne e destroçamos a essência. Verdades... ah quanto tempo, não falamos algumas ou recebemos...e quando elas aparecem tornam-se chagas! Doem!
Ainda acredito no ser humano, como ser incompleto, pequeno, dilacerado pela tecnologia que rasga seu tempo, joga fora eu diria! Acredito no ser impuro, incoerente, aquele que enfia os pés pelas mãos, os politicamente incorretos, os imaturos, os adolescentes (adoro a rebeldia), os sem teses, os sem mestres, os que não sabem o que são, os que sabem o que buscam, mas vivem calmamente...
A vida! Sempre me pergunto por que me deixaram aqui neste planetinha confuso, doido, onde tudo gira ao contrário, o que faz sucesso me incomoda, os poderosos roubam, os astros envolvidos em escândalos são capas enquanto os talentosos ralam diariamente. É moda ser caridoso, é moda trair, tudo é moda, mas ninguém sabe defini-la.
Mas será que me deixaram ou escolhi, eu mesma, aportar aqui... enquanto não acho respostas, enquanto meus sonhos me revelam tanto mas me confundem, faço arte, porque ela não se acaba, ela fica suspensa, seja num quadro na parede, seja ao som de uma boa música. Na epiderme.
Meu leme ainda segue este rumo... talvez por pouco tempo, ou muito. Mas ainda quero muito, quero realizar algumas coisas que me faltam realizar. Tenho tentado ser mais complacente e diplomática em alguns aspectos. Falho sempre! Mas tento! Tento fechar a boca quando ela disseca situações e não se cala. E que boca! Não me peçam conselhos, falo sempre o que as pessoas odeiam ouvir. Não se se aproximem só quando precisam, eu sempre sei disso, e cansei de ser boazinha. Virada de jogo! Virada de mesa! Cheque mate!
Não falem de mim se não conviverem comigo mais de 5 horas por dia, nem meus amigos mais chegados me conhecem verdadeiramente. Deixem-me quando quero ficar só, me escutem quando escrevo um texto novo, riam quando eu falar bobagem. Aproveitem-me mais, como um corpo pronto para autópsia. Tirem de mim o que puderem, mas relacionado somente a conhecimento. Deletem-me se não for para isso. Se me amarem que seja por COMPLETO! Não tolero meio termo, não tolero a indecisão, não tolero a indiferença, não tolero a falta de atitude!
Egoísmo? Não! Cansei do fútil, do pobre de espírito, do fofoqueiro, do aproveitador, dos cínicos, dos falsos, dos invejosos quero distância absoluta, cansei dos fracos, dos reprimidos, dos tímidos, dos sem noção, cansei de mim, da vidinha, da falta de vidinha, da vidinha calma. MOVIMENTO!
Já não participo dos movimentos que não acredito, não me venham falar em todo, o "todo" não existe, existe eu, você, nós dois, três, quatro, mas sempre divergindo em opinião. Como bons e maus seres humanos que somos!
Saudade da távola redonda, saudade dos cavalheiros de verdade, saudade das guerras por causas justas e nobres, saudades das sábias bruxas, saudades dos séculos passados, das vidas passadas!
E seguimos! Como diria Jacinto Benavante;
"Pensar em fazer grandes coisas é pretexto para não fazer as pequenas."
l'absence que le passé n'est
Eu sinto falta de quando éramos duas crianças. Não entendíamos nada de amor, mas mesmo assim nos amávamos tanto. Acredito que nos amávamos mais do que hoje, ou nos amávamos mais bonito. Você ligava para florezinhas, você gostava de estar comigo, me ordenava a te embalar no balanço, mas sabia que aquilo era o que eu mais gostava de fazer. Me mordia o tempo todo, mas acho que era para me mostrar que queria um pedaço meu, e eu juro que não hesitaria em dar.
Ou melhor, eu não hesitei. Entreguei assim de cara o meu pobre coração, tão frágil e vulnerável, nas tuas mãos malévolas. Fez tudo o que quis com ele e… puft! Então eu sofri e chorei, e fiquei seca, amarga, bandida… fiquei com vontade de te ver sofrer como eu sofri. Então hoje eu consegui como nunca antes vi, e como nunca jamais verei, você chorar. Perdoa-me, mas eu precisava fazer isso… e sei que agora vamos estar separados para sempre…
Acontece que sinto saudades da nossa infância. A doce, adorável e sincera infância. Porque antes de a gente fazer as coisas feias que fizemos, de dizer as besteiras, de crescer e aprender a magoar, nós éramos felizes. Era como se eu fosse suficiente pra você, como se eu bastasse. E isso me fazia o guriazinha mais feliz do mundo. Nós éramos mais sinceros. Sim, eu me deixava ser a melhor parte de mim enquanto apreciava aquilo que pra mim era a melhor parte do mundo: Você!
Nós cantávamos mais, nós beijávamos mais, nós fizemos tantas loucuras juntos...
Quando me perguntar outra vez o porquê de eu ainda te dar atenção, desde sempre, desde quando tu era apenas um guri ranhento e bagunceiro, o guri que todos odiavam na sala, o guri capetinha que vivia de castigo, de quem todos riam, de quem ninguém gostava... vou te dizer pra pensar nisso. Porque é esse o meu motivo!
Você e eu fomos felizes juntos, você e eu fomos amor! Se ainda somos eu não sei. Eu não sei mais de nada. Só sei que ainda te amo perdidamente, mas que agora o meu desejo não é apenas te fazer feliz, é te fazer chorar. Por mim! Eu mudei, o meu coração mudou, você mudou o meu coração e mudou a si mesmo dentro dele.
É, nós não somos mais os mesmos. E sabe de uma coisa? Jamais voltaremos a ser!
Houston, we have a problem!
Nesses dias olhei Apollo 18, um filme novo aí que relata o Programa Apollo de um jeito no mínimo… estranho. Mas enfim, acabei de lembrando de Apollo 13. Nossa, que saudade! Além de eu ser uma fãzinha incurável de projetos espaciais (principalmente do Apollo), e ainda por cima fazerem um filme tremendamente emocionante sobre, o meu amado Tom Hanks está no elenco.
Depois que eu assisti a esse filme (há muuuuito tempo atrás), fui procurar saber da verdade verdadeira. Li o livro do Lovell (um dia falo dele aqui), li a transcription das fitas de todos os 6 dias que eles passaram no espaço, comprei o filme, olhei o documentário, pesquisei as revistas da época e tudo mais, e passei a admirar essa gente toda por tudo o que passaram.
A partir daí passaram a ser minha tripulação favorita do Programa Apollo, pois foram mais triunfantes do que os que realmente conseguiram pisar na lua: Lutaram pela vida!
Isso aqui não é uma resenha do filme. Muito porque, iria soar estranho, o filme é de 1995. Mesmo assim é um dos meus filmes preferidos, talvez um dos poucos que eu chorei, e o melhor de aviação e espaço que eu já assisti. E esse filme, na realidade essa história toda tem muitas (muitas mesmo) lições!
Você já se perguntou alguma vez como é o outro lado da lua?
Lovell, Haise e Swigert são as únicas três pessoas da história que sabem disso.
Então, estamos em 1970 e três astronautas são escolhidos para voar para a lua, em uma missão de desvendar Fra Mauro, uma cratera de região rochosa e danificada. São eles Jim Lovell (comandante), Fred Haise (piloto de módulo lunar) e Jack Swigert (piloto de módulo de comando). Já os EUA são o país com maior poderio no âmbito espacial e talvez essa missão seja uma das mais importantes. Desbravar o outro lado da lua…
O Apollo 13 lançou-se ao céu às 13h 13min e 13s do dia 11 de abril, acoplou-se ao módulo lunar, e tudo corria perfeitamente bem dentro dos conformes. Até que no terceiro dia, na sexta feira dia 13, logo depois de Jack agitar os tanques de oxigênio, um barulho junto de um tremor foi ouvido. Algo estourou danificando o oxigênio e a variação da espaçonave. Lá se foi um pedaço do módulo de serviço. Levando os três a uma verdadeira saga para salvarem suas vidas.
Por algum motivo, que a ciência deve julgar lógico e que eu julgo divino, eles não machucaram-se, a nave não explodiu por completo, e eles ainda tinham a escassa chance de voltar para casa, entretanto o sonho de pisar na Lua morreu ali, frustrando os três astronautas.
Nós viemos passear aqui na Lua, mas não dá pra pousar. Vamos voltar para casa então?
Que simples seria…
Primeiro: já é bastante complicado você se encontrar em uma situação crítica aqui na Terra. Imagine estar a 130 mil quilômetros da Terra? Ou você quer viver, ou você quer viver! E vejam meus caros, que eles não desistiram de qualquer coisa. Eles tiveram que desistir da Lua.
A Lua era o sonho de Lovell desde que entrou para a NASA, e quando ele se dá conta de que não vão estar lá, de que o sonho acabou ele simplesmente larga um: “perdemos a Lua!” aos colegas. Inclusive, o nome do livro dele é Lost Moon: The Perilous Voyage of Apollo 13. Ele deu entrevistas dizendo que tinha chorado muito, e ficado triste demais depois. Eu o entendo.
Véi, se eu um dia perder as mãos, perder a oportunidade de escrever, ser impedida disso acho que morro. Nunca é fácil desistir de um sonho, de algo que amamos muito, que queremos muito. Afinal, somos todos egoístas. Mas um dia, a provação chega e você precisa decidir se quer viver, se quer continuar, ou se quer morrer e se doar por algo ou alguém que ame. Os meninos escolheram viver. Lovell é um grande astronauta mesmo!
Segundo: logo que acontece a explosão na nave, a gurizada não sabe bem o que está acontecendo. Portanto, se mostram tranqüilos e até mesmo frios, sem pânico ou desespero. Afinal, são astronautas. Homens acostumados a deixar o medo em Terra! Corajosos, heróicos, eles tinham o sangue frio mesmo e a desenvoltura necessária e por isso resistiram. Por serem homens machos mesmo. Freddo quase convulsionou de febre, mas quando questionado por Lovell disse que agüentaria quanto tempo fosse necessário. Eram fortes e destemidos, e passaram no teste. Eu admiro demais esses caras!
Terceiro: Não fizeram festa! Claro que eles ficaram felizes por retornarem para casa, mas não comemoraram. Afinal, perderam a Lua. Estamos falando de um sonho de anos, que normalmente se leva a vida toda estudando para conseguir. Eles voltaram frustrados. Autenticidade a deles! Felizes estamos por voltar para casa, mas não precisamos fazer um churrasco para comemorar. Sensatez a deles! Não é só porque ficaram mais famosos do que os que realmente pisaram na lua, tiveram uma história emocionante, viraram astros da TV que estariam de risinhos. Adoro isso nas pessoas.
Quarto: Houston, we have a problem! A primeira coisa que eles fizeram foi admitir. Pô, nós estamos encrencados, e temos problemas. A segunda foi imediatamente contatar a base em Houston. Só essas duas atitudes são mais do que suficientes para pensar… quantas vezes já enfrentamos uma crise, nos metemos em encrencas e permanecemos amuados tentando resolver tudo sozinho, muitas vezes, por orgulho bobo querendo se mostrar auto suficiente.
Na hora de um problema a melhor coisa é admitirmos que precisamos de ajuda, admitirmos que muitas vezes sozinhos não conseguimos. Deixar o orgulho de lado e poder dizer, eu tenho um problema aqui!
Imaginem os guris do Apollo 13 dizendo entre eles: “meu! Que problemão, nas nem vamos falar nada; combinado?” Imaginem a equipe da terra fazendo contato com eles: “como estão as coisas aí? vocês vão concluir a missão?” E eles no cúmulo do orgulho respondessem: “melhor impossível, se melhorar vira festa… quanto à missão, nem se preocupem. ESTÁ TUDO SOBRE CONTROLE!”
Eles morreriam asfixiados, a nave toda explodiria no espaço. Por vergonha, por orgulho… muitos de nós fazemos isso o tempo todo.
Todos da Apollo Thirteen voltaram para casa, vivos! Porque reconheceram a crise, pediram auxílio. Foram homens o suficiente para desistirem da lua, olharem para frente e dizerem: Estamos fodidos, precisamos de ajuda!
Falhar não é uma opção – Diz Gene Kranz, o diretor da missão que coordenou tudo direitinho daqui da Terra. Afinal, a vida de três astronautas estava em risco. Posso ver um sentido nisso tudo, usar essa frase é recomendável para qualquer situação difícil da sua vida. Falhar realmente não é uma opção, tente se ater a isso sempre, não se permita falhar, não se permita correr o risco de morrer no espaço. Nós como seres humanos, devemos ser exigentes conosco mesmos, devemos nos criticar muitas vezes, se orgulhar outras, devemos nos conhecer e não nos permitir falhar.
Não era qualquer probleminha: Quem lê pensa que foi fácil. Explodiu um pedaço da nave e eles só tiveram que voltar. Não! Eles voltaram na ameaça de morrerem por inúmeros motivos.
Desligaram toda a energia do Módulo de Comando (Odissey) para que este tivesse energia suficiente para reentrar na terra, isso fez da viagem de volta, um inverno intenso.
O Módulo Lunar (Aquarius), onde eles navegavam, suportava dois homens por dois dias. Ali estava suportando três por quatro dias.
O oxigênio estava vazando, um dos tanques explodiu, outro danificou-se. Sim, eles corriam o risco de ficar sem ar. E pior, poderiam ter morrido intoxicados com o próprio ar carbônico que saía dos pulmões. Este ar é fatal no espaço.
A água era escassa. Eles bebiam meio copo por dia, pois precisavam de água suficiente para refrigerar a nave. Sem contar que, uma goteira criou-se no módulo lunar. Quanta sorte!
Com o Módulo de Comando apagado, tiveram que corrigir rota de volta mais de quatro vezes. Sem falar que, as estrelas estavam inacessíveis pela quantidade de destroços expelidos pela nave anteriormente. Tiveram que mirar no sol, a única estrela acessível.
Com a nave totalmente avariada, era impossível saber se eles realmente retornariam em segurança. Com a explosão, a blindagem poderia estar fraca, e eles poderiam sim morrer torrados pela atmosfera terrestre, ou simplesmente espatifarem-se na Terra.
Passar por todos esses problemas, com uma porcentagem mínima de volta, só faz pensar que esses caras merecem respeito. Não só os tripulantes, mas o pessoal que trabalhou aqui na Terra. Como disse Gene Kranz, este foi o maior triunfo da NASA.
“Farewell Aquarius, and we thank you!” – Frase do Lovell assim que ejetaram o Aquarius para entrar na Terra. Uma das únicas vezes que se pôde ouvir emoção na voz dele.
P.s 1: O Programa Apollo é o nome de uma série de missões espaciais, destinadas à lua, e as reações terrestres dentro e fora da órbita. Apollo é o nome da nave, que saía da terra com os poderosos foguetes Saturno V.
P.s 2: Apollo 13 fez um puta sucesso nos cinemas, e eu recomendo o filme é MUITO emocionante.
P.s 3: O que está na transcription é um pouquinho diferente do que foi eternizado. Na realidade, o que aconteceu foi que Jack disse: “I believe we’ve had a problem here!” e quando Houston pediu a repetição, Lovell respondeu: “Houston, we’ve had a problem. We had a MAIN B BUS UNDERVOLT” confirmando que eles tinham um problema aparentemente de voltagem, e que estavam muito encrencados.
P.s 4: Módulo de Comando é a cabina em que ficam os astronautas nas naves Apollo. O Módulo de Serviço é acoplado a esse Módulo de Comando, mas é dispensado ainda no espaço em todas as missões. O Módulo Lunar é a base que se estabelece na lua, e que é descartada também. A única peça que reentra a atmosfera terrestre é o Módulo de Comando. Na situação do Apollo 13, tiveram de usar o Módulo Lunar, até o último momento, o descartando apenas em minutos de entrar na Terra.
memórias póstumas
Hei!
Consegue me ouvir?
...
Acho que não! Acho que você já deve ter me esquecido não é mesmo?
Sempre que te olho daqui de cima, consigo ver um sorriso nos seus olhos.
Mas que bom que você é feliz.
Eu sei que te magoei demais. Na verdade, eu não tive oportunidade de te dizer tudo o que eu queria. Eu juro que eu ia consertar tudo, eu juro!
Mas não deu tempo...
Sabe, que nem doeu. Todo mundo ficou chorando por mim... Mas eu me libertei, encontrei minha família, meus amigos. Eu senti falta deles. Eu e eles passamos algum tempo conversando. Mas aqui não é permitido fumar...
Que pena!
Honestamente, nunca achei que viria para cá. Mas acho que de alguma forma eu fiz bem p'ras pessoas. Expirei algumas guerras com algumas de minhas palavras. Queria mesmo acabar com a guerra entre nós dois.
Mas não deu tempo!
...
Hei!
E se tudo pudesse ser diferente?
E se eu não fosse tão infantil e estúpido?
E se eu tivesse tempo para dizer tudo...
E se eu assumisse que você sempre foi o melhor dentre nós dois?
E se eu não ficasse maluco?
E se eu enxergasse que ficar ao seu lado era tudo o que eu queria?
E se...
...
E se eu apenas dissesse que te amo?
...
Não ouviu...
E se eu pedisse?
Olhe para o céu e lembre-se de mim assim.
Eu vou estar aqui me perguntando e questionando.
E se...
Sempre vou me culpar por não saber o que poderíamos ter sido.
Talvez fossemos mesmo invencíveis juntos.
Éramos amigos.
Cumplices.
Amantes.
E se...
Eu posso te ver, mas você nem sabe.
O que posso fazer é apenas te seguir...
Meu amor vai te acompanhar para sempre, certo?
Vou cuidar de você.
Certo.
Consegue me ouvir?
...
Acho que não! Acho que você já deve ter me esquecido não é mesmo?
Sempre que te olho daqui de cima, consigo ver um sorriso nos seus olhos.
Mas que bom que você é feliz.
Eu sei que te magoei demais. Na verdade, eu não tive oportunidade de te dizer tudo o que eu queria. Eu juro que eu ia consertar tudo, eu juro!
Mas não deu tempo...
Sabe, que nem doeu. Todo mundo ficou chorando por mim... Mas eu me libertei, encontrei minha família, meus amigos. Eu senti falta deles. Eu e eles passamos algum tempo conversando. Mas aqui não é permitido fumar...
Que pena!
Honestamente, nunca achei que viria para cá. Mas acho que de alguma forma eu fiz bem p'ras pessoas. Expirei algumas guerras com algumas de minhas palavras. Queria mesmo acabar com a guerra entre nós dois.
Mas não deu tempo!
...
Hei!
E se tudo pudesse ser diferente?
E se eu não fosse tão infantil e estúpido?
E se eu tivesse tempo para dizer tudo...
E se eu assumisse que você sempre foi o melhor dentre nós dois?
E se eu não ficasse maluco?
E se eu enxergasse que ficar ao seu lado era tudo o que eu queria?
E se...
...
E se eu apenas dissesse que te amo?
...
Não ouviu...
E se eu pedisse?
Olhe para o céu e lembre-se de mim assim.
Eu vou estar aqui me perguntando e questionando.
E se...
Sempre vou me culpar por não saber o que poderíamos ter sido.
Talvez fossemos mesmo invencíveis juntos.
Éramos amigos.
Cumplices.
Amantes.
E se...
Eu posso te ver, mas você nem sabe.
O que posso fazer é apenas te seguir...
Meu amor vai te acompanhar para sempre, certo?
Vou cuidar de você.
Certo.
Mas os mais importantes com certeza estiveram ao meu alcance. Tive belos sonhos sozinho e eles me fizeram realmente feliz. Eles ainda me fazem. E hoje eu me lembro que sempre que os realizei, nunca planejei...
Talvez a vida seja mesmo uma caixinha de surpresas e você nunca saiba o que vai ser. Ou talvez, tenha olhos diversificados para o que queremos e o que temos medo de fazer.
Eu agora não quero nada pela metade.
Quero palco e plateia, figurino e personagem, texto e intenção.
Mas querer não basta, é preciso ir pegar o que é seu. Para pegar precisa andar, dar os primeiros passos.
Já comecei a andar mais rápido, cansei da lentidão do tempo perdido, das palavras mortas nas bocas, dos não amigos. Minha sanidade dramaturga voltou e eu retomo aquilo que mais sei fazer: Sonhar!
às vezes uma canção
tão correto e tão bonito
o infinito é realmente
um dos deuses mais lindos!
sei que às vezes uso palavras repetidas
mas quais são as palavras
que nunca são ditas?
Legião Urbana ~
o infinito é realmente
um dos deuses mais lindos!
sei que às vezes uso palavras repetidas
mas quais são as palavras
que nunca são ditas?
Legião Urbana ~
Carrossel
Quero falar da nostalgia. Da nostalgia que me vem por apenas lembrar que eu fui criança!
Que pena que eu descobri que a vida não é o Carrossel que eu acreditava ser. A vida é traiçoeira, e as voltas nunca são as mesmas. Os cavalinhos da vida, estão sempre prontos pra te derrubar.
Que pena que eu descobri que a vida não é só andar de balanço. Temos tantas obrigações, tantas complicações, tantas decepções. Eu tinha comprometimento com o meu balanço e não o deixava um dia sequer.
Que pena que eu descobri que o Castelo Rá-Tim-Bum era só ficção. Eu queria mesmo ser uma criança feito o Nino. Eu sabia que ele era um homem, mas ainda assim tão menino. Muito mais criança do que eu já fui um dia!
Que pena que os machucados verdadeiros não são os de tombos de bicicleta, nem as mordidas de cachorro. Nada aqui dentro se cura com mertiolate!
Mas no fundo eu sabia que não seria fácil, e eu estou bem disposta a enfrentar isso por quantas vezes for necessário! Por amor? Talvez, ainda não sei.
Mas pra isso eu preciso voltar a ser criança, um pouquinho criança, só um tiquinho criança. Ser um astronauta, um passarinho, um poeta. Pescar com o Dobe, deitar na grama só pra ver os desenhos das nuvens, rir com eles. Sozinho, comigo mesmo. Ter muitos sonhos, muitas vontades, muitos prazeres. Ser amável, dócil, verdadeiro... Pensar que no fim tudo vai ficar bem!
Eu quero acreditar que a vida é um Carrossel. Um volta de cada vez!
Eu, Nik, mais do que ninguém sei que a vida não é fácil. Sei o quanto foi difícil, o quanto ainda é. Quem não me conhece, quem lê, vê, ouve de passagem nunca vai entender. Na realidade, nem eu mesma me entendo!
Mesmo assim, eu queria um dia sair por aí e contar pra qualquer mendigo tudo o que já me aconteceu. Que foi tanta coisa. Meu Deus, tanta coisa!
Eu me lembro de tudo!
Lembro e relembro todos os tropeços meus, minhas equivocações, meu ciúme bobo, e o com sentido. Minha desatenção, todos os perdões, os pedidos, e todas as mais variadas gírias que eu aprendi a falar. Minhas juras de amor, e todas as vezes que ralei os joelhos... Eu me lembro de absolutamente tudo!
Até dos sustos, dos choques, e dos momentos ruins e tristes... Mas não vou esquecê-los. Não porque não consigo, e sim porque não devo. Eles fazem parte da minha alma, da minha história e eu teria orgulho de contar tudo a alguém um dia.
Essas lembranças é que constroem nossos castelos, é que nos fazem crescer.
Esquecê-las seria burrice, seria arrogância, seria orgulho bobo!
Eu estou aqui, firme, forte, talvez capenga... mas ainda estou né? Bora' viver e parar de reclamar. Existe gente com cruz mais pesada que a minha. É...
Creio que meus desejos foram realizados, pois agora estou muito mais serena. Finalmente Deus me deu atenção, e hoje sinto uma luz aqui. Estou mais tranquila e tão cheia de vida. Na verdade, acho que sempre estive cheia de vida, mas nem tão disposta como agora. Estou cheia de vida para dar!
Recordo agora que tudo se é para o bem, que as decisões de Deus são um ato de amor, que Ele é misericórdia, que toda a crise é um cambio e que o cambio sempre é necessário que o mundo é bonito.
O universo nos convida sempre a amarmos nós mesmos, também nos diz pra amarmos o próximo como a nós mesmos. E eu aprendi que talvez ame mais algumas pessoas do que a mim mesma... sim, seria difícil me imaginar confessando isso, mas eu sei...
Consegui entender que as separações são só um espaço um pouco mais amplo, porque sempre estaremos no coração de quem passa por nossas vidas e estes sempre estarão em nossas vidas. Sempre estarão em nosso coração...
Tio, você sempre vai estar no meu coração, eu vou lembrar de ti a cada dia em que eu estiver neste mundo, e eu quero que saiba, que se lembre que eu vou amá-lo para sempre, para sempre!
quand j'étais plus heureuse
...imensamente, profundamente, verdadeiramente feliz, foi quando eu por assim dizer, vivi.
Fui feliz quando fui víbora...
É bom ter fúria, ter vontade, ter teimosia. É bom ser odiada de vez em quando.
Ser invejada?
Nada mal!
Fui feliz quando ri dos outros, para os outros, com os outros.
Fui feliz quando ri verdadeiramente.
Seja por bem, por mal.
Seja por mim ou por outro alguém...
Minha risada deve ser minha principal característica.
Mesmo que seja tão odiosa, é sincera na maior parte das vezes!
Ah, mas é claro que a culpa não é minha!
Meu palhaço de circo me acompanhou desde sempre...
O coringa do meu baralho.
Ah, ele! Parabéns, senhor... é, gosto deste nome.
O jeito que soa aos meus ouvidos.
Doo-doo-doo-doo!
Bela lição!
O sarcasmo, o individualismo, o grande exagero, a pouca simpatia, as boas piadas, as boas caretas, as leais manias...
Características herdadas de um bobo da corte.
Ontem esfriou aqui! O outono chegando à Serra Gaúcha, mais tarde o inverno… é…
Mesmo nesse frio todo, é tão lindo. Lá no trabalho, o sol fraquinho batendo nos pinheiros altos, e o minuano soprando perto da gente. Melodia exclusiva dos pampas. Junto com o frio me peguei pensando... Eu ando tão solitária. Mas nem é de solidão concreta, falo de solidão de espírito. Eu trabalho com seis pessoas, passo 10 horas diárias com elas, tem sempre gente na minha casa, tem meu gato, mas… tenho me sentido sozinha mesmo no meio de tanta gente.
Então lembrei que um dia li em algum lugar uma frase muito intensa:
“Solidão não é estar sozinho, solidão é estar no meio de mil pessoas e sentir falta de apenas uma!”
Não lembro onde li, nem de quem é. Só sei que essa frase me deu um tapa na cara. Na realidade, eu nunca tinha entendido até o real momento. Existem coisas que a gente só entende quando passa pela situação. Nem sempre são experiências boas, mas sempre dá pra tirar algum proveito.
O sofrimento ensina muito a gente, eu aprendi isso. Aprendi que as dores e feridas acabam nos fortalecendo. Eu estou pronta pra outra. Já! Afinal, eu consegui tirar da solidão o que ela tem de melhor: Aprendizado! Aprendi muito sozinha, aprendi muito com meus pensamentos, com minhas conclusões. Aprendi sobre o que eu realmente deveria aprender. Eu!
Precisei, ainda preciso de um tempinho comigo. Pra cuidar de mim, me ninar, me embalar, me botar pra dormir. Preciso de um dengo que só eu posso me dar. Preciso de mim! E eu fui meio estupida achando que todo mundo estava errado... Não é bem assim não! Sinceramente, às vezes eu me acho mais fria do que a neve...
E assim sem procurar as coisas boas acontecem de repente…
Tá na hora de derreter esse coração de gelo, Nik!
essais
Aliéné,
Arte,
Confesso,
Depressão,
Desígnios,
Desire,
Dreams,
Éden,
Esperança,
Filosofia,
Fuck it all,
Humanism,
meheartit,
Nostalgia,
Old friend,
Pedras,
Versos Tolos,
Writing
no maten las rosas
los poderosos pueden matar una, dos o tres rosas, pero nunca podrán detener la primavera entera. [Ernesto Che Guevara]
à mes amis
'hoje já não somos mais tão jovens
nossa memória não é mais a mesma
nosso forte nunca foi a beleza
isso nunca foi problema, eu tenho certeza
orgulhosamente seguimos sonhando
que seremos eternos
nossos filhos serão os jovens
e nós os modernos
quem inventou a razão a emoção desconhece
criamos a falsa impressão que só o corpo que cresce
sofremos juntos com a dor dos amigos
a amizade é maior do que tudo'
essais
Confesso,
Desígnios,
Fuck it all,
Humanism,
L'amour,
Literatura,
meheartit,
Músicas,
Nostalgia,
Old friend,
Passado,
Poesia,
Saudades,
Versos Tolos,
Writing
changements du monde'
Eu abandonei muitas coisas que faziam parte de mim ao longo do tempo. Eu deixei de ser o que eu queria, acabei me limitando e morrendo muito nestes anos todos! Apanhei tanto da vida, levei tanto na cara por conta do meu orgulho comedido, cansei demais das coisas boas, deixei de lutar pelo que eu acreditava porque assim seria melhor para os outros. E me esqueci, completamente e infantilmente de mim.
Meus anseios, minhas vontades, minha essência... Me deixei levar!
Foi por pouco tempo, mas o suficiente para deixar a vida me estranhar e me jogar no destino. Feito um ser humano sem nada. Fútil e inútil!
Quase me anulei!
Acabei mudando meu jeito de vestir, meu jeito de falar... Virei hippie e abandonei meu estilo punk. Isso quase matou a Nik de antes. Mas graças a Deus, a sanidade voltou, mas não mais a tempo de remediar e conviver bem com a solidão... Essa das piores solidões. A interior! Distanciei-me daquilo e daqueles que eu amava – que eu ainda amo – Foi-se embora a alegria de cantar outro papapa, de subir, de descer... Estive no topo o tempo todo, mas não como queria ou achava que deveria e isso doeu! Era tarde para chorar, mas ainda dava para tirar da vida o que ela tem de melhor: Aprendizado!
Eu acreditava firmemente que eu não enlouqueceria mais se enterrasse a antiga Nick em um buraco negro. Mas ao contrário! Caí num poço quebradiço de lama e vi que poucos me estenderam a mão. Enlouqueci ainda mais... Tanto que neste momento me sinto tão lúcida que nem respiro se pensar demais!
Esqueci de viver, odiei gente, odiei a mim mesma, me amei, me crucifiquei, machuquei os outros me machucando, mentindo e sorrindo... Meu sarcasmo me consome! Eu ainda sei que umas lembranças são vergonhosas, que algumas são indecentes... Mas eu era feliz! Pelo menos feliz! Não quero mais virar isso ou aquilo. Eu tenho personalidade, eu sei o que quero e quero ficar nisso agora!
vient à beaucoup de mouvement, je veux arrêter
en vérité
Viva cada momento de sua vida como se fosse o último. Aceite o outro sem preconceito. Ame o diferente. Não carregue rancores ou ideias pré-concebidas. Aceite as intempéries da vida. Plante sabedoria eterna. Viva aqui e agora com o amor dentro de si. Dê valor a sua família. Pense em Deus. Seja grato pelo próprio amor. Pelas vitórias e derrotas. Ele é o caminho... Segure-se na fé. Naquele que ama de forma verdadeira. Siga o rastro de luz e de vida. Viva cada sonho e um amor.
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