Mostrando postagens com marcador Fernando Pessoa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fernando Pessoa. Mostrar todas as postagens

se eu faria? não!

Recuar no tempo, repensar nas consequências dos meus atos e tomar uma atitude diferente?
Não o faria! Porque a vida ensina-nos lições importantes, molda a nossa forma de estar às necessidades da vida, habilita-nos de uma carapaça que nos protege, tanto quanto possível, e nos tornar mais seguros para enfrentar a realidade.
Esquecer o passado, passar uma borracha pelo que já vivi e projectar uma tábua rasa para o futuro?
Não o faria! Porque o passado faz parte daquilo que somos e com o mesmo temos de aprender a viver todos os dias, tentando não esquecer os seus ensinamentos.
Deixar de sonhar para ser mais feliz?
Não o faria! Porque o sonho faz-nos mexer, torna-nos ativos e comanda cada ato e palavra que produzimos.
Amarrar-me a alguém para ser menos infeliz?
Não o faria! Porque não sou parte ou metade, sou todo e meu todo não precisa de acompanhado, de se sentir apoiado ou dependente, ainda que para isso a minha felicidade seja diminuída.
Parar de escrever para sofrer menos ou ter menos trabalho?
Não o faria! Porque a escrita me completa, preenche cada poro que respira, porque sem escrever eu sou nada e junto das letras o mundo é meu.
Não parar de sorrir para parecer mais feliz?
Não o faria! Porque a nossa existência é equilibrada e construída a partir também das nossas verdades. E ninguém é feliz sempre.
Escamotear os meus princípios e valores para conquistar tudo o que ensejo?
Eu não o faria! Porque prefiro deter apenas uma ínfima parte dos meus sonhos concretizados do que me trair enquanto pessoa.
Com um simples passo de magia tornar a minha vida melhor?
Não o faria! Porque o desafio do dia-a-dia, a conquista do amor, a valorização da amizade ou a persecução do êxito profissional, têm muito mais valor, são mais ricos e preenchem-nos completamente quando conquistados com o nosso suor, sofrimento e esforço. Se eu pudesse, desenhava e coloria a minha vida a pincel tal qual ela tem sido até agora.

 
"Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo." - Fernando Pessoa

tópico d

Fernando Pessoa em sua mais profunda genialidade ritmou em versos o que é mito, sem desmerecer nenhum pouco a reflexão teórica da palavra.

O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo.

Quando fala-se em mito, vulgarmente falando seria algo provavelmente real. A provável verdade, ou o fato contado. Nem sempre concreto. Mesmo assim, Fernando Pessoa em suas simples palavras nos faz ver que mesmo sem fundamento algum, o mito é intenso por demonstrar as verdades reais e presentes. Muitas das semelhanças com nosso atual cotidiano e até mesmo nossas bases educacionais, religiosas, amistosas e amorosas vêm dos mitos antigos.
O termo "mito" é, por vezes, utilizado de forma pejorativa para se referir às crenças comuns (consideradas sem fundamento objetivo ou científico, e vistas apenas como histórias de um universo puramente maravilhoso). Assim vemos, que o mito tem muito mais caráter simbólico do que puramente original. Os leigos diriam que mitos são histórias antigas, criadas a partir de crenças de determinadas civilizações. Entretanto, até mesmo fatos históricos podem transformar-se em mitos. E aí Fernando Pessoa novamente nos brinda com sua incansável sabedoria.
Saudosamente, ele compara o mito com o sol. A forma simples de saber-se real mesmo sem precisar prova ou falar como ele próprio cita no verso. Mitos e mitos, vê-se o real, o puro e o maravilhoso. Depende mesmo é da dimensão de cada um.
Fernando Pessoa sabia que sem mitos nada teríamos. E nisso podemos citar as antigas epopeias. Que são poemas épicos, normalmente heroicos narrativos extensos, uma coleção de feitos, fatos históricos, de um ou de vários indivíduos, reais, lendários ou mitológicos. Ela é responsável por eternizar lendas seculares e tradições ancestrais, preservadas ao longo dos tempos pela tradição oral ou escrita. Sendo assim baseada em elementos históricos, temos histórias como Tróia e a Odisseia.
A epopeia pertence ao gênero épico, mas embora tenha fundamentos históricos, não representa os acontecimentos com fidelidade. Geralmente reveste os acontecimentos relatados com conceitos morais e atos exemplares que funcionam como modelos de comportamento. Daí então, temos uma espécie de exemplos para a vivência. Muitas das epopeias, falam de mitos antigos assim dão uma nova visão aos aprendizes.
Também podemos citar as crenças. Estas são divididas conforme o costume de cada tribo ou civilização. São bastante ligadas a cultura e ao folclore, então nem sempre devem ser reais, ou tratar de fatos históricos. O que se têm é uma forma de continuar a moral estipulada em tal lugar ou região. Portanto, crenças são mantidas vivas através das gerações que continuam as contando. Como histórias.
Porém, em contrapartida, temos também os fatos históricos de onde as crenças utilizam muitos vigores. Destes sim, podemos afirmar que a verdade é a verdade e não há contestações. São fatos estudados e comprovados para o conhecimento geral. Inclusive com documentações. As origens do mito também partem daí.
Fernando Pessoa, aborda com simplicidade o que muitos de nós não conseguiríamos enxergar a olhos leigos. Ele, em sua alucinógena sabedoria, desencadeia o mito como as verdades nem sempre reais que nos ajudam a confirmar as verdades sempre reais. Que mitos são verdades que confirmam as realidades.

Meu primeiro livro, Ensaio, é baseado no mito de Apolo e Jacinto. Assim como meu próximo trabalho literário, provavelmente envolva Teseu ou Hiperião. Mas isso são outras histórias, outras histórias…

_

 
Faz tempo que algumas coisas estão fechadas a sete chaves, faz tempo que algumas sensações foram esquecidas, dessentidas, encerradas. A vida nos põe em provas tão estranhas, nos prega peças, no coloca em enrascadas... estou quase entrando numa, mas me esforçando ao máximo para padecer. Para fingir que não, não está acontecendo nada.
 
“TUDO QUE CHEGA, CHEGA SEMPRE POR ALGUMA RAZÃO”. 
(Fernando Pessoa)