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Horríssono



O chá acabou cedo. Nem são cinco.
Deveras foste audacioso em colocar o sangue das cobras nele. Nem repulsa senti e creio que logo estarei em paz. Ignore meus hábitos, também meus hálitos. Falo demais, sei bem.
Não se enfureça com minha frieza, também não se intimide com meu deboche. Eu sou só um habitante do mundo real citando frases de Sherlock Holmes a cada dois minutos. Ignore meus cachimbos baratos, mas guarde os caros. Ou doe-os!
Meus sapatos, quero-os na vitrine de alguma loja, mas que seja proibido comprá-los. Ao contrário de minhas gravatas, por elas tenho apreço imenso e ficariam lindas no pescoço de alguém. O carro? Não sei o que fazer do carro...
Sobre as flores que deixei morrer? Poderia enterrá-las comigo. Nada como a flor murcha para representar a morte. Interessante! Vou querer uma bandeira no caixão. Mas não, quero que me cremem. Ou não, larguem no mar. Ou ainda não... O carro? Não sei o que fazer do carro…
Sim, a casa. Pinte o alpendre e monte um cassino na sala de jantar. Faça dos dois quartos um só, leve os crucifixos para o orfanato da rua ao lado e deixe todas as janelas sempre abertas. Não esqueça de sempre ferver o chá, mas não vermelho, o verde, de ervas. O vermelho, esqueça-o e não o toque, nunca o toque. Porém o carro? Não sei o que fazer do carro.
Serei solidário. Meus diários, pode lê-los a vontade eterna. Pode publicá-los, vai ganhar dinheiro. Ou  pode queimá-los, como preferir. Nada de lembranças minhas vai trazer o bem-estar de volta. Aliás, ele nunca esteve aqui para voltar. Este bem-estar… o que tralhas como as minhas poderiam causar neste mundo atrofiado. E quem dera que elas salvassem vidas, ou libertassem outras.
Se quiser queimar tudo e desapegar das minhas coisas, está de bom gosto. Não esqueça de me queimar junto com tudo, menos o carro.
O carro? Realmente não sei o que fazer do carro. Eu não tenho carro!

Relato Íntimo


Olhei pra o tempo. Pensei em tudo que é possível viver, dei-me conta que estava destinada à desgraça de viver com a presença da morte constante,a morte dos momentos bons, a morte da minha voz, a morte de quem eu amo, o falecimento progressivo. Estava fadada à nostalgia. Lembrei-me de quando eu andava por uma estradinha perdida que ligava duas cidades serranas. Havia chovido e tudo estava tomado por um ar inebriante, um odor de pés de bananeira e marmeleiro chegava às narinas, plantas verdíssimas orvalhadas compunham a paisagem, era gostoso de ver. Na minha caminhada avistei uma espécie de pequeno castelo branco, aquilo me despertou curiosidade tremenda. Subi as escadas deterioradas, cheias de galhos e flores molhadas. Os portões estavam quebrados, lá dentro, tudo abandonado. Senti aquela coisa estranha, coisa que se sente quando acha-se algo antigo, perdido, fiquei imaginando o aconteceu naquele local há anos atrás, as pessoas que por lá passaram, agora palmos abaixo do chão.Da sacada observei uma construção antiga, Jesus  crucificado , com o rosto tomado de lodo esverdeado e a expressão melancólica, colunas no estilo romano , em uma placa três retratos antiguíssimo , sob moldura clássica e bronzeada.Atravessei a rua e quando avistei de perto vi que tratava-se de um mausoléu construído em 1941. Lá estava o casal Arruda , primeiro morrera a mulher , dias depois , sem motivo aparente , o marido, e lá foram os dois enterrados.
Acontece que hoje, me veio à mente tanta coisa. Na verdade, pensei nos meus romances que nunca acabavam, na prisão que vivemos, em como o mundo castiga a gente. Precisei deitar a cabeça no travesseiro e chorar feito criança, não aconteceu nem um evento que me abalasse especificadamente, mas algo me dói fundo. Por impulso, senti necessidade de uma dor física, e comecei a morder o lábio superior e a arranhar as cochas. Foi dor, prazer, tristeza. Eu ouvia uma música que falava de desespero,  a voz doce de Morrissey cantava:

And I know it's over - still I cling
I don't know where else I can go
Over and over and over and over
Over and over…
I know it's over
And it never really began
But in my heart it was so real

Senti-me exatamente assim,
sabendo que acabava, acabava, acabava… Cacos que refletiam um ser que carregava todas as mazelas em si. Tomei toda a cama para mim e joguei os cigarros ao chão.

It's so easy to laugh
It's so easy to hate
It takes strength to be gentle and kind
Over, over, over, over

Começou a tocar alto. Eu já havia ouvido aquela canção. De repente senti-me flutuar em um lago, um lago no meio de um jardim de Monet. Senti-me moçoila nos anos 30, com toda a pureza e inocência que uma moçoila de 30 carrega no coração. E flutuei por tempos, até que resolvi sair e à beira do lago estavam àqueles sapatinhos de que eu tanto gostava. Bebi uma água límpida em um chafariz disposto em frente a uma casa de portão alto. Tudo como se fosse uma tela de Monet. E senti-me tão bem. E senti a recompensa do sofrimento.
Mas sai do quadro, levantei, olhei no espelho e ao me ver, comecei a chorar novamente. Passou por meu pensamento a imagem do que eu seria daqui a alguns anos, provavelmente o mesmo do que eu sou agora, mas já cansada, acabada, falida. Não deixei o pensamento me assombrar. Entrei pra debaixo do chuveiro, agora sob a melodia de
Morrissey, senti a água escorrendo pela minha face. Morrissey... está entranhado em mim, como o fedor humano.  Não, não posso compará-lo a isto. Como o frescor feminino, sim.

Love is Natural and Real
But not for you, my love
Not tonight, my love
Love is Natural and Real
But not for such as you and I, my love
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head

Lá fora, chamavam-me, ignorei. Deixei o chuveiro gotejar e acompanhei o caminho da gota até chegar a minha pele e
tocá-la em arrepio. Dançava a melodia suave e puramente britânica. De uma hora pra outra o pingo engrossou e agrediu-me. Vi que era hora de parar. Nunca acontecera aquilo comigo. Momentos de “crise” costumam perdurar-se, transformar-se em ciclos que não consigo sair. Mas um momento de tranquilidade e êxtase como esse era raro. Senti cada parte do meu corpo. Senti minha mente livre.
Desejei viver em um tempo diferente, cercada por coisas simples, e amar alguém [e principalmente permitir-me]. Havia vivido uma loucura, ou um nirvana, algo que não sei explicar, apenas descrever.
Sinto estar tomando um veneno lento. Ou um remédio de efeito passageiro.

i'm killing myself from the inside out


  I wear black on the outside
Because black is how I feel on the inside

Estava ouvindo essa música. Ela realmente combina comigo. Em últimos tempos, ainda mais… não tenho conseguido sentir amor por ninguém. Eu até tinha tentado há um tempo, mas acho que não nasci pra isso. Ainda mais quando meus planos são logrados pela vida, e por outras pessoas, na realidade. Batalhei por uma coisa que não deu certo em últimos dias. E eu fiquei totalmente arrasada. De um jeito que eu não achei que ficaria. Não, não estou falando do meu livro. Ele continua firme, e acredito que seja a única coisa que me mantém viva ultimamente.
Minha mãe ontem me disse que eu não tenho coração. Acho que ela está certa, eu já cansei de simplesmente… sentir. Não estou dizendo que não gosto dela ou do meu pai. Gosto deles! Mas já cansei de sentir, já cansei, só.
Acho que são tons de cinza – nada a ver com aquele livro, ok? –, existe o preto, que seria algo concreto. Algo não só obscuro como vivo. O branco, este sim inexistente o bastante para ser morto. E o cinza, que seria um pouco dos dois… acredito que estou em um tom de cinza. E aceito isso!
Estou aqui ouvindo Smiths, escrevendo um pouco, querendo ter algum poder sobrenatural de mudar a vida de algumas pessoas, a morte de algumas delas, querendo reverter algumas situações. 
Tem sido bem difícil, só…

aborígenes



Com o pouco que tinham nos sacos de tecido fino que carregavam à pele e couro, andavam descalços sem um rumo fixo. Vestiam apenas os trapos e o resto Deus lhe decidiu tomar. 
Azar deles por terem tentado surrupiar o céu.

porque não acreditar em mim? por quê?


The boy with the thorn in his side
Behind the hatred there lies
A murderous desire for love
How can they look into my eyes
And still they don't believe me
How can they hear me say those words
And still they don't believe me…

Então acontece aquele dia, em que tu acordaste com uma baita pancada acelerando os neurônios e te impedindo de pensar. Tu intentas mais uma vez pressionar teu intelectual, mas ele é benevolente. Olhes, tens ímpetos neste aspecto e quer saltar pelas ruas.
Intentas mais uma vez em teu lado racional, mas ele insiste em te levar para onde antes estavas. Aquela coisa de quando te julgam, ou te colocam em cruz para imitar a Cristo. Se não te querem ou te apóiam, ou até mesmo riem de teus sonhos, eles te põem lá. Ou eles te dizem o que bem querem, como se tu fosses o idiota maquilado dentro de um caixão, ou como se tivesse as axilas depiladas, e a virilha também.
Eles simulam que tuas bandeiras são infundadas, e que o melhor que deves fazer é desistir. Não, eles não são teus pais, muito menos teus irmãos. São alguns demônios que se dizem amigos. E que para tua surpresa, estavam dentro de ti.
Eles te impunham a deixar-te de lado e tu por vezes, aceitaste. Mas nada como uma boa nostalgia e saudade do passado para te fazer entender o quanto tu mesmo te amas. O teu desejo assassino de amor que cresce desmedidamente e te reserva o paraíso mais tarde. Tu acreditas nele, acreditas ainda em teu coração sonhador e naquelas tardes carmins com algodão doce.
Tu te impunha contra tudo o que venha contra ti, e te levanta. Porque tu tem teu ideal e não, ele não muda. Ele te faz mais forte porque corre em tuas veias e te queima. Por mais que seja verdade, não tens interesse em impressionar as pessoas, hastear bandeiras. Essas bandeiras já estão hasteadas dentro de ti há um punhado de tempo e agora é difícil mudar. Não, não te peçam para mudar, para ser diferente. Quem te amar vai te amar assim.
Repetes que ainda precisa de amor e acho que é algo que tu jamais terias realmente, mesmo assim seria proveitoso. No entanto, preferes  escrever sobre ele, como um estudo, ou o herói que todos preferimos acreditar.
E esse amor, cujo tu falas, não é amor conjugal apenas. Sei bem. Falas do amor verdade, do amor apoio e compreensão, do amor aceitação e dignidade. Precisas ainda de gente que te entenda e que consiga aceitar tuas escolhas como és capaz de aceitar as deles.
Nesta infinidade de chateações, te perguntas: Porque eles não acreditam em mim? Por quê?

 




The Smiths ~  ♥ 

pitre


Olhos verdes, não, azuis… quase brancos. Grandes e expressivos, olhos que nunca mentiam. Cílios dobradiços, os lábios vermelhos mais mordiscados do que uma maçã, cabelos lisos, macios e virgens. Ah, o sorriso. Sincero e debochado como o de um Coringa. As mãos largas, os braços fins, a pele levemente rosada, mas fria com o ventinho chato da cidade em que vivia. O estilo desleixado, o amor pela literatura… um oásis de perdição, um apocalipse!
Ele era como a cereja em cima do bolo. Agia com o coração… Ora, pois, ninguém avisou que ele tinha um coração cruel e que o vermelho de seus lábios era o sangue de alguém. Ele era como um vampiro que sugava a vida única de seus seguidores. Uma vez que, se alimentava do amor do próximo, que lhe fazia rir.
Ele era como o compêndio de todas as coisas que se podia amar, e talvez odiar… sua pele não suava, habitava o egocentrismo do gelo e do inverno sem fim. Sua mente era apertada, entretanto, sua anatomia era exposta.
Libertino!
Gritavam alguns. Ele ria por saber que era insultado. Porém, seus olhos nunca o deixariam mentir. Eles carregavam uma sinceridade tão pura. A mesma intensa chama presente no vermelho ácido de seus cabelos. A fome…
Ele era a fome do sorriso entre as orelhas. O cansaço das babaquices ditas, feitas, sem graça alguma. O amor feito sobre uma rede de pesca, ou em mar aberto, entorpecido de humor negro. A insignificante estrada da vida e o ser ou não ser. Era a solidão e a multidão juntos, em companhia. Era as boas maneiras e os escupitajos grosseiros e descorteses. A saliva de cada impropério exagerado e era ainda a mais antiquada de todas as criaturas.
O que ele tinha, ele mesmo repunha. Ficar só não doía, nunca doeu…
Ele era um artista nato, sem muitos esforços. Simples e sem nenhum atrativo espalhafatoso… Céus! Mais embaixo… apenas criativo e genial. O donzelo, o queridinho. Ele era sangue, chama acesa, paixão latente, lágrima abundante…
E a mania de ser assim, exatamente como ele era, o levou além...

em estrada


Ele encontrava-se parado, imóvel em um caminho sem fim. Não sabia para onde ir.
As trilhas eram abundantes, mas mesmo ainda que tentasse não poderia distinguir nenhuma. Então, começou a pensar, e a questionar-se.
Já havia pensado, alguma vez, que uma decisão sem importância poderia mudar totalmente o rumo de sua vida? Não conseguia encontrar uma resposta. Ou por acaso não a queria encontrar.
Começou a caminhar, estava sozinho, não havia ninguém ao redor e isso não dava ânimos, queria despertar em uma manhã e dizer: Não desejo coisa alguma, vivo segundo o que quero, o que amo, o que digo. Busco essa suspeita de entusiasmo, esse ânimo de emoção, cujo qual, não se vive sem.
Era assim, e ele sabia. Mas era inútil o seguir procurando. Não encontraria!
Algo o impedia de seguir sua busca, estava preso. Na trilha?
Não! Estava preso em si mesmo, impedia-se de progredir, mas, todavia, parecia dar-se conta pouco a pouco. E pausadamente via os caminhos da trilha se abrirem.
Tomou sua rota e seguira caminhando…

Multiplique isto pelo infinito, leve-o até o fim da eternidade e terá apenas uma noção do que eu falo.

fille ailée - a garota de asas


Ela tinha um sonho que foi borrado de sangue.
Não gostava de esperar, não gostava do amanhã.
Era impaciente, tinha sede de viver.
Não conseguia, tinha vontade de gritar,de correr, de brincar, de rir, de viver...
Contava piadas em momentos inoportunos, ria da desgraça alheia,tomava banho de lama, saá na tempestade sem medo de se molhar.
Gritava para ouvir meu eco chamar, sorria para estranhos, admirava o luar.
Não havia nada que quisera mais do que o "hoje", e como dizia o poeta "Viva o hoje, pois o ontem já se foi e amanhã talvez não venha".
Todavia, ele não veio.
Às vezes não sabia por que continuava, às vezes a única coisa que desejava era desaparecer. Estava cansada da vida, cansada do trabalho, cansada dos amigos que só abandonava, estava cansada de si mesma.
Às vezes achava a vida mesmo engraçada… conhecia pessoas e pessoas, crescia, largava alguns velhos costumes, mas continuava com velhos hábitos, chutava alguns amigos, via pessoas partirem da sua vida, via outras chegarem de surpresa, você sofre, ri, ama, chora, se diverte, se arrepende ou não…
E isso tudo pra que? Por quê?
Ela realmente não sabia. Simplesmente deixou esta pergunta para o futuro responder.
Só queria que um dia os gritos dentro de sua cabeça parassem de ecoar. Só queria ganhar um abraço sincero, um abraço de quem sentia orgulho ou pelo menos algum sentimento não tão inferior.
Queria que um dia seu coração parasse de sangrar, e ele parou.
De sangrar, e de bater.
Ela tinha uma vida inteira banhada a sangue.

P.s: Não sou eu, é só um conto diabólico e absurdo. Entretanto, podem me chamar de garota de asas, e eu realmente acredito que morrerei de forma trágica.

olhos ciganos

Era ele... 
Dono de dois olhos intensamente amendoados. Um oásis de perdição e fúria. Tão profundos como uma floresta negra e faminta. Olhos de um cigano, olhos ciganos, nômades, sem paradeiro... 
Os olhos mais belos do mundo não costumavam sorrir.
Quando ele os levanta, algo se acende e se enobrece. Quando ele os esconde, algo se acalma. O forte enlace dos cílios, logo se torna fraco, miúdo e ele novamente os levanta.

Quando ele mira é um tiro certeiro. 
Apunhala sem dó nem piedade, ofende, espanta... 
Acaricia e ama! Faz pouco caso e idolatra! Protege e abandona!


 Faz-se puro e faz-se insano!

aprendi a ser indiferente, talvez

Chega a ser estranho como consigo me irritar em intervalos tão curtos de tempo… é sinistro o jeito como acontece. Em como estou bem, e de repente me vejo no inferno e nem consigo mais olhar minha própria cara no espelho!
Discrimino aqui uma crítica a mim mesma, a minha burrice e demência, mas isso deve ser da minha natureza. Sim, eu devo ser uma mula, uma anta, uma tola miserável. Ah, Guevara, queria eu ser como você. Porque desta vez, não fui eu que errei.
O pesadelo?
Ainda bem que eu acordei dele e agora vejo tudo de forma mais clara e menos úmida. Não estou preocupada com traição, my friend, mas sim com incertezas, e palavras não ditas, repetidas, oprimidas. Falo da insistência em me espezinhar, em mexer com quem amo, com o que creio, e com o que amo.
Falo ainda, da petulância de sentir-se ofendida. Lembre-se sempre de uma coisa: Nunca é bom me ter como inimiga, por isso quando revira minhas tripas, não espera que eu seja justa.
E eu fico aqui tentando, inutilmente, salvar a nossa vida. Que tolice a minha!

Às vezes eu ainda acho que não sei nada sobre mim, de verdade, comigo é tudo uma surpresa. Para as coisas boas e principalmente as ruins. Você não gosta quando eu fico remoendo minhas feridas, mas esquece que volta e meia é em mim que elas sangram. Não é justo que você queira que eu esqueça. Sendo que volta e meia cutuca as mesmas feridas e as faz sangrar outra vez.

Hoje, senti vontade em apenas te despejar tudo o que eu queria dizer e estou sentindo. Mas você me odiaria demais pela minha infeliz sinceridade. Então desisti e pisei em cima dos cascalhos de forma fria... Tudo bem!

Nada como agir uma vez na vida, com indiferença…

se tenier debout

Eu estou há anos confiando neles, como um deus confiaria, como um pai confiaria, mas ando estupefada. Ando tentando coçar meu nariz romano com voracidade, entretanto, os parasitas atacam-me com doçura. Comicha a falsidade entre o ambiente mórbido e sujo, e eu ainda confio. Sinto entre as minhas veias, uma raiva ímproba que eu há muito havia esquecido.
Mas eles continuam a falar!

Ando estupefada de ver a capacidade do ser humano em ser preconceituoso, maldoso e nojento. Der ver que tanta gente neste mundo, ainda acha que seu umbigo é maior. Existe gente passando fome, existe gente morrendo.
Eu estou pouco me fodendo se seu namoro não deu certo, se o carinha original te deu um fora, se a gatinha te mandou pastar! Eu estou pouco me fodendo se você se acha superior, e se a sua verdade é a verdade e mais ninguém importa! Estou me fodendo também para seu egoísmo, sim ele, você se corrói por suas próprias atitudes. Acha que pode repudiar o que quiser, mas não quer ser alvo de repúdio!
Cresça! Be happy! Se tenier debout!
Seja no Facebook, no Twitter, no Orkut o que você é na vida. Se mostre, não fique aí tentando causar impacto com palavrinhas bonitinhas que há uns meses não sabia o que significava. Não tente dizer e afirmar o quanto é culta, o quanto os outros dizem que você é culta, seja culta!
Tente articular o que quer passar, não seja incoerente consigo mesmo. Viva, e não tente fazer com que aplaudam sua morte. Ela é pouco demais, e um dia você vai aprender. Vai aprender que aquilo que a gente tenta e aparenta ser, não é o que somos de verdade. Vai aprender a aceitar isso!
Ou melhor, acho eu…
Sim, eu estou cansada! Cansada de gente insegura e cheia de mimimis, cansada de gente bobinha e infantil que acha que tudo se baseia em amorzinho e depressão. Há coisas maiores na vida! Como a família, da qual tem gente que diz odiar! E diz odiar até perder alguém, como eu sei que perdi e sofri, e chorei, mas reagi!
Ando cansada de gente que só sabe apontar os dedos, e esquecer que três voltam para si. De ver esta gente rindo e achando que tudo está bem, sob o seu controle. Você não tem controle de NADA!
Ando cansada ainda de mim, sim, por tentar por vezes ser o que não sou para agradar alguém. Por servir de tapete para alguém, por esse alguém sempre encontrar um jeito de me ferir!
Cansada de tantas pessoas pequenas, miúdas, pedantes. Cansada estou de dar chances e mais chances para tais pessoas, e ser sempre uma burra!

#prontofalei e o texto lá de cima é meu!

memórias póstumas

Hei!
Consegue me ouvir?

...

Acho que não! Acho que você já deve ter me esquecido não é mesmo?
Sempre que te olho daqui de cima, consigo ver um sorriso nos seus olhos.
Mas que bom que você é feliz.

Eu sei que te magoei demais. Na verdade, eu não tive oportunidade de te dizer tudo o que eu queria. Eu juro que eu ia consertar tudo, eu juro!
Mas não deu tempo...

Sabe, que nem doeu. Todo mundo ficou chorando por mim... Mas eu me libertei, encontrei minha família, meus amigos. Eu senti falta deles. Eu e eles passamos algum tempo conversando. Mas aqui não é permitido fumar...
Que pena!

Honestamente, nunca achei que viria para cá. Mas acho que de alguma forma eu fiz bem p'ras pessoas. Expirei algumas guerras com algumas de minhas palavras. Queria mesmo acabar com a guerra entre nós dois.
Mas não deu tempo!

...

Hei!
E se tudo pudesse ser diferente?
E se eu não fosse tão infantil e estúpido?
E se eu tivesse tempo para dizer tudo...
E se eu assumisse que você sempre foi o melhor dentre nós dois?
E se eu não ficasse maluco?
E se eu enxergasse que ficar ao seu lado era tudo o que eu queria?
E se...

...

E se eu apenas dissesse que te amo?

...


Não ouviu...
E se eu pedisse?
Olhe para o céu e lembre-se de mim assim.
Eu vou estar aqui me perguntando e questionando.
E se...
Sempre vou me culpar por não saber o que poderíamos ter sido.
Talvez fossemos mesmo invencíveis juntos.
Éramos amigos.
Cumplices.
Amantes.
E se...

Eu posso te ver, mas você nem sabe.
O que posso fazer é apenas te seguir...
Meu amor vai te acompanhar para sempre, certo?
Vou cuidar de você.
Certo.

for one depressing


A luz bruxuleia por algum motivo criança, não queira segurar a coleira em rédeas vastas.
Sente-se um pouco, respire! Pare de arfar e ansiar por objetivos vazios.
No fim, a nefasta parece mais nobre do que a recata. 
Os infortúnios passados não lhe devem ser ignorados.
Ore! Queira ser ouvido, garoto! Existe vida pulsante em cada músculo seu, ore!
Se algum dia perceberes que a vida não é tão mundana assim, deixe de lado os pensamentos vãos e aproprie-se do poético. Venha para o meu lado, eu salvo sua vidinha miserável!

Rubaiyat


Satisfaça-te neste mundo com poucos amigos
Não busques tornar durável a amizade
Que possas sentir por alguém
Antes de apertares na tua,
A mão que te estendem
Pergunta a ti mesmo se ela algum dia
Não se erguerá para ferir-te.

changements du monde'

Eu abandonei muitas coisas que faziam parte de mim ao longo do tempo. Eu deixei de ser o que eu queria, acabei me limitando e morrendo muito nestes anos todos! Apanhei tanto da vida, levei tanto na cara por conta do meu orgulho comedido, cansei demais das coisas boas, deixei de lutar pelo que eu acreditava porque assim seria melhor para os outros. E me esqueci, completamente e infantilmente de mim.
Meus anseios, minhas vontades, minha essência... Me deixei levar!
Foi por pouco tempo, mas o suficiente para deixar a vida me estranhar e me jogar no destino. Feito um ser humano sem nada. Fútil e inútil!
Quase me anulei!
Acabei mudando meu jeito de vestir, meu jeito de falar... Virei hippie e abandonei meu estilo punk. Isso quase matou a Nik de antes. Mas graças a Deus, a sanidade voltou, mas não mais a tempo de remediar e conviver bem com a solidão... Essa das piores solidões. A interior! Distanciei-me daquilo e daqueles que eu amava – que eu ainda amo – Foi-se embora a alegria de cantar outro papapa, de subir, de descer... Estive no topo o tempo todo, mas não como queria ou achava que deveria e isso doeu! Era tarde para chorar, mas ainda dava para tirar da vida o que ela tem de melhor: Aprendizado!
Eu acreditava firmemente que eu não enlouqueceria mais se enterrasse a antiga Nick em um buraco negro. Mas ao contrário! Caí num poço quebradiço de lama e vi que poucos me estenderam a mão. Enlouqueci ainda mais... Tanto que neste momento me sinto tão lúcida que nem respiro se pensar demais!
Esqueci de viver, odiei gente, odiei a mim mesma, me amei, me crucifiquei, machuquei os outros me machucando, mentindo e sorrindo... Meu sarcasmo me consome! Eu ainda sei que umas lembranças são vergonhosas, que algumas são indecentes... Mas eu era feliz! Pelo menos feliz! Não quero mais virar isso ou aquilo. Eu tenho personalidade, eu sei o que quero e quero ficar nisso agora! 

vient à beaucoup de mouvement, je veux arrêter