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i'm killing myself from the inside out


  I wear black on the outside
Because black is how I feel on the inside

Estava ouvindo essa música. Ela realmente combina comigo. Em últimos tempos, ainda mais… não tenho conseguido sentir amor por ninguém. Eu até tinha tentado há um tempo, mas acho que não nasci pra isso. Ainda mais quando meus planos são logrados pela vida, e por outras pessoas, na realidade. Batalhei por uma coisa que não deu certo em últimos dias. E eu fiquei totalmente arrasada. De um jeito que eu não achei que ficaria. Não, não estou falando do meu livro. Ele continua firme, e acredito que seja a única coisa que me mantém viva ultimamente.
Minha mãe ontem me disse que eu não tenho coração. Acho que ela está certa, eu já cansei de simplesmente… sentir. Não estou dizendo que não gosto dela ou do meu pai. Gosto deles! Mas já cansei de sentir, já cansei, só.
Acho que são tons de cinza – nada a ver com aquele livro, ok? –, existe o preto, que seria algo concreto. Algo não só obscuro como vivo. O branco, este sim inexistente o bastante para ser morto. E o cinza, que seria um pouco dos dois… acredito que estou em um tom de cinza. E aceito isso!
Estou aqui ouvindo Smiths, escrevendo um pouco, querendo ter algum poder sobrenatural de mudar a vida de algumas pessoas, a morte de algumas delas, querendo reverter algumas situações. 
Tem sido bem difícil, só…

everyday is a new day ~

Exatamente hoje se completam 6 meses que meu tio faleceu. Acordei , já sabendo que dia era, já sentindo o cheiro, já sabendo, de alguma forma meio estranha, mas sabendo.
É bom que esteja passando bem depressa. As mudanças em mim têm sido drásticas, e fazem jus a minha alienação. Não que eu já não fosse estranha antes, mas agora eu estou mais seca. Prefiro não colocar frases aqui do tipo: “Ah, estou sofrendo pra cacete.” “Deus é injusto!” “A vida é uma merda!” – porque simplesmente não são coisas das quais eu acredito. Apesar de sentir saudades, e de achar a vida decepcionante às vezes.
Acho que ainda estou mais serena. Já ouvi um velho dizer que o sofrimento fortalece. É um pouco cruel, mas é verdade. Verdade também que neste sexto mês eu decidi encarar a realidade. Meu tio morreu, sim! E é horrível saber disso. Por esse principal motivo eu vinha de arrasto tentando me esconder da realidade.
Se eu estou triste? Claro que sim. O bastante para não querer perder mais ninguém que é importante para mim. O bastante para aprender a dar valor a certas coisas que eu não dava antes. O bastante para escrever meus livros para dedicar ao Tio.
Eu com toda a certeza dessa vida estaria mentindo se dissesse que superei, que estou bem, que me levantei… mas posso dizer que estou levando, começando cada dia de cada vez, cada instante de novo, respirando mil vezes e vivendo. Sim, eu já melhorei muito…
Sei que meu tio está bem,  sei que está feliz, sei que continua com aquele sorriso que sempre trouxe felicidade a cada um próximo a ele. Sei ainda que jamais esqueceria do amor que recebeu aqui, e da força que trouxe a muitos, inclusive para mim.
E apesar de hoje o dia ter amanhecido sem cores, o sol já saiu.

Sim Tio, obrigado por tudo! Obrigado por se tornar o motivo do meu despertar a cada manhã. Eu estou muito feliz por apenas ter feito parte da sua família!
Te amo…

_ still hurts _

Hoje se completam 4 meses…
Eu, na minha infantil visão de vida e morte nunca acreditei que fosse tão difícil dar adeus a um familiar. Mas acredite, isso dói muito! E podem se passar mil anos, isso sempre vai me machucar.
O que me conforta um pouco, é que meu tio foi um grande homem, merecedor de toda a admiração e amor que podia haver nessa vida. E sei, sinto que ele está bem. Apesar de que, tudo isso ainda não extermina o meu egoísmo.  Por mais que eu soubesse que ele sofria com o câncer, eu inevitavelmente, desejo que ele volte.
Mas ninguém pode com a força divina…
Eu tenho estado afastada, tentando acreditar que nada aconteceu de fato, mas eu ando me escondendo da realidade e isso dói bastante. A realidade é cruel. E mais cruel ainda é o fato de tu ter de enfrentá-la.
É tão estranho o jeito como as coisas acontecem conosco.
Nós acabamos nos perdendo intensamente, vocês não acham?
E eu fico me punindo pelas coisas que acontecem. Com o peso do mundo nas costas, como se tudo de podre fosse culpa minha, como se eu fosse o inferno, ou a falta de Deus. Na realidade, o mundo permanece o mesmo. Apenas com um motivo a menos para se viver…

Sábado é aniversário da filha da minha prima, e ela ligou querendo que todos nós fossemos. Mas eu não vou! Sinto que não estou pronta para isso…
Quanto a isso de amor, eu sou estranha.
Não consigo ver amor como algo tão banal a ponto de dizer “estou sofrendo por amor”, acredito sim que amor existe, acredito ainda que não apenas uma vez na vida, e acredito mais que não só em sentido passional. Ora, porque o amor não pode ser colorido?
Eu acredito em amor fraterno, acredito em amor materno/paterno, acredito em amor platônico e também em amor próprio. Porque para amarmos alguém precisamos aniquilar o que somos em função do outro? Isso não é amor, é burrice.

O amor verdadeiro, tendo a origem que tiver (mãe, pai, cachorro, Beatles, Messi), não negligencia, muito menos te obriga a deixar de ser quem é. Ele reconsidera! Sim, o amor verdadeiro ama assim, sem mudar. Afinal, se mudarmos a cada pessoa que amarmos, deixaríamos de ser alguém para quem nos ama sendo assim como somos. Portanto, é ilógico e não faz sentido!
O que acontece é que só o que eu vejo é isso: “meu amor, porque você me deixou” – “eu só sei sofrer por você” – “oh, como eu estou apaixonado(a)”. Nisso aí, eu só vejo gente desmerecendo o amor e comparando ele com paixão. Tá errado isso!
Sinto muito, meus caros, mas isso não se trata de amor. Amor, com certeza desperta altruísmo. Temos vontade de tudo por aquele ser que amamos (e repito, não precisa ser só um garoto ou garota, pode ser a mãe e o pai SIM!), mas altruísmo não quer dizer burrice. Nunca, deveríamos nos vender por outro alguém, o amor próprio necessita vir antes de qualquer outro amor!
John Lennon costumava dizer que All you need is love. E acho que ele não quis dizer que precisava ser conjugal, ou que precisava vir de outra pessoa. Por que o amor não pode vir de você mesmo? Por que amar você não pode ser mais importante do que amar outrem?
Para mim, alguém que trolla a si próprio por outro é no mínimo burro, ou de repente patético. Não, eu não vejo assim! Se o amor é generoso como Cristo pregou, porque não somos generosos com nós mesmos?
Sério, às vezes isso se assemelha a putice.


Não, é verdade mesmo.
Amor não é apenas conjugal, casal, homem, mulher, beijo, abraço, carinho, apego, separações e etc. Pow, amor é família, é Deus, é sagrado, (para quem não acredita em Deus, eles amam a ciência, portanto é o que eu digo).
O que quero dizer, com toda a franqueza, é que amor não é uma aprendizagem teórica. E que é legal você sentir isso pelo seu namorado, mas também pela sua mãe, pela sua banda favorita, pelo seu cachorro… sacas?
Não confundam o amor com paixonite, POR FAVOR, assemelhem o amor com Philia (saiba o que é aqui), aí sim vamos estar falando a mesma língua.

Creio que meus desejos foram realizados, pois agora estou muito mais serena. Finalmente Deus me deu atenção, e hoje sinto uma luz aqui. Estou mais tranquila e tão cheia de vida. Na verdade, acho que sempre estive cheia de vida, mas nem tão disposta como agora. Estou cheia de vida para dar!
Recordo agora que tudo se é para o bem, que as decisões de Deus são um ato de amor, que Ele é misericórdia, que toda a crise é um cambio e que o cambio sempre é necessário que o mundo é bonito.
O universo nos convida sempre a amarmos nós mesmos, também nos diz pra amarmos o próximo como a nós mesmos. E eu aprendi que talvez ame mais algumas pessoas do que a mim mesma... sim, seria difícil me imaginar confessando isso, mas eu sei...
Consegui entender que as separações são só um espaço um pouco mais amplo, porque sempre estaremos no coração de quem passa por nossas vidas e estes sempre estarão em nossas vidas. Sempre estarão em nosso coração...

Tio, você sempre vai estar no meu coração, eu vou lembrar de ti a cada dia em que eu estiver neste mundo, e eu quero que saiba, que se lembre que eu vou amá-lo para sempre, para sempre!
there's a hole in my soul that's been killing me forever
it's a place where a garden never grows

Aerosmith ~

saudade...

A palavra mais doce que se pode haver na vida, mas também a mais amarga.

Sim, mais uma vez a depressão consegue me abater. Valeu depressão!
O problema agora parece insolúvel. Na verdade, parece maior do que todos os outros que eu já tive. Talvez porque dessa vez, não dependa só de mim.
Eu ando em um momento de nostalgia. Não, na verdade não é nostalgia. Eu sinto arrepios, mas não de prazer, sim de desgosto. Porque sei que algumas coisas nunca mais irão acontecer, algumas coisas jamais serão ditas, porque eu sei que eu jamais serei aquela menina de antigamente... Não é o sentimento fortalecedor de nostalgia, e sim saudade. Em sua forma mais cruel e traiçoeira que se possa imaginar.
Eu me lembro de cheiros, versos, músicas... Elas me fazem me lembrar de outras músicas, e de algumas pessoas. Das coisas que eu passei ao lado de algumas pessoas, das coisas boas que eu ouvi, e também das coisas ruins. É como se nada tivesse passado, como se as coisas ainda estivessem aqui, debaixo das minhas fuças.
Talvez eu seja mesmo cega, ou doida, por desejar algo que eu não posso ter e pior, por não desistir disso em momento algum. Mas para mim isso se chama perseverança. Eu nunca fui acostumada com ela, mas parece que nos damos muito bem!
Por mais que eu ainda acredite em coisas boas, que o fato de ter certeza de que as coisas mudam me conforte, por mais que eu ainda tenha esperança... A saudade me estraçalha. Em certos momentos eu choro, eu não tenho vergonha de dizer que eu choro por me lembrar das coisas, por me lembrar dele... Muitos vão dizer: ah, era só o seu Tio! Sim, era só meu tio, e SÓ isso foi suficiente para que eu me orgulhe por fazer parte da família dele.
Eu choro sempre que lembro dele, sempre que toco no nome dele, sempre que escuto sobre ele. Eu choro às vezes sem nem me tocar. E me seguro, mais do que posso! Eu segurei estas lágrimas por muito tempo! E essa ferida, não cicatriza, nem sei se vai cicatrizar. É como um buraco, se isso dá pra entender...
A saudade não é um sentimento bom, ponto final. Não quero mais sentir isso!
Dói! Dói muito...


Se você aí soubesse a raiva que eu sinto por simplesmente não ter convivido mais com ele nestes últimos anos. Olha, se eu pudesse, eu ficaria ao lado dele, só ali, sem fazer nada... Eu achei que eu saberia, mas definitivamente não sei lidar com a morte. Se você aí soubesse a tristeza que me dá só de lembrar dele, saudade é pouco, a dor é imensa e irremediável. Se você aí soubesse o quanto machuca perder alguém da sua família.
Por isso, meu caro, minha cara... Dê valor a seus entes queridos: Seu pai, sua mãe, seu tio, sua vó... É terrível ver um deles partir. Partir para longe, para sabe-se lá onde...
Dói! Dói muito...

Adeus!


E eu aprendi que existem dores maiores do que as dores de amor.
O amor é só um sentimento, ele no fim nem faz tanta diferença. O amor não exige o contato, como diria Lulu Santos: sem a menor pretensão de acontecer...

O que machuca mesmo são as pessoas, as lembranças, a certeza de que nunca vai ser igual, e não porque a pessoa foi ser feliz com outra, mas porque a pessoa foi embora para sempre. Eu aprendi que quando se perde alguém para outra pessoa, é digno, porque a felicidade é sempre bem vinda, isso não tem a ver com egoísmo. Mas quando um ente amado seu vai embora para Deus, isso sim é dor... Nada te conforta, nada te ajuda, nada consegue fazer você parar de sangrar. São coisas que com um novo amor, não se curam!
Amor, paixão, casal... São coisas bonitas e boas criadas por Deus, e que podem continuar a ser bonitas sempre.
A morte, ela não foi criada por Deus e é irremediável! A morte de alguém que eu amo, conseguiu acabar comigo. Acredite, isso é bem maior e mais grave do que a dor do amor, a dor do romance, a dor dos conflitos. A dor da morte, é a dor do Adeus.
Aquele que você não tem certeza...

So why?


Em pouco tempo fará um mês que perdi meu tio, meu grande tio. Vítima de um câncer descoberto há dois anos. E eu ainda não me conformo!
Sei que todo mundo passa por isso, e que a vida continua e tudo mais, mas eu não consigo me acostumar com isso. Não, eu não aceito que uma pessoa sofra assim, não aceito! Se a vida é injusta, Deus é injusto? Eu confio em Deus, e agradeço muito pelas coisas boas que já me aconteceram, mas por quê? Só isso que eu queria saber.
Eu não consigo entender coisas assim. Não consigo levantar... É algo que me mata e me machuca toda vez que eu penso. Por que justo o milagre que eu pedi não foi atendido? Por quê? Eu ainda não entendo os planos de Deus. Eu posso estar sendo egoísta por querer meu tio de volta, mas eu estou sendo sobretudo humana. Quantas vezes eu pedi pra trocar de lugar com ele. Eu não aguentaria? Não sei, não sei de mais nada... Eu só não compreendo.
Não sinto uma saudade boa agora, e nem sei se um dia eu me recupero disso. Eu só consigo sentir dor, muita, muita. Como se meu coração estivesse rachado. É normal? Não consigo ver normalidade nisso, não sei onde está o mundo bom. Não é bom! Nunca será a mesma coisa sem meu tio.
Eu só peço a Deus que me mande um sinal, porque... Eu realmente não sei o que fazer. Que me ajude a entender essas coisas da vida. Por que se for mesmo para as coisas um dia acabarem, eu prefiro que acabe agora!