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Verbum


 
Gosto muito de ir ao sentido das palavras, na poesia, na literatura, até mesmo na simples conversa. São muitas as vezes em que dou voltas às palavras, à sua origem e ao seu significado. Muitas vezes cheguei a dizer aos meus alunos para, em caso de dúvida sobre o sentido da frase, colocarem perguntas à(s) palavra(s). Se é uma negação, uma afirmação, se é composta e de que forma. A beleza está em dar corpo à racionalidade. 
Nós, humanos, temos a tendência em colocarmo-nos, ou apenas no lado da razão, ou somente no lado do corpo (os sentimentos, emoções, sensibilidade). Parece-me que a grandeza reside na capacidade em articular ambas. Que tem a sua dificuldade. A nossa parte animal impele à reação imediata: chama-se sentido de sobrevivência. Quando se centra no racional, pode-se ficar num intelectualismo perigoso, que esquece o quotidiano, o toque do sentir. Dar corpo à palavra poderia ser essa capacidade de articulação dessas duas dimensões tão nossas. A palavra é a razão, o seu sentido mais profundo em nós seria a encarnação da mesma. Também por isso dou muitas voltas ao prólogo. A Palavra que constrói a morada carnal na humanidade. É o contínuo jogo entre a razão e os sentimentos. 
O Humano é chamado à Palavra e ao Abraço.

No entanto, uma coisa necessito dizer... nunca deveríamos ter abandonado o latim. "Adunasse lingua". Em suma, vou debutar todos os posts deste mês em latim... ou quase todos.

Cartas de Lancelot - O íntimo, o âmago

Cartas de Lancelot - 1ª carta: O íntimo, o âmago


Outra vez o vazio…
Eu estou triste, não, miserável. Deveria encontrar um jeito de descansar minha tristeza nos braços de alguém. Mas o mais nobre a ser feito é descansar dentro de mim. Assim prefiro, sem ninguém por perto! Medo de sofrer… vós sabeis daquele medo? Ele desacoroçoa-me a todo o momento.
Não pudera dizer que nunca sofri, mas alimentei-me da esperança que exala das solas de vossos sapatos. Alimentei-me ainda do inalar das meias noites em que descobri que vosso cabelo cheirava a mel e a sangue. Sobretudo, vossos batimentos cardíacos que retumbam nas extremidades de meus tímpanos, numa tortura divina.
Porventura, vossa majestade não desconfiar-se-ia de minha postura esperançosa e da excitada paixão por trás de minha armadura. E eu, em minha vulnerabilidade, jamais pediria que soubésseis. Por este motivo ouso escrever esta carta que jamais ousaria entregar-vos. Ela é a primeira das tantas que acalentaram cada noite mórbida sem vosso corpo garbo perto do meu.
Então vos digo por cá, como se pudésseis ouvir. Vossa presença me domina os tendões, e diferentemente do meu esperado, sinto frio quando estais por perto. Vosso nobre rosto, com um sorriso trigueiro a cavalgar sem destino faz-me sentir calafrios, arrepios, coisas sem razão. Ele aparece sempre que escuto o choque estridente de minha espada acertando alguém, como um brilho de eufórica paixão por lembrar-me de por quem estou o fazendo.

Creio que eu, um mero merecedor do paraíso como todos os filhos de Deus, não lhe deveria pedir muito. Apenas ei de orar para que a força sagrada me tenha pena e espante a névoa tão atroz que me entorpece de medo. Sim, tenho medo de sofrer, medo de sentir a cruel sensação de perder o chão e não poder tocar o céu. Tal como senti quanto perdi o amor de minhas vidas e mortes, e não falo de Guinevere… tolo, eu, tolo! Perder o que nunca tive; Afinal, nem todos merecem o amor em vida. O que direi eu? Um facínora de caminho longo, destino incerto, traição e justiça sanguinária pelo chão dos bretões. Queria eu, ter o coração derramado aos campos, escorrido perante vossa armadura, mirar meus olhos escarlate em vossos tão piedosos anseios e dizer que Amo-vos, meu Rei! E por maior que seja minha dor durante a vida inteira, as minhas intempéries serão salvas e ganhas por saber de vossa existência.
Pisoteeis-me!
Fazeis de mim vosso escravo, vosso chão, vosso escárnio de normalidade. Arrancas-me de tuas iras benevolentes e colocai-me de joelhos. Fazeis-me chorar durante as noites bonitas, a olhar o mar longo pertencente ao vento frio. Fazeis-me implorar por vosso calor, e vossas mãos em mim, fazei de mim uma de suas odiosas criaturas. Caricaturas-me como vosso monstro e produzis vossa prole em mim. Abusas-me como se abusa de um rio. Fazeis-me de todo vosso, sem nenhum pedaço solto ou largo; Persuada-me, excita-me, apunhala-me, fazei de mim vosso servo e vosso mais corajoso amante. Dá-me o estímulo, e a vossa raiva. Aceitas-me e aceitas também meu cântico de amor sob vossos pés…

Rasgo-me de um lado a outro, e neste momento, minhas metades crêem na morte eterna. Serei para vós o melhor cavaleiro, meu Rei. E jamais perturbar-vos-ei com minhas vontades. Creio que vossa presença representa o mais próximo da felicidade que tive. E basta!
Porque não amo apenas o vosso corpo e vossa alma, amo também vossa vida, vosso posto, e vosso altruísmo. Amo a vossa fonte de generosidade, e vossos olhos misericordiosos. Amo ainda, vossas mãos ásperas e calejadas, vossos cabelos não expostos, cobertos pelo elmo de cobre e por sangue. Amo mais, as vossas palavras sem motivo algum para amá-las. Amo vossa voz impávida e, sobretudo, amo vosso coração que me cabe amar sem nada dizer. Sei que nele está tudo o que quero e que eu jamais ousaria ter…
Bem verdade que eu deveria odiar-vos, mas a vossa é a minha vontade. Amo-vos, Arthur!

p.s: Lancelot foi o primeiro cavaleiro da confraria de Arthur. Ao contrário de todas as histórias, a história britânica é complicada e incerta e ao que tudo indica, Lancelot seja apenas um personagem mitológico dentro de tudo. Ainda assim, eu amo demais sua bravura! Por isso, tive vontade de dar origem a estas cartas que ele supostamente escrevia a pensar em Arthur, seu Rei.


a sustância da cor

Solta as amarras que te agrilhoam os pulsos e liberta-te. Vem ter comigo, junto ao calor, à hora marcada, quando o sol se tiver encostado à água cristalina e límpida do oceano.
No vento desenharemos a felicidade, porque esta pode ser construída a partir de grãos minúsculos, imperceptíveis, das mais pequeninas coisas, dos sentimentos mais apagados, dos olhares mais tímidos ou dos sorrisos mais desvanecidos.
Cabe a nós dois transformar esses pequenos “nadas” num “tudo” grandioso, para sermos finalmente felizes.
Vamos aprisionar-mos então em nós mesmos, ler nossos olhos, sentir nosso gosto. Vamos injetar colorido na veia, fazer arder até convulcionar. Vamos correr pelo mundo esguichando verde e lilás pelas calçadas, vamos desenhar os ladrilhos com nosso sangue. Vamos despertar a cidade, catar gatos, colher flores...


Vamos até ali tomar um banho de chuva e já voltamos pintar tudo outra vez. Sabes que o mundo é nosso, apesar de ainda não saberes…

epílogo

Cada dia que passa é como se fosse um teste, somos testados quanto a nossa paciência em conviver com pessoas que não aguentamos mais e temos que manter o controle, somos testados ao quanto realmente queremos correr atrás dos nossos sonhos ou deixá-los passar por entre os dedos, somos testados quanto ao nosso caráter, virtudes, se somos frágeis aos nossos medos ou se os enfrentamos de frente… vivemos e morremos a cada dia.
Não temos certeza de nada, cada minuto pode ser o minuto pleno de alegria ou um minuto de incerteza onde jogamos fora nossas chances por tolices. Tolices que nos fazem sofrer por horas, meses, anos a fio. Sofremos por tão pouco, nos desgastamos com pouco, desacreditamos por pouco, perdemos as vontades por pouco, deixamos de ser o que realmente queremos ser muitas vezes, por tão pouco, ou quase nada!
Hoje completam-se cem anos! Desde o fim, até o dia de hoje, ou o começo se preferirem… mesmo assim, aprendi tanto nesta minha centena de idade, apanhei tanto da vida, levei tanto na cara por vocês e por meu orgulho comedido. Me perdi por vários momentos, deixei de lutar pelo que acreditava porque assim seria melhor para os outros!
E me esqueci, completamente e infantilmente de mim… eu sei! Eu sei…  meus anseios, minhas vontades, minha essência… deixei-me levar. Foi por pouco tempo, mas o suficiente para deixar a vida me estranhar e me jogar no destino como um ser humano sem nada, vazio, fútil e inútil.
Eu sei… que fui ao fundo do poço quebradiço de lama, quase me afogaram e foram poucos, bem poucos os que me estenderam a mão. Já não tinha mais as amizades, o companheirismo, o amor que era glorioso e divino. Aquela mão que se podia contar, o amigo que me carregava no colo, a palavra, o elogio, a bronca, as brigas, os choros, as discussões, as risadas, as viagens, as cifras, as notas, as letras, os acordes, os morangos, as cerejas, os livros, os perfumes…
Eu sei… que os sorrisos não eram verdadeiros, que os casamentos não foram felizes, que era a aparência de uma vida profundamente vegetal. Que havia a dor do arrependimento, que havia a saudade, a falta. Eu sei que nada mais valia à pena. As lembranças voltariam sempre como fantasmas. E eu só queria mais um ano de presente, um ano de glória, sabedoria, de discernimento e que se encontrassem no meio das perdas que tive.
No amor, perdi, recebi, esqueci dos valores para ficar ao lado de alguém que na verdade não merecia. Quase me anularam! A sanidade voltou, não mais a tempo de remediar e conviver bem com a solidão. Era tarde para chorar, para causar, mas ainda dava para tirar dela o que ela tem de melhor: Aprendizado!
No trabalho, distanciei-se daquilo e daqueles que mais amava, foi-se embora a alegria de escrever e recitar. De subir no palco, de sentar no estofado da platéia, de levar as palavras ao vento somente. Estive perto dele o tempo todo, mas não como queria ou achava que deveria. E isso doeu!
Doeu também ouvir aquelas canções… nada mais tinha a ver com paz. Não, acho que não. Não para que eu dissesse a meu envelhecido reflexo no espelho que não sabia que eu era assim. Mas tenho certeza de que me envergonha disso.
Eu tive um bom coração e ele era um dos poucos que confiava em mim, mesmo não me entendendo na maior parte das vezes. Tem ideia do quanto eu sofro com isso? Ou do quanto ele sofreu? Foi tudo culpa minha! Tudo culpa minha e por isso eu nunca vou me perdoar.
Eu sei… perdi-me em conceitos, em preceitos, em frases feitas de amigos desnorteados que de amigos não tinham nada. Deixei-me levar pela agonia interna, pela confusão de objetivos, pela falta de foco onde mais deveria focar.
Vivi e morri nestes cem anos meus caros amados. Mas morri mais do que vivi. Mas os outros cem e tantos estão aí, batendo a minha porta! Imploram para entrar, e como sou boa anfitriã receberei com braços abertos. Mas quero-os bem vividos, bem pensados, bem medidos e comedidos quando necessário.
Que as lembranças se tornem presente, que habituem e deixem de ser apenas lembranças. Que a nostalgia passe a ser romance, que as músicas passem a ser vocabulário. Quero renovação! Quero você mais vivo e menos morto no meu travesseiro nestes novos anos de vida. Plenitude!
Eu me vejo entre os melhores, e eu me desejo o melhor. O paraíso, o melhor palco, a melhor canção, o melhor rufo de bateria, o melhor solo de guitarra, a melhor voz, o melhor gemido, a melhor turnê, o melhor figurino, o melhor show, a melhor conversa jogada fora, o melhor texto, a melhor ideia.
Aqui, eu já estou!
Hey you, comecemos aqui a nossa nova fase, digamos assim. Os homens, os pais, os amigos, os amantes, os ermitões, os proibidos, os selvagens que tantos amam, mas, poucos conhecem de verdade. O bolo, o sol, o colibri, o guerreiro, o filho-da-puta, o Peter Pan, o lago, o rio, a grama, a relva, a lama, os corpos grudados no suor ou na cama…
Parabéns! Valorização de amor próprio! A partir de agora façamos um juramento para esta vida: Não nos contentemos com mais um pouco em nenhum setor de nossas vidas. Vamos morrer menos, amar, chorar, sorrir, cantar, viver mais a cada dia de nossas vidas. Vamos viver para sempre!

Coisa minha


Não é que me inspirei mesmo e tive ideias para um espetáculo maravilhoso, crítico, ativo, verdadeiro e que veio de encontro as minhas ânsias...
O mundo deu voltas, eu girei junto, sofri junto, morri junto, ajudei os meus, fiquei sem outros que eram meus. Estou lançada em pedaços por aí, ri, chorei, meditei, rezei, senti. Senti tudo. Sonhei coisas que sei que acontecerão infelizmente, coisas minhas...
Estou aprendendo agora a me torturar menos, voltei a ouvir música alta e dançar pela casa quando estou mal, e melhoro rápido. Consegui ler minha pilha de livros empoeirados na beira da cama que há tempos esperavam uma trégua. Limpei a casa, joguei muita coisa fora, me desapeguei.
Além de meu gato, peguei mais dois filhotes de cachorro (não gosto de gatos, mas amo o meu). Troquei de cama, mudei de quarto, saí pela janela.
A escrita… a escrita me distorce, me deixa lúcida, me traz de volta, me leva longe, me coloca em conflito com meus devaneios, me esclarece, me faz conhecer tanta gente, tanta gente que às vezes nem lembro mais o nome, mas  preservo carinho.
O que falta? Tanta coisa… mas não estou na espera, estou no meio do caminho. Exatamente no meio, e agora é hora de pensar que novo caminho pegarei. 
Amorosamente? Bem, me posicionei. Sempre dizia que já sabia o que não queria mais da minha vida, agora sei o que quero, como quero apesar de saber que nunca teria. Como diz meu amigo André de SP: você é uma pessoa maravilhosa e merece o melhor. 
E vou ter!
Mas tudo isso, é coisa minha, coisa pequena, coisa boba, coisa que vem e vai, coisa que sai, coisa… tanta coisa!!!

em estrada


Ele encontrava-se parado, imóvel em um caminho sem fim. Não sabia para onde ir.
As trilhas eram abundantes, mas mesmo ainda que tentasse não poderia distinguir nenhuma. Então, começou a pensar, e a questionar-se.
Já havia pensado, alguma vez, que uma decisão sem importância poderia mudar totalmente o rumo de sua vida? Não conseguia encontrar uma resposta. Ou por acaso não a queria encontrar.
Começou a caminhar, estava sozinho, não havia ninguém ao redor e isso não dava ânimos, queria despertar em uma manhã e dizer: Não desejo coisa alguma, vivo segundo o que quero, o que amo, o que digo. Busco essa suspeita de entusiasmo, esse ânimo de emoção, cujo qual, não se vive sem.
Era assim, e ele sabia. Mas era inútil o seguir procurando. Não encontraria!
Algo o impedia de seguir sua busca, estava preso. Na trilha?
Não! Estava preso em si mesmo, impedia-se de progredir, mas, todavia, parecia dar-se conta pouco a pouco. E pausadamente via os caminhos da trilha se abrirem.
Tomou sua rota e seguira caminhando…

Multiplique isto pelo infinito, leve-o até o fim da eternidade e terá apenas uma noção do que eu falo.

tempêtes


Cada tempestade traz consigo a esperança de que pela manhã tudo esteja limpo novamente e que as manchas ainda mais preocupantes tenham desaparecido, junto com dúvidas e inocência, ou conseqüências de erros, cicatrizes de traições, lembranças de beijos, saudações e tapinhas nas costas.
Esperamos que a tempestade passe pelo melhor que está por vir, embora no fundo nós mesmos sabemos que algumas manchas não são tão indeléveis e nem uma tempestade as pode lavar.
Quando eu era criança só queria uma coisa: Crescer. Queria que acontecesse de forma rápida, mas agora eu não sei no que tudo isso ajudou. Não sei porque…
O futuro é como uma sala de espera, como uma grande temporada com os bancos e rascunhos, e por trás do vidro um monte de gente passando correndo sem me ver.
Depressa!
Eles pegam trens ou táxis. Eles têm um lugar para ir, alguém para buscar, ver e ser. 
E eu estou aqui só esperando!

L'amour est bleu



Seria eu capaz de amar alguém mais do que eu?
Seria eu capaz de amar alguém mais do que o azul do céu?
Elementar, meu caro alguém.
O amor já é azul por si só. Não só azul como multicor, multicolor.
O amor é um arco íris e um pintor.

olhos ciganos

Era ele... 
Dono de dois olhos intensamente amendoados. Um oásis de perdição e fúria. Tão profundos como uma floresta negra e faminta. Olhos de um cigano, olhos ciganos, nômades, sem paradeiro... 
Os olhos mais belos do mundo não costumavam sorrir.
Quando ele os levanta, algo se acende e se enobrece. Quando ele os esconde, algo se acalma. O forte enlace dos cílios, logo se torna fraco, miúdo e ele novamente os levanta.

Quando ele mira é um tiro certeiro. 
Apunhala sem dó nem piedade, ofende, espanta... 
Acaricia e ama! Faz pouco caso e idolatra! Protege e abandona!


 Faz-se puro e faz-se insano!

O Cientista

Estou indo te encontrar, como há muito tempo eu esperava...
Preciso dizer que sinto muito!
As coisas não deram certo entre nós dois em vida e talvez eu seja o culpado por isso. Eu sinto tanto, sinto por não poder dizer de novo as coisas que sinto vontade de dizer. Você é tudo o que realmente está na minha cabeça o tempo todo. Você nem tem ideia do quanto você é amável.
Querido, Deus deve saber o quanto eu sinto sua falta...
Quero-te dizer que preciso de você, como nunca antes precisei. Preciso repetir, que você é tudo o que realmente está em minha mente?
Não vou desistir até te ver de novo! Se esse sonho acabar, vou ter certeza de que este é o meu destino. Talvez, por algum motivo Deus tenha te colocado no meu caminho.
Quero te encontrar e te dizer que esses tempos sem você não têm sido fáceis, que as lembranças me atormentam enquanto eu durmo, e quando eu estou acordado também. Você deve ter algo a me dizer e eu quero saber. Todos os seus segredos, quero solucionar suas dúvidas, quero te abraçar e te dizer que te amo. E como sinto sua falta... daria tudo para que voltássemos ao começo de tudo. Por você, eu viveria cada segundo. Mataria-me de novo, beberia sangue, amassaria cigarros na minha pele, tatuaria seu nome no lado esquerdo do peito… eu faria tudo, desde que você nunca mais partisse. Querido, estou indo te encontrar pra te dizer que te amo!
Eu sabia desde o início que nada seria fácil. Mas ninguém teve a decência de me informar o quão seria difícil! Sinto sua falta. Sinto falta de quando você me chamava de idiota, mas que dizia que eu era tudo o que você precisava. Sinto ainda mais falta do seu sorriso, que iluminava as minhas manhãs. Durante anos você foi o meu sol. Sinto falta do seu cheiro, ele era tão forte e perturbador. Sinto falta dos seus olhos intensos, que me faziam mergulhar em um abismo sem volta. Eu não me arrependeria. Nunca me arrependeria de voltar ao começo.
Quero desvendar todos os seus mágicos mistérios. Sejam numéricos, ou uma junção de quebra-cabeças de mil peças. Eu o faria! Eu sei ainda que meu coração fala mais alto do que tudo isso. Meu amor poderia arrasar tudo isso. Este mundo, os outros mundos, este tempo ou o tempo que ainda está por vir! Meu coração grita alto, e é o seu nome que eu ouço. Atormente-me, invada meus sonhos, projete meus dramas. 
Eu me entrego inteiramente a você como sempre fiz e sempre farei. Você é a única coisa porque vale a pena viver, porque vale à pena morrer, e porque eu lutaria algum dia. Correria em círculos, perseguiria a mim mesmo... Aguarde-me, me observe, me guie de encontro ao seu coração! Deixe-me estar perto de você, me deixe estar dentro de você, me deixe ser seu dono ou a sua propriedade.
Deixe-me voltar ao começo e te dizer que sinto muito.


P.s: Pessoal vai achar que eu estou apaixonada, vou deixar claro eu não estou. Eu escrevo sobre e para apaixonados, mas não estou apaixonada por ninguém, apenas pela literatura. Só me derramarei em reclames poéticos para Lionel Messi, e quem me segue e me lê sabe que é em sentido platônico.

Carrossel



Quero falar da nostalgia. Da nostalgia que me vem por apenas lembrar que eu fui criança!
Que pena que eu descobri que a vida não é o Carrossel que eu acreditava ser. A vida é traiçoeira, e as voltas nunca são as mesmas. Os cavalinhos da vida, estão sempre prontos pra te derrubar.
Que pena que eu descobri que a vida não é só andar de balanço. Temos tantas obrigações, tantas complicações, tantas decepções. Eu tinha comprometimento com o meu balanço e não o deixava um dia sequer.
Que pena que eu descobri que o Castelo Rá-Tim-Bum era só ficção. Eu queria mesmo ser uma criança feito o Nino. Eu sabia que ele era um homem, mas ainda assim tão menino. Muito mais criança do que eu já fui um dia!
Que pena que os machucados verdadeiros não são os de tombos de bicicleta, nem as mordidas de cachorro. Nada aqui dentro se cura com mertiolate!
Mas no fundo eu sabia que não seria fácil, e eu estou bem disposta a enfrentar isso por quantas vezes for necessário! Por amor? Talvez, ainda não sei.
Mas pra isso eu preciso voltar a ser criança, um pouquinho criança, só um tiquinho criança. Ser um astronauta, um passarinho, um poeta. Pescar com o Dobe, deitar na grama só pra ver os desenhos das nuvens, rir com eles. Sozinho, comigo mesmo. Ter muitos sonhos, muitas vontades, muitos prazeres. Ser amável, dócil, verdadeiro... Pensar que no fim tudo vai ficar bem!
Eu quero acreditar que a vida é um Carrossel. Um volta de cada vez!

à mes amis


'hoje já não somos mais tão jovens
nossa memória não é mais a mesma
nosso forte nunca foi a beleza
isso nunca foi problema, eu tenho certeza
orgulhosamente seguimos sonhando
que seremos eternos
nossos filhos serão os jovens
e nós os modernos
quem inventou a razão a emoção desconhece
criamos a falsa impressão que só o corpo que cresce
sofremos juntos com a dor dos amigos
a amizade é maior do que tudo'

Com o que te encantas?


Com poesia é que ficas encantado?
Então tenta imaginar de onde surge a poesia
Vista-se de olhos alheios, muna-se de tatos perdidos
Leia as palavras perfeitas, contemple-as...
A emoção transformada em letras
Mistérios escondidos em cada página de um livro
Isto tudo só pode ter criação, na alma de um sonhador
Ele não escreve apenas com as mãos, mas sim com o coração
Faz seu interior presente em cada verso
Mostra os seus desejos mais ocultos em cada palavra
Aponta os sonhos impossíveis e almejados pela simples escrita
Sim, sonhar é a melhor forma de contemplar o futuro...


O sonhador embala seus sonhos e também os meus, com seu cheiro de morango silvestre e os cílios de um imperador ele caminha e seus pés me abrem o caminho!

Você é assim, um sonho pra mim e quando não te vejo...